PRONTA PARA AMAR
Charlene Sands
OS ELLIOT - 6 livro


A herdeira do imprio Elliot, Bridget Eliot, estava decidida a expor todos os segredos de sua famlia, quando sofreu um acidente que a deixou sem memria e  merc
de um estranho muito sexy - Mac Riggs. De repente, descobrir quem ela realmente era, j no parecia mais to urgente. Tudo o que Mac conseguia deduzir a respeito
de sua desconhecida, a julgar pelo comportamento e aparncia, era que vinha de uma famlia de posses. Ele no tinha idia do motivo que a havia trazido ao Colorado,
mas estava determinado a desvendar os mistrios que se escondiam por trs daqueles belos olhos azuis. A qualquer preo.

HERDEIRA DESAPARECIDA!

A herdeira dos Elliot foi vista pela ltima vez h alguns dias.
A polcia est  procura de Bridget Elliot, neta do editor milionrio Patrick Elliot, desaparecida h quatro dias.
A Srta. Elliot, 28 anos, foi vista pela ltima vez em Hamptons, onde compareceu  cerimnia de casamento de seu primo Cullen, na manso da famlia. De acordo com
um camareiro contratado especialmente para o evento, seu veculo foi visto deixando a propriedade s 22:12.
A polcia foi alertada quando a senhorita Elliot no apareceu para trabalhar na revista Charisma, publicada pela Editora Elliot, onde  editora fotogrfica. Moradores
do seu prdio afirmaram que j no a vem h alguns dias.
Fontes prximas  famlia dizem que a Srta. Elliot recebeu um telefonema annimo, pouco antes do casamento, de algum que afirmava deter informaes nas quais ela
estaria interessada. At o presente momento, a polcia ainda no suspeita de assassinato.
Patrick Elliot, o patriarca da famlia, disse aos reprteres que no mediro esforos para localizar a Srta. Elliot.
- No descansaremos at que ela volte para casa, s e salva - disse o atual presidente da Editora Elliot, prestes a se aposentar. - Faremos o que for preciso.


CAPTULO UM

- No se atreva a me deixar na mo agora - implorou Bridget. Apesar da splica, porm, o maldito carro de aluguel morreu. O motor parou e no houve meio de faz-lo
voltar a funcionar.
Ela olhou pelo pra-brisa,  procura de ajuda, mas s viu a vasta extenso de terra seca do Colorado, uma longa estrada e um sol nascente que prometia um calor abrasador.
Nascida e criada em Nova York, Bridget estava acostumada aos dias quentssimos de junho, mas nunca havia estado no Colorado, e torcia para nunca mais ter razes
para voltar.
Mas sua misso era nobre. A pista quente que lhe haviam passado na noite anterior, durante o casamento de seu primo, Cullen, levou-a a tomar o ltimo vo noturno
para Colorado. Bridget tinha passado a noite inteira viajando, fazendo planos e torcendo para encontrar material para o ltimo captulo do seu livro que exporia
as mentiras e os segredos impostos  sua famlia por duas geraes e a verdadeira face de Patrick Elliot, o patriarca do cl e proprietrio da Editora Elliot, um
dos maiores conglomerados editoriais do mundo, seria finalmente revelada. A mscara do cl Elliot cairia por terra. O escndalo poderia acabar com o seu av.
E ele merecia. Sua mais recente deciso havia surpreendido toda a famlia. Ele havia anunciado sua aposentadoria no incio do ano, mas em vez de escolher logo o
sucessor, transformou a sucesso num jogo amargo entre irmos, incitando seus quatro filhos a lutarem uns contra os outros, por conta dos negcios.
Fora a gota d'gua para Bridget.
Ela decidiu se dedicar  procura do filho de tia Finola. O beb, concebido quando a sua tia ainda era uma adolescente, havia sido entregue para a adoo, uma adoo
forada, imposta por Patrick. Sua tia jamais havia conseguido se refazer do episdio, devotando sua vida  revista Charisma na tentativa de preencher seu vazio.
Como era a editora fotogrfica da revista, Bridget tinha muito contato com a tia, podendo ver freqentemente em seus olhos a dor da perda do beb, ainda mais de
vinte anos passados.
Bridget finalmente havia conseguido avanar nas investigaes. Algum confivel alegara conhecer a identidade da criana. Ela teria de ir a Winchester para localizar
o filho de sua tia Fin.
J eram quase seis da manh, mas no havia ningum na estrada. Se ela tivesse pego a auto-estrada 25, com certeza j estaria salva, mas as orientaes dadas pelo
seu informante a haviam desviado para aquela auto-estrada menor, de mo dupla.
Bridget suspirou, deixando-se cair sobre o assento. No tinha tempo a perder. Lembrou-se do celular. Pelo menos poderia pedir ajuda. Talvez a companhia pudesse mandar
outro carro. Suas esperanas, porm, se desfizeram um minuto depois. O celular estava sem bateria. Bridget sempre esquecia de recarregar o maldito aparelho. Com
essa j eram duas baterias arriadas em poucos minutos.
Ela tentou girar a chave na ignio novamente.
- Vamos l, por favor - implorou ela aos cus. - Funciona!
Qual uma criana desobediente, o Honda Accord se recusou a cooperar. Nada. Sequer um rudo.
- A locadora vai ter de se ver comigo - resmungou ela, jogando a bolsa para trs e saindo do carro.
Ela bateu a porta e comeou a caminhar. Lembrava-se vagamente de ter visto uma placa, indicando que o municpio de Winchester estava a 15 quilmetros de distncia.
Se os seus clculos estivessem corretos, ela devia estar a cerca de 7 quilmetros e meio de seu destino.
- Eu consigo - disse ela, pisando no asfalto com as botas de salto alto. Sempre na ltima moda, uma verdadeira representante da revista Charisma, Bridget agora se
perguntava por que no havia se lembrado de colocar os tnis na mala.

O xerife Macon Riggs saiu do carro de patrulha com determinao e seguiu em direo  mulher deitada ao lado da estrada. Seu corpo estava imvel e perigosamente
perto da beira do precipcio. Ela nunca teria sobrevivido se tivesse cado. Seu rosto estava de lado e as pernas retorcidas, mas foi sua nuca ensangentada que mais
o preocupou. No havia dvida de que ela havia batido com a cabea na pedra de granito ao seu lado, suja de sangue.
Ao se aproximar, ele descobriu um rosto lindo, porm inexpressivo. A mulher tinha cabelos loiros escuros e seus lbios, ainda rosados e com vida, estavam levemente
apartados.
Ele pegou na sua mo e a apertou.
- Senhorita, pode me ouvir?
Para surpresa de Mac, os olhos da jovem se abriram imediatamente. Belos olhos azul-violeta. Ela olhou fixamente para ele, pestanejando vrias vezes. Seu cabelo loiro,
a pele clara e aquele tom especial de azul em seus olhos faziam dela uma mulher memorvel.
- Sou o xerife Riggs. Voc vai ficar bem. Parece que sofreu um acidente.
- Um acidente?
Sua voz estava fraca. Sua expresso confusa fazia supor que estava desorientada por conta do ferimento.
- Voc bateu a cabea naquela pedra. Ela parecia perdida. - No se mexa. Voc est muito perto da beira de um precipcio. J volto.
Alguns segundos depois, Mac estava novamente ao seu lado com a caixa de primeiros-socorros que sempre trazia no carro.
- No vou desloc-la at ter certeza de que pode se mexer. Est sentindo dor em algum lugar?
A mulher balanou levemente a cabea.
- No exatamente, a no ser pela minha cabea que est doendo para caramba.
Mac conteve um sorriso, admirando o seu autocontrole.
- Fao idia. Consegue se sentar?
- Acho que sim.
Ele se agachou e passou o brao em torno dos seus ombros para ajud-la a erguer o tronco. Mac teve de desviar os olhos para no se deter no decote em V do suter
cor de framboesa que expunha seu belo colo.
- timo. Agora posso examinar a parte de trs da sua cabea.
- Parece grave?
Mac fez um exame superficial. O sangue havia coagulado em seu cabelo. Aparentemente no havia mais nenhum sangramento. Ele no tinha como saber por quanto tempo
ela estivera inconsciente. Ainda bem que ele havia decidido patrulhar aquela estrada. Ela poderia ter rolado para o lado errado e cado no Deerlick Cannyon.
- Voc parece muito bem. No acho que seja nada grave.
Mac se preparou para cuidar do machucado. Tocou-o de leve com uma gaze molhada, separando o cabelo para ver a extenso do ferimento.
- Di?
- No. Pode continuar.
- Qual o seu nome? - perguntou ele para distra-la do desconforto que ela se recusava a admitir. Ele a havia visto contrair-se quando tocou a cabea com a gaze.
- Meu nome?
- Sim, e j que estamos trocando informaes, no gostaria de me dizer o que estava fazendo por aqui? O que aconteceu? Voc caiu?
A mulher ficou tensa. Seu corpo enrijeceu. Ao ver que ela ainda hesitava, Mac prosseguiu num tom mais suave.
- Certo, comecemos pelo seu nome.
- Meu nome ... - recomeou ela. - Meu nome ...
Ela se virou para ele e fitou seus olhos com uma expresso de pnico, pestanejando vrias vezes. Olhou depois em todas as direes, aparentemente procurando pela
sua memria.
- No sei quem sou! No consigo me lembrar de nada!
As lgrimas brotaram em seus olhos e ela pestanejou mais uma vez, com fora, tentando se conter. Desesperada, comeou a repetir freneticamente:
- Eu no sei, eu no sei...
Mac achou que seria perigoso mant-la to perto da beira do precipcio. Ele se levantou e a pegou pelas mos para ergu-la lentamente.
- Tudo vai ficar bem. Vamos ao mdico para ele examinar voc.
- Oh, meu Deus. No consigo me lembrar de nada! No sei quem sou, nem o que estou fazendo aqui. - Ela puxou a manga de Mac e perguntou: - Onde estou?
- Municpio de Winchester.
Ela olhou para ele sem expresso. Ele completou:
- Colorado.
Ela balanou a cabea com fora e arregalou os olhos. Mac pde ver a determinao em seu rosto enquanto ela tentava urgentemente se lembrar de alguma coisa.
- Eu moro aqui?
- No sei. Parece que voc estava a p. Vamos investigar e procurar para ver se descobrimos algum carro. No h nenhum sinal de seus pertences. Nenhuma bolsa ou
mala, nada. O que quer que voc tivesse nas mos na hora do acidente, deve ter rolado precipcio abaixo quando voc caiu. Isso se voc realmente tiver cado. Uma
coisa posso garantir: com essas botas que voc est usando, duvido que estivesse pedindo carona.
Ela olhou para as botas de couro preto macio e ento avaliou o resto de suas roupas. Jeans de marca, um suter e um grande cinto de camura preta, mas nenhuma jia,
a no ser um relgio com um diamante. Ela no reconheceu absolutamente nada daquilo. Era como se estivesse olhando para as roupas de uma estranha.
- No consigo me lembrar. Meu Deus! No consigo me lembrar de nada!
- Vamos ver o Dr. Quarles.
Mac pegou na sua mo, mas as pernas dela bambearam ao dar o primeiro passo. Ele a segurou para impedir que casse. Virou-a de frente para ele, pressionando o corpo
dela contra o seu. Ela passou os braos em torno do seu pescoo, reclinando-se sobre ele para se apoiar. Ele a segurou por um momento, deixando que ela descansasse
a cabea em seu peito at se recuperar. Seu desespero era compreensvel. Despertar num ambiente estranho, sem ter idia de quem se era ou do que estava fazendo devia
ser muito assustador.
Mac teve de usar todo seu autocontrole para driblar o n em sua garganta e a leve acelerao de seus batimentos cardacos. Ela era bonita, sua pele macia, e a sensao
de t-la nos braos, deliciosa. J fazia muito tempo que Mac no experimentava nada parecido. Ele quase havia esquecido como era abraar uma bela mulher. As palavras
dela, porm, fizeram com que ele voltasse a se concentrar no seu dever.
- Minha cabea est rodando.
Mac no hesitou. Tomou-a nos braos e caminhou lentamente at o carro de patrulha. Checou a rea mais uma vez antes de acomod-la. No havia nenhum carro  vista,
nem vestgios dos seus pertences. Ele voltaria mais tarde com alguns de seus assistentes para investigar a vizinhana. Precisava primeiro levar a jovem ao mdico.
Depois tentaria descobrir mais coisas sobre a sua identidade e solucionar o mistrio do seu surgimento ali.
Ela no sabia quem era. No se lembrava de nada a seu respeito. Focou os olhos no homem que a carregava no colo. Xerife Riggs. Ele era gentil, mas forte, e ela se
sentiu segura e protegida. Ela s contava com o conforto que seus olhos escuros estavam lhe proporcionando. Eram olhos bonitos, pensou ela, e ele devia ter um belo
sorriso quando baixava a guarda, o que no parecia ocorrer com muita freqncia.
A sorte havia sido muito generosa com ela fazendo com que Mac a encontrasse e impedindo que ela rolasse precipcio abaixo, mas s fora at a. Ela havia percorrido
todos os cantos de sua mente nos ltimos minutos  procura de algum indcio ou registro, mas em vo.
Nada.
O xerife a colocou no carro de patrulha.
- Voc est bem? - perguntou ele, com o rosto a poucos centmetros dela.
Ele se deteve e encarou-a, sem conseguir desviar o olhar. Ela sentiu o cheiro da sua colnia ps-barba, um odor sutil masculino almiscarado que definia muito bem
o xerife. Ela teve a sensao de que ele a defenderia a qualquer custo. O instinto lhe dizia que ele levava seu trabalho e sua vida muito a srio. Mac sentou-se
e ligou o carro.
- Avise-me se achar alguma coisa familiar - disse ele quando partiram.
Ela observou a paisagem pela janela. Eles entraram num vale onde fazendas e ranchos se sucediam ao longo da auto-estrada. As cadeias de montanhas ao fundo formavam
um pano de fundo magnfico para o resto do cenrio. Ela vasculhou sua mente mais uma vez  procura de alguma pista da sua identidade. Ser que morava l? Seria aquela
sua terra natal? Ela podia ter alguma misso a cumprir por l. Talvez estivesse de frias. Ser que estava indo se encontrar com algum?
Como nada lhe veio  mente, ela fechou os olhos, na esperana de dar fim  sensao de desorientao. Rezou para que o mdico desse boas notcias.
- Fique onde est - disse o xerife quando eles estacionavam em frente a um posto de sade. - Vou dar a volta e pegar voc.
- Acho que posso caminhar. - Ela abriu a porta da viatura e saiu. O ar quente a atingiu em cheio e ela teve de respirar fundo para se equilibrar, apoiando-se no
carro.
O xerife Riggs aproximou-se dela imediatamente, preocupado.
- A vertigem passou?
- Eu no disse isso - disse ela, sentindo novamente os efeitos de tentar ficar de p. - Mas est melhorando.
Sem hesitar, ele enlaou a sua cintura e a ajudou a entrar no consultrio.
Meia hora depois, aps um exame minucioso, o Dr. Quarles chamou o xerife.
- Mac, parece que esta jovem est com amnsia retrgrada. Nesses casos, o paciente no consegue se lembrar de nada que aconteceu antes do acidente, ou incidente.
A causa pode ser tanto uma pancada na cabea, quanto um quadro de estresse. A boa notcia  que no h nenhum dano permanente. Ela est bem fisicamente. Vai ter
apenas um pouco de dor de cabea por um dia ou dois. Ainda assim, no seria m idia fazer alguns exames no hospital, por segurana. Os ferimentos so leves, mas
eu me sentiria mais seguro se...
- Quando vou recuperar minha memria? - perguntou ela incisivamente, interrompendo o mdico.
O Dr. Quarles balanou a cabea.
- Eu no posso responder a essa pergunta. Pode levar horas, dias ou at semanas. s vezes o paciente passa meses sem se lembrar de nada. Nesse tipo de amnsia, o
paciente comea a se lembrar das coisas mais antigas, mas devo precav-la de que talvez jamais se lembre daquilo que pode ter causado a sua amnsia. A mente tende
a bloquear tal tipo de informao.
- Pode ser ento que nunca me lembre do que aconteceu comigo?
-  possvel - respondeu o doutor. - Avise-me imediatamente se a dor de cabea persistir. Voc deve se sentir bem melhor amanh.
- Mas, mas... - comeou ela a dizer,  medida que foi tomando conscincia do seu estado. - Est me dizendo que no vou recuperar minha memria logo?
- Logo?
- Hoje! Doutor, preciso saber quem sou! Hoje!
- Talvez no seja possvel. No h como saber quando voc vai comear a se lembrar das coisas.
- Deve haver algo que o senhor possa fazer! - Alarmada, ela comeou a tremer. Seu corpo sacudia incontrolavelmente. - No - disse ela passando a mo pela testa.
- Isto no est acontecendo! Para onde vou? O que vou fazer? - Ela se recusava a chorar, mas no podia controlar a convulso. No conhecia ningum em Winchester.
Nem em outro lugar qualquer, na verdade. No sabia se tinha uma famlia. No sabia nada sobre si mesma. Revirou a mente mais uma vez, tentando se lembrar de alguma
coisa, apenas uma, mas nada lhe ocorreu. Nem mesmo seu prprio nome! Parecia um terrvel pesadelo.
O Dr. Quarles olhou para o xerife antes de pousar o seu olhar sobre ela novamente. Ele falava suavemente, de uma maneira que transmitia segurana, fazendo-a crer
que aquele homem realmente havia seguido a vocao ao optar pela medicina.
- Tenho um quarto livre em casa. Era de minha filha Katy, que se casou. Voc poderia ficar conosco at resolver esta situao.
Ela estava perdida. No sabia como responder a uma oferta to generosa. As palavras no eram suficientes para expressar sua gratido. Sua garganta fechou de emoo
e tudo o que ela conseguiu foi murmurar um agradecimento.
- Ento est combinado. Vou s ligar para minha mulher para avisar que teremos uma hspede em casa.
O olhar dela se voltou para os olhos escuros e indecifrveis do xerife Riggs. Por alguma estranha razo, ela precisava da sua aprovao. Em pouqussimo tempo ela
passara a confiar cegamente no homem que provavelmente havia salvo sua vida naquela manh.
O xerife fitou-a por um longo momento, como se estivesse se decidindo a respeito de alguma coisa. Seus lbios se curvaram sutilmente quase num sorriso.
- Espere, John - disse o xerife Riggs num tom de comando, detendo o mdico antes ele sasse da sala. - Tenho uma idia melhor. - Olhou ento para ela com um olhar
penetrante e disse: - Ela pode ficar comigo.


CAPTULO DOIS

Mac no sabia se havia tomado aquela atitude por se sentir responsvel pela segurana dela, ou pelo modo como ela o encarara com aqueles olhos incrveis, mas o fato
 que no podia abandonar sua protegida, ainda que fosse para deix-la nas mos de John e Dris Quarles, um dos casais mais respeitados de Winchester.
Ela o olhou diretamente nos olhos e, franzindo as sobrancelhas, perguntou num tom que parecia... esperanoso.
- Voc quer que eu fique com voc?
Ele concordou com um gesto, mas se sentiu na obrigao de esclarecer suas intenes. Ele no a estava pedindo em casamento, mas certamente teria se interessado por
ela se a tivesse conhecido sob outras circunstncias. No eram muitas as mulheres que despertavam o seu interesse ultimamente. Mac havia adotado uma postura mais
cnica em relao ao sexo oposto. J tinha sido casado uma vez, mas a experincia havia deixado marcas dolorosas. Alguma coisa nela, porm, o havia fisgado. Ele
lhe daria ajuda, casa e comida.
- Digo por razes estritamente profissionais. Moro atrs da delegacia. Vai ser muito mais fcil dar seqncia s investigaes com voc por perto. O Dr. Quarles
mora a uns 25 quilmetros daqui, no  mesmo, doutor?
-  verdade. Doris e eu temos uma bela casa, mas fora dos limites da cidade.
Mac explicou.
- Pode ficar tranqila, no vamos ficar sozinhos. Minha irm Lizzie mora comigo. Ela  professora. Passa o dia inteiro s voltas com adolescentes. Vai adorar ter
a companhia de um adulto.
- Acho que  o melhor a fazer, doutor - explicou ela para John Quarles. - Tenho que trabalhar com o xerife para descobrir minha identidade. Muito obrigada pela oferta.
Vocs esto sendo muito generosos e gentis comigo.
Ela sorriu, deixando ver duas covinhas nos cantos de sua boca. Mac julgou ser seu o mrito daquele sorriso,mas tratou imediatamente de deter o curso daqueles pensamentos.
No fazia sentido nenhum se deixar atrair por um par de olhos azuis e um corpo cheio de curvas. Ele tinha um trabalho a fazer. Ela provavelmente recuperaria a sua
memria em breve. Ou talvez algum aparecesse antes disso, procurando por ela.
-O senhor j terminou o exame? - perguntou Mac ao mdico.
- Sim. Receitei um analgsico. Quero que vocs me comuniquem se ela tiver mais vertigens, desmaios ou qualquer coisa incomum.
- Pode deixar - disse Mac. Olhou ento para a sua nova hspede e perguntou. - Est pronta, Jane?
- Jane? - disse ela, torcendo o nariz.
- Jane Doe.  como costumamos chamar as mulheres envolvidas em procedimentos legais que no podem ser identificadas - disse ele suavemente. Afinal, ele tinha que
cham-la de algum jeito. - A menos que prefira outro nome.
- Meu verdadeiro nome seria perfeito - comentou ela um pouco triste.
- Vou me empenhar em descobri-lo.
Ela olhou novamente para ele com os olhos repletos de esperana e ento deu de ombros.
- Acho que Jane  um nome to bom quanto qualquer outro.
- Certo, Jane. Vamos para casa.
Pela primeira vez na sua vida, Mac estava levando uma mulher para casa para apresentar  irm mais nova.
Era o caso de se pensar que havia sido ele a bater com a cabea na pedra e no Jane.

- No quero atrapalhar seu trabalho, xerife - disse Jane, sentada  sua frente na aconchegante cozinha de Mac.
Ele a havia conduzido at a sua casa depois de lhe mostrar a delegacia, na principal rua da cidade. Sua casa ficava numa tranqila rua residencial, bem atrs.
A delegacia era bem moderna, com grandes janelas do cho at o teto, mas a casa do xerife era exatamente o oposto. Ela se encantou com a casa assim que entrou nela.
Havia muito calor humano naquele lugar.
- Pode me chamar de Mac - disse ele, esboando um sorriso. - E isto aqui  trabalho. Espero que esteja disposta a responder a algumas perguntas. Eu vou dar uma volta
mais tarde com os meus assistentes pura investigar a rea onde voc caiu.
Mac lhe passou uma xcara de caf e um sanduche de peito de peru.
- Oh, obrigada.
- Estou apenas cumprindo com o meu dever - disse ele automaticamente.
Ela riu. O homem s pensava em trabalho.
- No, eu quis dizer pela refeio.
Ele se deteve por um momento, olhando-a no fundo dos olhos.
- No chega a ser exatamente uma refeio. Lizzie cozinha bem melhor do que eu. Deve chegar depois das trs.
- Espero que ela no se importe com minha presena.
Ele retrucou quase que imediatamente.
- Ela no vai se importar. Vai  encher os seus ouvidos. Minha irm adora uma boa conversa, especialmente se for ela a falar.
- Entendi - disse ela, provocando o xerife sisudo. -  por isso que me queria por aqui. Para dividir o fardo, no ?
Para a sua surpresa, ele no negou veementemente o que ela dissera, mas entrou no jogo.
- Voc entendeu direitinho.  mesmo muito perspicaz.
Jane respirou fundo. Na situao em que estava, no podia se dar ao luxo de bancar a engraadinha.
- Obrigada pelo sanduche. - Ela deu uma mordida e ento tomou um gole do caf. - O que voc queria me perguntar?
Mac coou a cabea e ento se inclinou para frente. Fez uma pausa e a estudou de cima a baixo. Jane perdeu o flego. Ele gostou do que viu e apesar de ter tentado,
no conseguiu esconder a sua reao inicial.
Aquele breve instante havia trazido certa dose de satisfao depois de tudo o que havia passado. Jane no sabia muita coisa sobre si mesma, mas entendia alguma coisa
do sexo oposto. E o xerife Mac Riggs era um homem muito interessante, tanto fsica quanto mentalmente.
- Preciso saber se voc veio para c por conta prpria ou se algum teve a inteno de lhe fazer mal. Desculpe-me, mas tenho que perguntar.
Aquela idia no havia lhe passado pela cabea, mas ela no chegou a ficar alarmada. Sentia-se, na verdade, vazia, como uma folha de papel em branco. Jane vasculhou
sua mente, na esperana de encontrar ao menos uma centelha de reconhecimento.
- No sei. No consigo me lembrar. Voc acha que  possvel que algum tenha me deixado deliberadamente  beira daquele precipcio?
- Talvez. Um namorado ciumento, quem sabe? J aconteceu outras vezes, O fato  que voc no tem nenhum tipo de identificao. No achei nenhum carro abandonado na
estrada, mas vamos checar mais tarde. Voc no tinha nada consigo.
- Eu sei - disse ela, contendo a frustrao. Sabia que o xerife s estava querendo se inteirar dos fatos. -  estranho, mas no tenho respostas. A nica coisa de
que me lembro  de acordar na estrada, com a luz do sol aquecendo o meu corpo e olhar para os seus olhos. Lembro de t-los achado bonitos - disse ela, repreendendo-se
logo depois por ter revelado em voz alta algo que tinha a inteno de guardar apenas para si mesma.
O xerife olhou mais uma vez para ela com uma expresso indecifrvel.
Apesar do embarao, Jane notou que no havia muito a seu respeito para manter em segredo. Cada nova revelao, por mais insignificante que pudesse parecer, ganhava
um significado todo especial para ela. Ela tinha to poucos lugares para ir e sabia to pouco a respeito de si mesma que era como se cada nova observao pudesse
ser uma pista para sua verdadeira identidade.
Ela ficou se perguntando se a atrao que sentia por Mac Riggs era por ele a ter salvo ou se aquele policial alto, escuro e srio, de traos marcantes e olhos sensuais
era mesmo o tipo de homem por quem ela se interessaria em outras circunstncias.
- Mais alguma coisa? - perguntou ela, pegando os pratos.
Mac a deteve imediatamente, roando a sua mo ao pegar o seu prato de volta. Aquele contato fsico com Mac deixou-a desconcertada, com o corao aos pulos. O arrepio
que percorreu sua espinha foi delicioso, ainda que inesperado. Jane j tinha muito com o que se preocupar para desejar o homem que havia sido suficientemente gentil
para traz-la para dentro de sua casa e lhe oferecer proteo.
- No quero que voc banque a garonete por aqui - disse ele com firmeza.
Ela disse com veemncia:
- S estou fazendo minha parte. Se no tem mais perguntas, vou limpar a cozinha. Voc no tem uma investigao a fazer?
Mac piscou e contraiu os lbios, mas Jane teve certeza de que ele havia contido um sorriso.
- Sim, senhora. Vou j cuidar disso - respondeu ele prontamente, ficando de p e estufando o peito. Retomando o controle da situao, ele disse: - Lizzie vai chegar
daqui a pouco. Se voc precisar de alguma coisa antes disso,  s ligar.
Ele anotou um nmero num bloco sobre o balco. Depois enfiou o seu chapu na cabea, fez uma careta ao v-la limpar a mesa e se despediu com um meneio de cabea.
Ele seguiu a passos largos para o carro de patrulha, estacionado na entrada da casa. Jane o observou sair e percebeu que ele era to atraente de costas quanto de
frente. Suas calas apertavam as suas ndegas firmes e a camisa marrom chocolate evidenciava os ombros largos. Ele ligou o motor e deu um ltimo olhar antes de ir
embora.
Ela se sentia segura e protegida quando Mac estava por perto, mas assim que ele se foi, sua coragem desapareceu. Ela estava sozinha. No apenas naquela casa estranha,
mas dentro de sua prpria cabea. No se lembrava de nada, no havia nada em que ela pudesse se agarrar e isto era o que mais a assustava.
Jane passeou pelos cmodos da casa, tentando se ambientar. Estava ansiosa com a perspectiva de conhecer a mulher que, apesar de todas as certezas de Mac, podia no
gostar da sua intromisso.
Ela abraou o prprio corpo, protegendo-se de um novo tremor convulsivo. No sabia se seria capaz de sobreviver se no recuperasse a memria. Neste exato momento,
nada parecia real. Ela entrou no quarto que Mac lhe havia destinado e se deitou na cama.
O colcho de casal era muito confortvel. Ela olhou em torno, admirando a bela decorao. Provavelmente era Lizzie quem cuidava disso, a julgar pelos evidentes toques
femininos como cortinas de renda e castiais de parede com velas perfumadas, que no faziam lembrar muito a seriedade do xerife Riggs.
Jane se cobriu com uma colcha macia e fechou os olhos, esgotada de um dia traumtico. Adormeceu na esperana de que, quando acordasse, sua memria j tivesse retornado
e o pesadelo tivesse ficado para trs.
Jane acordou com o som de algum cantarolando uma msica que no foi capaz de reconhecer. Ela abriu os olhos e viu um ambiente estranho  sua volta, pestanejando
vrias vezes enquanto lanava olhares pelo quarto. Tudo parecia... desligado. Por um segundo, no registrou nada. Depois, tudo veio novamente  sua mente quando
ela se lembrou do seu sbito aparecimento em Winchester. Ela se lembrou do xerife Riggs levando-a para dentro. Ela havia adormecido no quarto de hspedes da casa
dele.
Ela se sentou na cama na esperana de se lembrar de alguma coisa que tivesse acontecido h mais de 24 horas. Como nada lhe veio  mente, ela se levantou rapidamente
e olhou pela fresta da porta para descobrir quem estava cantarolando.
- Ol. No tive a inteno de acord-la - disse uma mulher magra de cabelos curtos castanho dourados e os mesmos olhos cor de caf de Mac. Ela foi at Jane com um
grande sorriso nos lbios. - No consigo tirar esta msica da cabea. No percebi que estava cantarolando em voz alta e perturbando sua paz.
- No reconheci a msica - disse Jane. - Ser que eu deveria?
- No, se voc no tiver o costume de ouvir msica country. Essa  a ltima do Tim McGraw.
- Oh - disse Jane dando de ombros, descobrindo uma coisa nova sobre si mesma. - Pelo visto, no gosto de msica country.
A mulher sorriu mais uma vez e estendeu a mo.
- Oi, sou Lizzie, a irm de Mac. No se preocupe, depois de alguns dias aqui voc vai saber tudo sobre msica country.
Jane lhe deu a mo, mas em vez de sacudi-la, Lizzie pousou a outra mo sobre a de Jane e a apertou gentilmente.
- Mac me falou da sua situao. Sinto muito pela amnsia. Deve ser muito estranho no saber quem voc . - Ela ento sorriu calorosamente. - Voc  muito bem-vinda
aqui pelo tempo que precisar para recuperar a memria. No diga a Mac que eu disse isso, mas ele  o melhor policial destas redondezas. Se houver uma maneira de
descobrir quem voc , ele a encontrar.
Jane concordou. Ela j o havia classificado como um homem da lei dedicado.
- Ele resolveu me chamar de Jane Doe. Lizzie franziu as sobrancelhas.
- Nossa, mas que original! Esse homem no tem mesmo imaginao.
- No tem importncia. Pode me chamar de Jane.
- Certo, Jane.  um prazer conhec-la. Seja bem-vinda. Mi casa es su casa.
- No posso lhe dizer o quanto estou agradecida pela sua hospitalidade. Seu irmo tambm foi muito gentil comigo. Muito obrigada, do fundo do meu corao.
Lizzie dispensou os agradecimentos com um gesto rpido.
- Estou muito feliz de ter companhia. Mac lhe contou que eu dou aula no segundo grau? So uns diabinhos. Mas eu os amo mesmo assim.
Jane riu.
-  fcil perceber que voc adora o seu trabalho. Ela concordou.
- Adoro mesmo, mas no vejo a hora de fazer uma pausa. As aulas vo acabar em breve e eu vou ter o vero todo de frias.
Jane tentou adivinhar qual seria sua profisso. Ser que ela tinha uma carreira? Ser que algum estava sentindo sua falta? Ou ser que ela havia viajado at l
em frias?
- Conte-me - perguntou ela a Lizzie, curiosa.
- Aquela msica que voc no consegue tirar da cabea fala sobre o qu?
- O nome  "Viva como se fosse morrer". Fala sobre viver a vida na sua plenitude. De tirar o mximo dela enquanto ainda estamos aqui sobre a terra. - Ela ento deu
de ombros. - Pelo menos  a minha interpretao.
- E voc faz isso? - perguntou Jane, quase certa de qual seria a resposta de Lizzie. - Eu quero dizer, voc vive a vida em toda a sua plenitude?
O sorriso de Lizzie desapareceu e ela pensou seriamente antes de responder.
- No. Gostaria de me aventurar mais, mas acho que nunca fui uma pessoa de correr muitos riscos.
Surpresa, Jane percebeu que no sabia o que dizer a seu prprio respeito.
Lizzie se recuperou e prosseguiu, falando:
- Alm do mais, quem iria cuidar do Mac? Ele precisa de mim. Ele no tem ningum especial em sua vida. Divorciou-se h alguns anos.
Jane no conhecia Mac Riggs muito bem, mas teve a distinta impresso de que aquele xerife grande e forte no precisava de ningum para cuidar dele. Ele parecia bastante
capaz em todos os aspectos. Um homem que no queria, nem precisava de complicaes na sua vida. Mac Riggs parecia gostar da sua vida exatamente como era. Jane achou
que ele deveria manter a irm junto de si para poder cuidar dela e no o contrrio. Pareceu-lhe tambm que Lizzie havia sacrificado alguma coisa na sua vida em nome
do irmo.
Jane se sentiu na obrigao de comentar:
- Ele tem sorte de ter voc, Lizzie. Na verdade, vocs dois tm sorte de ter um ao outro. Como gostaria de saber se tambm tenho irmos.
Lizzie pegou na mo de Jane, com um olhar caloroso e reconfortante.
- Voc vai recuperar a sua memria logo, logo. Quem sabe at amanh mesmo? Enquanto isso, saiba que j tem uma amiga em Winchester.
Jane no tina a menor idia de quem ela era, mas achou que teria gostado de ter Lizzie Riggs como amiga.
- Obrigada.
- Desatei a falar como louca e nem perguntei se voc queria tomar um banho. Prefere uma ducha ou um banho de espuma? Aposto que est louca para tirar essas roupas.
A perspiccia e generosidade de Lizzie deixaram Jane  vontade. Ela seria eternamente grata por isso.
- Eu gostaria muito. No sei por que, mas tenho a sensao de j estar h 24 horas com estas roupas. - Ela olhou para Lizzie com a cabea em redemoinho. - Talvez
esteja mesmo.
- Talvez. Mais uma razo para voc tir-la e vestir alguma coisa limpa.
Jane estava prestes a dizer que no tinha mais nada para vestir, mas Lizzie tomou a dianteira.
- Eu arranjo uma roupa para voc. Relaxe e curta o banho. Vou mostrar onde fica o banheiro. Sais de banho, aqui vamos!
Jane mal podia esperar para tirar as roupas e tomar um belo banho. O episdio serviu para que aprendesse mais uma coisa a seu respeito. Ela trocava uma ducha por
um banho de espuma quentinho sem pestanejar.

Mac entrou na cozinha e pendurou o cinto com o coldre e o chapu num cabide de parede bastante usado. Lizzie j havia falado vrias vezes em reformar a cozinha,
mas Mac gostava das coisas como estavam. As mudanas o incomodavam e ele j havia se acostumado aos tapetes baratos e s cortinas ultrapassadas.
- Oi,Liz - saudou ele.
 No  a Lizzie - corrigiu uma voz, fazendo-o virar. - Sou eu.
Ele deu um passo para trs, ao v-la na cozinha, com o cabelo loiro molhado, todo penteado para trs, deixando os olhos cor de alfazema ainda maiores e mais expressivos.
- Lizzie est fazendo uma aula de pilates. Ela confiou em mim para esquentar seu jantar. Espero que no se incomode.
- Tudo bem - murmurou Mac.
- Ela disse que no precisvamos esper-la para jantar. Voc vai ser obrigado a ficar comigo.
Ficar com aquela mulher linda que estava se dedicando a preparar o jantar no era nada mau, pensou Mac. Ele ficou l, parado, observando-a enquanto ela cuidava da
comida. Ele reconheceu as roupas de Lizzie. Uma cala Levi's que realava as suas ndegas e u camiseta do Winchester Wildcats que nunca havia cado to bem na sua
irm quanto em Jane.
Qualquer macho com sangue correndo nas veias, ainda que no tivesse as habilidades detetivescas do xerife, seria capaz de perceber que ela no estava usando nada
debaixo daquela camiseta. Os bicos de seus seios despontavam do tecido e cada vez que ela se mexia, o conjunto balanava.
Cus!
Ele teve de se conter para no imaginar o que ela poderia no estar usando sob a cala.
- Acho que voc  que vai ser obrigada a ficar comigo. Precisa de ajuda?
Jane se deteve com a luva de amianto na mo, pronta para pr o assado no forno.
- Obrigada, mas j resolvi tudo. O jantar vai ficar pronto mais ou menos daqui  uma hora.
Ele foi at a geladeira buscando algum alvio para o calor que subia pelo pescoo, lembrando-se do que o havia feito voltar mais cedo. Ele tinha novidades para Jane.
- Quer uma cerveja? - perguntou ele, estendendo-lhe uma garrafa.
Jane fechou a porta do forno e se ergueu para encar-lo.
- No sei. Ser que gosto de cerveja? Mac pegou uma segunda garrafa.
- S tem um jeito de descobrir.
Ele lhe deu a cerveja e fez um gesto para que ela se sentasse  mesa. Eles ficaram de frente um para o outro.
- Voc est bem?
Ele se sentia obrigado a cuidar dela, e Mac nunca era negligente com as obrigaes.
- Descansei um pouco  tarde e isso me fez um bem enorme. Estou me sentindo bem melhor.
- Dor de cabea?
O cabelo molhado de Jane emoldurou o seu rosto quando ela balanou a cabea.
- No. Nada de dor de cabea.
Aliviado, ele percebeu que a Srta. Jane Doe havia ocupado a sua mente o dia inteiro.
- Levei alguns assistentes para o lugar onde a encontrei.
Jane estava brincando com a sua garrafa. Arregalou os olhos de expectativa, esperando que Mac prosseguisse.
- E?
- Ainda no temos certeza, mas existem evidncias de que um carro saiu da estrada cerca de dois quilmetros de onde voc estava. Se esse automvel for realmente
seu,  bem provvel que tenha sido roubado. Mas tambm pode no ter nenhuma relao com voc.
- S isso?
Mac balanou a cabea.
-Gostaria de ter notcias melhores. Jane deu um gole em sua cerveja e Mac esperou pela sua reao. Ela continuou bebendo at esvaziar metade da garrafa.
- Pelo jeito, voc  uma grande bebedora de cerveja.
Ela deu de ombros e olhou para baixo.
- Ento eu gosto de cerveja e de banho de espuma.
A idia de Jane nua numa banheira de espuma fez a sua imaginao voar. Nenhuma mulher o havia deixado to perturbado assim antes. Seus assistentes j o haviam provocado
na delegacia, quando ele decidiu voltar mais cedo para casa. Aquilo s pioraria depois que eles a encontrassem pessoalmente.
Ela olhou para ele com aqueles dois olhos interrogadores.
- E agora?
Mac saiu de seus devaneios e comeou a explicar seu novo plano de ao a Jane.
- Existe um procedimento padro. Ns vamos checar os registros de pessoas desaparecidas nesta regio. Depois recolheremos suas impresses digitais amanh e ver se
conseguimos alguma coisa.
- Impresses digitais? Voc acha que posso ser uma criminosa! - Jane sussurrou esta ltima palavra horrorizada com a idia.
Mac balanou a cabea. Seus instintos lhe diziam que Jane Doe no era uma criminosa. Quis estender a mo para confort-la, mas tinha de seguir os padres de conduta
que a profisso exigia. Ele sabia que tinha de manter uma distncia bem delimitada entre eles. Sabia, por experincia prpria, que muitas vezes, pessoas de aparncia
inocente e angelical escondiam os piores segredos; afinal, j havia dedicado 15 dos seus 35 anos de vida a lidar com a lei e a ordem.
- No so s os criminosos que tiram impresses digitais. Elas tambm so registradas quando algum solicita uma licena para vender bebidas alcolicas, por exemplo,
ou ainda no servio militar. Voc vai passar pelo sistema automtico de identificao de impresses digitais para verificar se seus dados balem com alguma informao
encontrada nos arquivos. O sistema destina-se a identificar as pessoas, mas se voc tem algum pro...
Jane balanou a cabea rapidamente.
- No, estou disposta a fazer o necessrio.
- Certo, ento ser a nossa prxima etapa. Pode levar algum tempo, por isso tente conter as expectativas, certo?
Ela esboou um breve sorriso.
- Certo.
Mac pegou o seu cinturo e foi trocar de roupa. Ele sempre mantinha a arma em seu quarto,  noite, para que ela no fosse pega por um ladro que eventualmente entrasse
na casa.
- S mais uma coisa - disse ele, voltando-se novamente para Jane. - Voc tem, ah, alguma marca diferente no corpo que possa identific-la?
Ele a observou de cima a baixo, incapaz de manter o olhar apenas em seu rosto. Os poucos centmetros que os separavam j no pareciam mais suficientes. Uma coisa
era entrevistar uma vtima na delegacia; outra, completamente diferente, era falar este tipo de coisa na intimidade de sua prpria casa.
- Tatuagens, piercings, alguma coisa assim? Ela balanou a cabea.
- No, mas eu, ah... tenho uma marca de nascena - disse ela, enrubescendo logo em seguida.
Um pouco mais esperanoso, Mac perguntou:
- Onde?
Ela mordeu o lbio e se virou de lado, apontando para uma regio imediatamente acima de suas ndegas, coberta pela cala de cs baixo que Lizzie havia lhe emprestado.
- No sei exatamente como descrev-la. No a vejo com muita freqncia.
Mac engoliu em seco, maldizendo-se por ter feito a pergunta. L estava ele, um homem da lei ponderado e responsvel, tendo de olhar diretamente para as ndegas perfeitas
de Jane.
-  muito importante? - perguntou ela. - Se for preciso, eu poderia... Quero dizer, eu deixaria voc...
Mac encarou aqueles olhos azuis claros e sinceros.
- Sinto muito, Jane, mas no sou to forte assim. Mac saiu apressadamente da cozinha, com o corpo em chamas e as orelhas ardendo por conta da risadinha de Jane.

- Juntei as minhas coisas. Se quiser dar uma olhada... - disse Jane com uma pilha de roupas nas mos.
Ele estava sentado confortavelmente numa espreguiadeira branca de madeira, olhando para o jardim dos fundos do qual Lizzie tanto se orgulhava. Ela havia sido extremamente
gentil em lavar e secar as roupas de Jane, exceto,  claro, pelo suter, que estava rasgado e duro por conta da terra vermelha que se acumulara nele quando ela caiu.
Mac havia pedido a Jane que trouxesse suas coisas para ele dar uma olhada.
- Traga-as aqui para fora - disse ele. - Est uma noite deliciosa. Eu fiz caf.
Havia duas xcaras de caf sobre a mesa branca de vime ao lado de Mac. Ela se sentou na outra cadeira, sensibilizada por ele t-la admitido em seu pequeno refgio
particular.
- Pode beber sem medo. Fao um caf bem fraquinho.
- Isso  bom, eu acho - murmurou ela, colocando as roupas em seu colo.
Mac estava muito bonito de banho tomado, pensou Jane. Ela havia se surpreendido ao v-lo aquela tarde na cozinha vestindo roupas casuais: um jeans bem gasto e uma
camisa plo preta. Bronzeado e musculoso, ele parecia menos formidvel sem o seu uniforme, mas to atraente quanto.
Jane ficou tentando imaginar quando  que aquele xerife baixava a guarda, afinal. Ela ainda no o havia visto sorrir.
- Eu gostaria de agradecer mais uma vez por tudo o que vocs esto fazendo por mim.
-  o meu...
- E no diga que  o seu dever, xerife Biggs - interrompeu ela com um dedo em riste. - Voc foi muito alm do seu dever trazendo-me para dentro da casa. Vocs me
fizeram sentir muito bem-vinda aqui. Tive muita sorte, apesar das circunstncias. Espero ter a chance de retribuir.
Mac olhou para ela, arqueando as suas sobrancelhas negras. Seus lbios se contorceram e ele balanou a cabea.
- Basta no se oferecer mais para me mostrar a sua marca de nascena que ns estaremos quites.
Jane ficou atnita, mal conseguindo pronunciar as palavras.
- Eu s achei que ia.... ajudar - disse ela, elevando o tom de voz mais uma vez at quase saltar da cadeira, segurando suas roupas com fora para que no cassem.
- Nunca teria feito uma oferta dessas se no estivesse desesperada para saber quem eu era, seu idiota. - Sem conseguir conter a sua raiva, ela fez meno de dar
um tapa em seu brao, mas graas nos instintos bem afiados, Mac conseguiu se esquivar a tempo.
Mac deu uma boa gargalhada. A mudana em seu rosto foi impressionante, fazendo com que Jane, por um momento, esquecesse de toda a sua raiva. Seu corao dava saltos
mortais em seu peito. "Oh, meu Deus", pensou ela. "Ele  maravilhoso. Surpreendente."
- No me entenda mal, Jane. Essa foi a melhor oferta que ouvi em cinco anos.
Jane sentou-se novamente e encarou-o.
- S cinco? - disse ela com sarcasmo.
Apesar do comentrio mordaz, ela ainda estava impressionada com a transformao no rosto do homem da lei e com sua condio de solteiro por todo esse tempo.
Mac pegou de seu colo as roupas que ela havia trazido.
- Gosta de cerveja, de banho de espuma e  temperamental. Aos poucos estamos descobrindo a seu respeito.
Ela no perdeu tempo.
- E pensar que estava comeando a achar que o bom xerife no era humano.
Jane envergonhou-se pelo tom cnico. As palavras haviam saltado de sua boca.
O sorriso de Mac desapareceu e ele a olhou com seus olhos escuros penetrantes.
- Pois sou humano, e aquela sua marca de nascena vai povoar meus sonhos esta noite - disse ele praticamente num sussurro.
Ele manteve os olhos focados nos dela, mas a veemncia da afirmao e a implicao das suas palavras verteram pelo corpo de Jane como lava quente recm-sada de
um vulco.
- Oh - disse ela em voz baixa, completamente consciente da corrente eltrica gerada entre eles. Ambos, porm, pareceram recuperar o bom senso ao mesmo tempo. Mac
comeou a examinar as peas de roupa.
Jane estava aliviada. Ela no precisava de mais complicaes em sua vida. Mac Riggs era realmente interessante e atraente, mas permitir alguma coisa mais sria entre
eles estava fora de cogitao. Ela nem sequer sabia quem realmente era, ou de onde vinha.
- Lizzie disse que suas roupas eram de grife - disse Mac olhando a etiqueta interna. - Tamanho cinco.
Jane revirou os olhos. Ser que aquele homem no sabia que no se dizia o manequim de uma mulher em voz alta?
- Por que as mulheres gastam uma fortuna com os Gucci, Guess e Ralph Laurent da vida, quando uma simples Levi's tambm fica bem? - disse ele, olhando para o jeans
que ela usava.
- Talvez porque as mulheres no queiram ficar apenas "bem".
Mac resmungou qualquer coisa e se ps a avaliar o relgio dela, examinando o diamante.
-  um senhor diamante. - Olhou ento o verso. - Nenhuma inscrio.
Mac colocou as calas e o relgio sobre a mesa e comeou a examinar o suter.
- Por que voc estaria usando um suter em pleno ms de junho, neste calor?
Ela deu de ombros, numa frustrao cada vez maior. Nada do que estava em posse dela parecia levar a alguma pista da sua identidade.
- No sei, mas tive a sensao de que estava com aquelas roupas h muito tempo.
- Como assim?
- Talvez tenha dormido com elas, ou feito uma viagem longa. No estou bem certa.
Mac respirou fundo.
- Talvez. Significaria que voc veio de longe. Teria precisado de roupas mais quentes se tiver realmente viajado durante a noite, o que explicaria o suter e o fato
de no saber muito sobre o clima aqui no Colorado.
Mac tomou um gole de caf, contemplando o jardim dos fundos e depois olhou para ela novamente.
- No creio que voc seja desta rea.
- Por qu?
- Pressentimento. - Ele ento voltou a sua ateno para o cinto largo de camura preta. - Este no  um cinto tpico do oeste. No caberia em nenhuma presilha das
calas daqui. E parece muito caro.
Jane no tinha respostas. Era como se estivesse tentando montar um quebra-cabea onde nenhuma das peas encaixava na outra.
Ela finalmente tomou um gole do caf fraco de Mac.
- Nada mau, xerife Riggs.
- Isso  um elogio?
- Tenho que admitir. Seu caf  muito bom. Ele assentiu, bebendo tambm do caf.
- Obrigado.
Mac ps o cinto junto com o restante das coisas de Jane e se levantou. Jane havia escondido a sua roupa de baixo no quarto. No suportaria deixar que Mac visse a
calcinha minscula que vestia quando sofreu o acidente. O xerife decididamente no precisava daquela informao.
- Vou lev-la  delegacia amanh de manh para comearmos a trabalhar no seu caso.
Jane levantou-se e pegou suas coisas, abraando-as contra o peito. Era tudo o que ela tinha no mundo naquele exato momento. A noite estava chegando ao fim e ela
precisava se agarrar a alguma coisa que lhe desse um pouco de conforto.
- Certo.
- Ento, boa noite - disse Mac, despedindo-se.
Jane, porm, no conseguiu se despedir sem antes pedir desculpas. Ela tinha sado da linha e ele no merecia, depois de tudo o que havia feito por ela.
- Eu queria me desculpar pelo meu comportamento de agora h pouco.
Mac sorriu, deixando entrever seus dentes brancos e brilhantes.
- No se desculpe, Jane. No dou uma boa gargalhada como essa h muito tempo.
- Verdade? - perguntou ela, confusa. - Mas o que foi to engraado?
- Voc - disse ele. - Ningum ousa me chamar de idiota desde que eu tinha nove anos de idade.
- Oh - disse ela, percebendo o quanto a sua lngua afiada podia ter ofendido o xerife. - Agora eu estou me sentindo muito mal.
Mac apertou a mo de Jane, prestes a dizer alguma coisa quando ouviram um carro estacionar.
- Deve ser a Lizzie - disse ele, soltando sua mo e dando um passo para trs.
Pouco depois, l estava Lizzie, roubando a ateno de ambos.
- Eu tentei adivinhar o nmero - disse a irm de Mac, mostrando algumas lingeries que havia comprado para Jane, juntamente com um pente, uma escova de cabelos e
uma escova de dentes, alm de uma pequena ncessaire com loo, shampoo, brilho e outros os artigos essenciais de maquiagem. - - Voc estava precisando de algumas
coisinhas, especialmente de algo para dormir.
Jane pigarreou, olhando para os itens pessoais que Lizzie havia disposto sobre a mesa da cozinha. Mac observou de longe. Jane sentiu-se tomada por uma avalanche
de emoes diferentes. Gratido, embarao e uma insuportvel sensao de impotncia.
- No sei o que dizer. Acho que no posso pagar por isso no momento.
- Tudo bem, Jane. Considere como um emprstimo. Alm disso - disse Lizzie, olhando para o irmo por sobre a cabea de Jane - eu joguei tudo no carto de crdito
de Mac.
Jane se virou para v-lo dando de ombros. Lizzie apertou a mo de Jane carinhosamente.
- Est tudo bem. Mac tem mais dinheiro do que o Donald Trump. A nica diferena  que ele no faz muito alarde.
Jane olhou para a bela camisola rosa, o robe de tom mais claro e para as diversas calcinhas, cada uma de um estilo diferente, desde a mais simples, toda de algodo,
at uma fio-dental de renda vermelha.
- No conhecia as suas preferncias - explicou Lizzie.
- Oh, Lizzie. Isto foi de uma considerao e de uma generosidade... Elas so todas perfeitas. Obrigada - disse ela, virando-se novamente para Mac. - Vou encontrar
uma maneira de pag-lo por isso.
Ele balanou a cabea.
- No se preocupe com isso agora.
- Vou lev-la para fazer umas comprinhas assim que puder - disse Lizzie. - Voc no pode continuar dependendo das roupas que eu puder emprestar.
- Eu no me importo - disse Jane. Ela no tinha como retribuir tanta generosidade e gentileza. As roupas de Lizzie cabiam nela, apesar de estarem um pouquinho apertadas.
- Pretendo recuperar a minha memria antes que haja realmente necessidade de sair comprando feito uma louca.
Lizzie sorriu calorosamente.
- Tambm espero, Jane, mas  sempre bom se precaver. Eu agora estou atolada com as provas finais, mas assim que a escola entrar de frias, vou poder acompanh-la.
Jane esperava de todo o corao que aquilo no fosse necessrio, mas Lizzie estava to empolgada que ela no quis desencoraj-la.
- Est bem. Vou ficar esperando. A irm de Mac sorriu radiante.
- timo.
- Obrigada, Lizzie. Acho que vou dormir. Tenho que acordar com as galinhas amanh. Mac vai me levar para a delegacia para tirar minhas digitais. - Ela se virou para
ele. - Devo colocar o despertador?
Ele se aproximou dela com o olhar fixo na minscula calcinha vermelha no topo da pilha de novas lingeries.
- Dou uma batidinha na porta quando for a hora. - Mac finalmente ergueu o seu olhar para encontrar o dela. O inconfundvel brilho nos olhos do xerife perturbou Jane
profundamente.

- J  dia, Srta. Doe - disse Mac do lado de fora do quarto de Jane.
A batida a havia despertado de um sono profundo. Ela abriu os olhos devagar e ficou deitada por mais um momento, revendo os ltimos acontecimentos. Apesar de ter
dormido numa cama estranha, Jane havia adormecido quase que imediatamente depois de se deitar. Dormido e sonhado.
Ela tinha torcido para sonhar com alguma coisa relacionada ao seu passado, que lhe desse uma pista sobre sua verdadeira identidade, mas no foi o que aconteceu.
Ela ficou olhando para o teto, abraada ao travesseiro.
- Eu sonhei com o xerife Mac Riggs! - sussurrou Jane, incrdula. Ela se lembrava vividamente de tudo. O sonho havia sido praticamente uma repetio de como Mac Riggs
a havia encontrado, deitada sobre a terra batida,  beira do cnion. Ela sonhou com ele tomando-a nos braos e levando-a para um lugar seguro, mas foi a que o sonho
ficou nebuloso.
Ela havia acordado em chamas.
- Jane, voc me ouviu?
- Ouvi - disse ela, reconhecendo a voz profunda do sonho da noite passada. - Eu me visto num minuto.
- Tem caf quentinho na cozinha - disse ele. - A Lizzie teve de ir mais cedo para a escola. Eu vou estar na garagem.
- Certo. - disse ela, e ento acrescentou baixinho: - Obrigada.
Lizzie havia deixado algumas blusas e camisetas regata de vrias cores na sua cmoda. Jane optou pela blusa preta com um detalhe em renda, mais apropriada que as
regatas rosa-choque ou verde-lima. Achou melhor usar as prprias botas, sentindo-se mais confortvel com elas do que com os tnis que Lizzie havia emprestado. Olhou-se
no espelho, esperando ver ali algo mais do que dois olhos azuis-violeta e um cabelo loiro, mas nada lhe ocorreu. Ela reconhecia o rosto que a encarava no reflexo,
mas era tudo. Nada de passado, nada de histria. Era como se a sua vida tivesse comeado no momento em que Riggs a havia encontrado na estrada. Prometeu a si mesma
que seria positiva e paciente. Confiava em Mac Riggs e depositava toda a sua esperana nele.
Ela escovou o cabelo e passou o brilho e o rimel que Lizzie havia lhe dado. Depois arrumou a cama e saiu.
Jane se deteve assim que entrou na cozinha. A mesa estava posta para uma pessoa, com tudo o que se tinha direito e uma rosa vermelha num jarro fino e comprido de
vidro. Havia tigelas com ovos, bacon, aveia e bolachas, dispostas como num buf. Jane balanou a cabea. Nunca conseguiria comer tudo aquilo.
O cheiro bom de caf tomou conta da cozinha. Ela se sentou e tomou uma xcara. Comeu ainda um pouco de aveia e depois cobriu o resto da comida com papel laminado
e guardou na geladeira.
Ela se curvou para sentir o doce perfume da rosa. Aquele havia sido um gesto muito delicado de Mac. Decidiu ento encher uma segunda caneca e seguir com as duas
at a garagem.
O caf entornou das canecas quando ela se deteve abruptamente, dando-se conta do seu erro.
- Desculpe. No queria interromper.
Ela ficou olhando para as manchas de caf no cho da garagem, maldizendo sua prpria estupidez de ir atrs de Mac.
- Bom dia, Jane - disse ele. - Voc no est interrompendo nada. Estou quase acabando.
Jane deu um meio sorriso, tentando no olhar fixamente para ele, mas era difcil. Ele estava levantando pesos, usando apenas um short cinza. Sua pele suada brilhava
sob a luz da manh que penetrava na garagem.
Com o corao acelerado, Jane pousou as xcaras sobre uma das pranchas de exerccio. Mac era, com certeza, o homem mais bonito que ela j havia visto.
Ento era isso que estava por baixo daquele uniforme marrom?
Jane ficou excitada. Tomou o seu caf, fingindo no ligar para ele, tentando manter a sua concentrao em outra coisa. Ela no tinha ido at l para comer o xerife
com os olhos, mas no podia negar a atrao que sentia por ele.
Mac terminou os seus exerccios e se sentou numa prancha. Ele enxugou o suor de sua testa e limpou o torso com uma pequena toalha branca.
- Eu queria lhe agradecer pelo caf - disse ela. -Eu comi aveia. Acho que no sou de comer muito pela manh.
Ele a olhou de cima a baixo. Jane enrubesceu ao se dar conta de que as roupas de Lizzie estavam um pouco apertadas nela.
- Eu deveria ter imaginado.
- Agora j sabemos.
- Certo - disse ele, elevando o olhar at alcanar o rosto dela.
- Pelo visto, voc no precisa de caf - disse ela. - Adorei a rosa vermelha.  do seu jardim?
Ele bebeu um pouco mais de gua. Jane no conseguiu tirar os olhos da sua garganta, enquanto ele engolia.
- Isso  coisa da Lizzie. Eu cozinho e ela pe a mesa. Ela adora cuidar das suas flores.
- Oh - disse Jane, repreendendo-se por ter suposto que a idia poderia ter sido de Mac. Por que ele teria colocado uma rosa na mesa para ela? Ela era sua hspede,
no sua amante.
- Terei de agradecer a ela ento. Esse  o seu hobby?
-  o meu trabalho - disse ele.
Jane riu ao encontrar os olhos dele.
Ele esboou um sorriso e ela se deu conta de que tinham a sua piadinha particular.
- Tenho que me manter em forma por conta do meu trabalho e  mais fcil em casa, no meu prprio horrio. Acho que gosto disso. Fao meia hora de exerccio todas
s manhs antes de ir para o trabalho e uma hora ou duas quando estou de folga.
-  uma academia particular impressionante. Assim como ele.
- Obrigado. No que voc precise, mas, se quiser, pode usar meu equipamento quando bem entender.  sempre bom manter-se em forma.
- Voc com certeza est - disse ela, sem pensar, para ento acrescentar rapidamente. -Muito obrigada pela oferta. Talvez experimente um dia desses.
Usar o equipamento dele. "Oh, Jane. Saia daqui antes que voc acabe bancando a idiota."
- Quando voc termina? - perguntou ela.
- S preciso de uns dez minutos para uma ducha e ento poderemos ir.
- Est bem. Encontro voc l dentro.
Ela prometeu a si mesma que nunca mais iria atrs de Mac quando ele estivesse se exercitando na garagem.
Era perigoso demais.


CAPTULO QUATRO

Os assistentes de Mac amontoaram-se em torno d Jane, esperando que ele a apresentasse.
- Para trs - disse Mac. - Deixem a moa respirar.
Os assistentes no se mexeram, exceto para se tocar uns contra os outros, para apertar a mo de Jane ou puxar conversa com ela. Marion Sheaver, a Xerife-Assistente
e sua colega de trabalho favorita, alm de ser a mais durona de toda a fora, puxou-o de lado. Faltavam apenas seis meses para a sua aposentadoria, mas ela sempre
tinha uma opinio sobre toda e qualquer coisa.
- Ela  linda - disse Marion - e est fazendo muito sucesso. Tivemos uma semana muito desanimada. Uma moa misteriosa e desmemoriada pode ajudar a reanimar o pessoal.
Deixe que os rapazes conversem um pouco com ela. Vai ser bom para ela ter novos amigos.
-Amigos? - Mac olhou para os seus assistentes, tentando conter seus sentimentos. Ela era sua responsabilidade, nada mais. Ver aqueles homens babando como se ela
fosse um prmio a ser conquista do na feira municipal, porm, estava mexendo com seus nervos. - Acho que a ltima coisa que eles tm em mente  amizade.
- E o que voc tem em mente, Mac?
- Ora, Marion, ela  s mais um caso a solucionar.
- Voc a levou para casa - lembrou ela, erguendo as sobrancelhas grisalhas. - E est morando com voc.
- Comigo e com Lizzie. E no se esquea de que quando a encontrei, ela estava sem memria, sem dinheiro e sem identificao. No podia envi-la a um abrigo nesse
estado.
Marion coou a cabea e lhe atirou um olhar familiar. Mac sabia que havia um sermo  vista, ou, no mnimo, uma opinio que ele no queria ouvir.
- Ela  linda.
- Voc j falou.
- Voc gosta dela.
- No a conheo. Droga, nem ela mesma se conhece. Jane est com amnsia, lembra?
- Mac, j est mais do que na hora de voc se envolver com uma mulher novamente. Voc  jovem demais para viver sozinho.
Ele revirou os olhos.
- Essa conversa de novo, no.
- Voc teve uma experincia ruim, mas j faz anos.
- No quero tocar neste assunto, assistente Sheaver.
- No venha bancando o superior para cima de mim, Mac. Conheo voc como a palma da minha mo.
- Sim, e sua misso na vida  me ver amarrado a algum antes de se aposentar.
- E deixar que a Lizzie tenha sua prpria vida. Mac arregalou os olhos.
- No a estou impedindo de fazer nada. Ela  uma mulher adulta. Pode fazer o que bem entender.
Marion balanou a cabea e o olhou nos olhos por um instante.
- Se acredita mesmo nisso, est deixando de averiguar todas as pistas em contrrio, o que, para um homem na sua profisso,  um verdadeiro crime.
Mac abriu caminho entre seus homens e pegou Jane pelo brao.
-Est pronta? - perguntou ele, olhando significativamente para cada um de seus assistentes que, por ironia, eram, na verdade, os nicos que estavam invariavelmente
interessados na sua amizade. - Vamos cuidar das impresses digitais. - Olhou ento para a sua equipe e disse: - Vocs no tm trabalho a fazer?
Jane sorriu para os policiais.
- Foi um prazer conhec-los.
Mac ficou resmungando enquanto os rapazes voltavam lentamente para as suas respectivas escrivaninhas.
- Ser que todos aqui em Winchester so to gentis? - perguntou Jane.
Mac percebeu que ela no tinha idia do quanto era atraente e essa qualidade o cativou. Ele ficou se perguntando se era um trao natural de sua personalidade ou
se tinha a ver com a amnsia. Quem seria a verdadeira Jane Doe? Por que era to difcil conter a atrao por ela?
- Eu diria que so uns intrometidos. Sua apario causou um tremendo rebulio aqui em Winchester.
- ? Por qu?
Mac deu de ombros e a conduziu at a sala de datiloscopia. Com sorte, conseguiriam descobrir alguma coisa antes do final do dia e aquela agitao que ele estava
sentindo desapareceria quando Jane deixasse a cidade.
- Este  um municpio pequeno. Temos pequenos roubos e disputas por terra, mas nunca uma vtima de amnsia. Voc  um mistrio para todos ns.
- Como gostaria de no ser.
- Vamos torcer para ter sorte com as digitais.
- E se minhas impresses no baterem com nenhuma?
Mac se deteve ao perceber o pnico em sua voz.
- No se preocupe, Jane. Seguimos um protocolo. O passo seguinte seria procurar a imprensa local. E por isso que perguntei a respeito de marcas especficas que pudessem
identific-la.
Mac lembrou-se imediatamente da conversa que tivera com ela sobre a sua marca de nascena. Ele no havia sonhado com ela, mas a verdade  que aquela mulher no havia
sado da sua mente.
Jane ergueu uma sobrancelha.
- Est querendo dizer que vou ter de ir  televiso?
- No exatamente. Poderamos distribuir uma foto sua para os jornais e canais de TV junto com o que j sabemos sobre voc. Podemos tambm veicular alguns spots nas
rdios locais, com sua descrio e os detalhes de como foi encontrada.
- E quando faramos isso?
- Assim que eu cuidar da parte tcnica.
- O que acha que devo fazer? - perguntou ela, fitando-o com aqueles imensos olhos azuis. Ela confiava nele e ele no queria abusar.
Mac colocou novamente a mo em suas costas, para conduzi-la at a sala onde seriam colhidas as impresses digitais.
- Diria para voc investir nisto. Quanto mais fizermos, maiores as chances de resultados rpidos. S hesitei quanto  mdia porque esse tipo de exposio tende a
deixar as pessoas meio desconfortveis. Podemos esperar para decidir a respeito e ver se voc se lembra de alguma coisa, ou podemos comear a tratar disso logo.
Jane o ouviu com ateno e decidiu.
- Vamos logo  imprensa. Odeio bancar a pessimista, mas e se nada disso der certo?
Mac sustentou o olhar, assegurando-lhe:
- H mais coisas a fazer, caso nenhum desses procedimentos d resultado.
- Que tipo de coisa?
- Exames de DNA, hipnose... Mas no vamos botar o carro na frente dos bois. Explicarei tudo mais tarde. Margie vai ajudar voc com as digitais. Procure-me no meu
escritrio quando estiver pronta.
Mac estava preocupado com Jane, mas Marion o havia deixado com a pulga atrs da orelha por conta daquele comentrio a respeito de Lizzie.
Ele no conseguiu deixar de pensar nisso pelo resto do dia.

- Voc chegou em casa mais cedo do que eu imaginava - comentou Lizzie, enquanto colocava uma pilha de papis sobre a mesa da entrada e caminhava at o sof da sala.
Jane havia passado a maior parte da tarde lendo. Tinha encontrado um romance de Dean Koontz na lareira e achou que poderia ser uma boa maneira de passar o tempo.
- Oi, Lizzie. Voc tambm. Aplicou provas o dia inteiro? - perguntou ela, baixando o livro, feliz por ter companhia.
- Pois . Achei melhor trazer as provas para casa em vez de corrigi-las em sala de aula. Aqui tenho mais conforto, posso ficar de ps para cima. Acabo muito mais
generosa na hora de dar as notas - disse ela, sorrindo.
- Aposto que voc  sempre generosa. Que matria voc leciona?
Lizzie sentou-se ao lado de Jane no sof e suspirou.
- Bem, j ensinei um pouco de tudo. Agora estou ensinando Ingls e Histria.
- E voc tem alguma matria favorita?
- Hummm... Adoro Histria Americana. Mas  muito difcil motivar os alunos a estudar o legado de nossos antepassados.
Jane no conseguia se lembrar de seus dias de escola, por isso no tinha muito a opinar.
- Como foi o seu dia? - perguntou Lizzie, ajeitando-se no sof. Ela tirou as sandlias e esticou as pernas, enfiando os ps por baixo de Jane. Aquela sinceridade
e falta de cerimnia eram o que Jane mais agradava em Lizzie.
- Foi bom. Seu irmo est fazendo tudo o que pode por mim. Passei a manh tirando minhas impresses digitais e pesquisando os registros de pessoas desaparecidas.
Conheci vrios dos assistentes dele. Um deles at perguntou por voc. Acho que o nome dele era Lyle Brody.
Os olhos castanhos de Lizzie se arregalaram de muda presa e sua voz ficou rouca.
- Lyle perguntou por mim?
Seu comportamento mudou totalmente. Completamente alerta, ela se sentou ao lado de Jane. Sua linguagem corporal no deixava dvidas. Lizzie estava interessada em
Lyle Brody.
- Com certeza. Ele mandou lembranas e disse para voc dar uma passadinha na delegacia.
O rosto de Lizzie ganhou uma expresso sonhadora.
- Ele no disse isso!
Jane sorriu.
- Disse sim. E disse tambm que eu tinha muita sorte de estar aqui com voc, porque voc era a melhor cozinheira de Winchester. Voc j cozinhou para ele?
Os olhos de Lizzie brilharam, apesar do esforo para esconder seus sentimentos.
- No exatamente. Foi Mac quem comeou com esta histria l na delegacia.. Existem tantos rapazes solteiros na equipe de Mac que ele decidiu fazer uma reunio, toda
ltima sexta-feira do ms para garantir que pelo menos uma vez por ms eles tivessem uma refeio decente. Alguns voluntrios ento preparam comida suficiente para
o almoo e o jantar.
- Que legal. E Lyle gosta especialmente da sua comida?
Lizzie deu de ombros com modstia.
- Acho que sim.
Lizzie devia ter por volta de 25 anos. Era bonita e simptica e tinha muita personalidade. Devia haver uma razo sria para ela ainda no ter se casado, ou pelo
menos estar namorando. Jane tinha um pressentimento que aquilo tinha alguma coisa a ver com Mac.
- Por que voc no prepara um jantar particular para ele? - pressionou Jane.
- J pensei nisso centenas de vezes, mas...
- Mas?
-  complicado.
- Ento descomplique.
- Se pelo menos Mac se ajeitasse novamente - disse ela baixinho.
Jane imaginou que ela no tinha tido a inteno de fazer o comentrio em voz alta.
- Mac j  um homem feito, Lizzie - disse Jane tom doura. Ela no queria ultrapassar nenhum limite, mas no podia deixar de ajudar sua amiga.
- Eu sei, mas ele cuidou de mim durante 15 anos. No posso abandon-lo agora.
- Voc j conversou com ele sobre isso?
Lizzie balanou a cabea.
- No. Mac  super-protetor. Voc sabe como so os irmos mais velhos. Ele no acha ningum suficientemente bom para mim. Ainda est na idade da pedra quando se
trata desse assunto.
- Talvez esteja na hora de voc traz-lo para o sculo XXI.
Lizzie deteve-se por um instante para pensar no assunto e ento sorriu, dando um tapinha no joelho de Jane.

- Tenho certeza de que voc prefere a comida de Lizzie  minha.
Mac passou a mo pelos cabelos curtos.
- O mesmo restaurante com outro chef. A comida tem que ser gostosa, Jane, no refinada. Volto j para ajudar a pr a mesa.
Mac foi ao banheiro para tomar uma boa chuveirada. Voltou  cozinha, meia hora mais tarde, depois de um banho gelado e de um sermo implacvel que havia feito a
si mesmo, bem mais aliviado e sob controle.
At olhar para o rosto de Jane. Ela desviou os olhos do forno e se virou para ele com a face afogueada, pela qual rolavam lgrimas.
O alarme contra incndio comeou a soar loucamente.
Os pedaos de frango estavam completamente carbonizados e as batatas duras como pedra, sem falar nos biscoitos tostados. A casa estava toda enfumaada e cheirando
mal.
Mac ficou abalado com o que viu, sentindo-se tomado por emoes que no se via no direito de sentir. Aquilo o estava deixando preocupado. Ele nunca tinha se entregue
assim a mulher alguma, nem mesmo  sua ex-esposa.
- O que aconteceu, Jane? Ela desatou a chorar ao ouvir o nome. Seu corpo sacudia incontrolavelmente e ela desabou, chorando baixinho. Suas lgrimas silenciosas tocaram
o corao de Mac.
Ele abriu a janela da cozinha, deixando a fumaa ir e se voltou para ela.
-  s um jantar - disse ele decidido. - Podemos pedir uma pizza.
- Eu... Eu lhe disse... Lizzie cozinha muito melhor do que eu. Eu... Eu no sei... No sei o que fao aqui - conseguiu ela finalmente balbuciar, agitando os braos
no ar.
- Tudo bem. Talvez a Lizzie seja melhor cozinheira que voc. Talvez cozinha no seja o seu forte.
- No  s o jantar, seu... seu...
- Idiota?
- Eu no disse isso. J aprendi a lio da outra vez.
- Mas era o que voc estava pensando.
Jane conteve as lgrimas e ento olhou para ele com raiva, arregalando aqueles olhos azuis-violeta.
- O que foi? - rosnou ele.
O que ele tinha feito de errado afinal?Ela jogou o pano de prato nele. Surpreso com a audcia de Jane, ele agarrou o pano antes que batesse na sua cara.
- Droga, Jane. No entendo voc.
-Ento somos dois! - Ela prosseguiu com a respirao ofegante: - Tambm no consigo me entender! No sei nada a meu respeito! S sei que no tenho talento para cozinhar.
E o que mais? Nada. Absolutamente nada.
Mac ficou brincando com o pano de prato nas mos. Jane tinha um temperamento difcil. Tinha tambm personalidade, orgulho e inteligncia. Quanto  aparncia, nem
era bom pensar. Com a mente em turbilho, Mac no sabia dizer se estava mais enfurecido ou excitado.
Nenhuma das duas emoes, porm, eram apropriadas.
- Tudo isso s por causa do jantar que queimou? - perguntou ele, tentando achar algum sentido para aquela exploso repentina.
Ele no podia dizer que sabia o que ela estava passando, mas vinha fazendo e continuaria fazendo tudo ao seu alcance para que ela recuperasse a memria.
Jane apertou os lbios e balanou a cabea.
- No? Ento o que foi?
Ela baixou a cabea como se olhando para a refeio arruinada, mas Mac sabia que ela no estava enxergando nada  sua frente.
- O assistente Brody ligou enquanto voc estava no banho. Ele disse... Ele disse que as minhas impresses digitais no combinaram com nenhuma outra dos registros
e pediu que lhe desse o recado.
Droga. Lyle deveria ter lhe passado essa informao em particular.
Quando ela olhou para ele novamente, abatida e desesperanada, Mac no se conteve. Tomou-a nos braos, puxando-a para perto de si e fazendo com que ela pousasse
a cabea em seu peito.
- Est tudo bem, Jane - sussurrou ele, roando i is lbios em sua testa. - Voc no pode perder as esperanas.
Ela se aninhou a ele e Mac percebeu que talvez fosse isso o que ela precisava desde o comeo. Algum para abra-la. Algum que lhe dissesse que tudo ficaria bem.
Ele olhou para baixo e viu os seios dela apertados contra o seu prprio peito. O boto de cima da camisa do Jane havia se aberto, expondo a pele branca de seu rolo
e o suti de renda igualmente branco. Ele fechou os olhos, mas a imagem dela e sua doce fragrncia o tiraram do prumo. Ele sabia que ela podia sentir sua ereo,
mas no estava ligando a mnima.
- Mac - sussurrou ela suavemente.
Ao encontrar seu olhar, Mac percebeu que no era s conforto o que Jane queria. Ele inclinou a cabea dela para trs e viu aceitao e desejo em seu rosto adorvel.
Cobriu ento os lbios de Jane com os seus, tomando sua boca num beijo lento e suave, como uma espcie de teste para saber at onde poderia ir. Um pequeno som gutural
escapou dos lbios de Jane, fazendo com que Mac a puxasse mais para perto. Ele tomou o seu rosto nas mos, para em seguida acariciar os seus belos cabelos loiros.
A boca de Jane era macia, quente e generosa. Mac aprofundou beijo, explorando completamente os seus lbios at ela suspirar de prazer.
Fazia um bom tempo que ele no se envolvia com uma mulher. Havia sado com algumas, dormido com outras, mas no se lembrava de nenhuma que o tivesse perturbado daquela
forma.
Ele abriu caminho por entre os lbios de Jane e a beijou profundamente, perdendo parte do seu habitual autocontrole quando suas lnguas se entrelaaram, dando incio
a uma dana selvagem. Lbios, lnguas e corpos se tocavam, entrelaavam e mesclavam. Seus coraes batiam com fora. Seus corpos ansiavam por mais.
De repente, um pensamento ocorreu a Mac. Ele interrompeu o beijo e olhou no fundo dos olhos de Jane.
- Voc pode ser casada.
Ela balanou a cabea, erguendo a sua mo esquerda onde no havia nenhuma aliana.
- Acho que no.
- Voc pode estar noiva. Talvez haja um homem esperando para se casar com voc.
Jane balanou novamente a cabea.
- No h ningum. No me pergunte como, mas sei que no.
Mac no tinha tanta certeza. Jane Doe no parecia uma mulher sozinha no mundo. Ela havia demonstrado paixo e vulnerabilidade, assim como fora e inteligncia. Era
linda, sexy e animada. Como uma mulher assim podia ser livre e desimpedida?
Ela ainda estava com os braos ao redor do seu pescoo. Mac beijou-a mais uma vez, profunda e deliberadamente, antes de estender a mo em direo ao lugar de onde
despontavam os seus seios.
Ela esperou, com o olhar repleto de expectativa. Mac tocou no boto de cima que havia se aberto. Ela respirou profundamente, forando o tecido ainda mais. Mac hesitou,
dando-se conta das implicaes do seu prximo movimento. No havia nada que ele desejasse mais do que mergulhar a sua mo por dentro da camisa dela e acariciar seus
seios fartos e macios.
Lentamente e com destreza, ele fechou o boto e se afastou dela. O impacto de deix-la, abrindo mo do presente que mais desejava receber, chegou a deix-lo tonto.
Pestanejou vrias vezes at se refazer do impacto de ter de se afastar dela. Ele pigarreou e ergueu os olhos para olhar no fundo de seus olhos azuis, completamente
perplexos.
- Vamos fazer compras amanh. Voc precisa ter suas prprias roupas.


CAPTULO CINCO

- Chegamos - disse Mac ao parar o carro no estacionamento do Winchester Mall. - No  muito sofisticado, mas voc pode encontrar algo de que goste.
Jane olhou para ele, ainda sentado no seu jipe preto, com uma cara de quem queria estar em qualquer outro lugar, menos l. Ele estava usando uma cala jeans que
lhe caa muito bem e uma camiseta regata branca com as iniciais DPMW em marrom - Departamento de Polcia do Municpio de Winchester.
Mac e o seu trabalho eram uma coisa s. Seu trabalho e seu comprometimento com o municpio eram o que o definiam. Ela o respeitava por esta dedicao e sabia que
ela no passava de uma obrigao para ele.
Jane, porm, no havia se sentido como uma obrigao quando ele a beijara na noite anterior. Ela estava com a mente repleta de dvidas e profundamente empenhada
em preparar o jantar quando o assistente Brody ligou. A decepo com as ltimas notcias foi a gota d'gua.
Ela no esperava cair nos braos de Mac daquela maneira, nem beij-lo daquele jeito. No esperava sentir-se de repente mais viva naquele momento do que em todos
os ltimos quatro dias, desde que havia acordado sem memria.
O beijo tinha sido maravilhoso, mas causou uma forte estranheza entre os dois durante o resto da noite. Eles dividiram uma pizza, talvez para mostrar, um no outro,
que podiam lidar com o que havia acontecido, ou melhor, no acontecido, entre eles. Os olhares desviados, porm, e at mesmo os evitados e as conversas excessivamente
formais fizeram com que Jane fosse para a cama mais cedo.
Pelo bem de ambos.
O que ela realmente queria era aninhar-se a ele nua em cama. Sentir seus braos em torno do seu corpo, confortando-a e fazendo-a sentir-se viva novamente.
- Isto est passando dos limites, Mac. Eu aposto que este  o ltimo lugar em que voc gostaria de estar no seu dia de folga.
Mac olhou para a camiseta regata verde-lima dela.
-  necessrio.
- Lizzie disse que ficaria feliz em me acompanhar se eu esperasse at o fim de semana.
Mac saiu do carro e deu a volta rapidamente para abrir a porta para Jane.
- necessrio para a minha sade, Jane - disse ele erguendo as sobrancelhas e olhando diretamente ela.
Ela olhou para baixo, tentando enxergar a si mesma com os olhos de Mac. Ela efetivamente se sentia apertada como numa lata de sardinhas dentro daquelas roupas, mas
no tinha se apercebido at ento de que poderia estar chamando a ateno dele.
- Voc tem um corpo muito bonito - disse Mac, caminhando em direo  entrada principal - e prefiro no ser lembrado disso cada vez que olho para voc.
Jane quase teve que correr para acertar o seu passo com o de Mac. Ele a havia deixado furiosa com aquele comentrio. Como se ela tivesse alguma escolha! Ela no
tinha culpa se as roupas de Lizzie no eram do seu tamanho. Teria sido muito grosseiro se queixar.
- Isso no deveria perturb-lo, xerife. Afinal, voc tem fora de vontade por ns dois.
Mac olhou para ela.
- No tenha tanta certeza.
- Isso basta para despertar o seu interesse? Ele se deteve e a encarou.
- O qu?
Completamente ruborizada e quase sem flego Jane disse suavemente.
- Acho que voc me ouviu.
- No posso me interessar por voc, Jane. Voc no compreende? Voc est debaixo do meu teto, sob minha proteo. Acredite ou no,  possvel que voc tenha laos
importantes com outras pessoas. Pessoas que a amam e que se preocupam com voc.
- Compreendo, sim. Voc deixou bem claro na noite passada.
Mac balanou a cabea com uma expresso dura.
Jane estava comeando a entender o motivo de sua frustrao. Ele estava protegendo seu prprio corao. Sua dedicao ao trabalho no permitiria que comprometesse
a sua posio por um capricho.
Ele tinha muito a perder com aquela histria. E se ela tivesse realmente um passado, uma famlia  sua procura? E se houvesse um homem procurando por ela? Jane s
conseguia enxergar os detalhes mais imediatos de sua vida atual, ali em Winchester, mas Mac tinha uma viso mais ampla.
Jane no podia culp-lo por se retrair. Ela pegou na sua mo e a apertou com carinho.
- Sinto muito. Ficarei eternamente em dvida com voc por tudo o que tem feito por mim.
- Voc no me deve nada, Jane.
- Devo sim. Voc est sendo muito gentil em me levar s compras. Vamos pr uma pedra nesse assunto. Prometo que no vou prolongar sua tortura.
Mac sorriu. Seus dentes apareceram por um segundo, brancos e brilhantes, e o corao dela saltou novamente dentro de seu peito. O sorriso de Mac era arrasador.
- Voc no existe, Jane Doe.
Ela inclinou a cabea.
-Voc tem mesmo tanto dinheiro quanto Donald Trump? Ele riu.
- Ningum tem o dinheiro de Trump.
- No se preocupe. No vou assaltar sua carteira. Ele pousou a mo nas costas dela e a conduziu para entrada do shopping.
- Aposto uma semana de lavanderia como voc vai me limpar em uma hora.
- Feito.
- Ei, voc no  aquela mulher sem memria? Vi sua fotografia no jornal esta manh - disse a jovem vendedora, escrutinando o rosto de Jane. - Voc foi encontrada
no Deerlick Canyon. Como  no se lembrar de quem voc ?
Jane vacilou por um momento.
- Bem, uh, no  nada que eu deseje a ningum. Mac foi at o balco de vendas e apresentou o seu carto de crdito.
- Est tudo pronto?
A vendedora pegou o carto.
- Ouvi dizer que voc tinha sido ferida, mas que ningum sabe exatamente como aconteceu. - Ela olhou para o carto de Mac e o reconheceu pelo nome. - Ah, foi voc
quem a encontrou. A notcia dizia para entrar em contato com o xerife, caso algum a reconhecesse.
- Isso mesmo - disse Jane, enquanto sua linguagem corporal dizia a Mac que queria dar um fim quela conversa.
- Bem, no a reconheci - disse ela avaliando Jane novamente. - Definitivamente no. Acho que voc nunca esteve aqui antes.
- Obrigada. Poderia agilizar um pouco a venda, por favor? - disse Mac, apontando para o carto de crdito e as roupas que Jane havia posto no balco. - Ainda temos
muito por fazer esta manh.
- Oh, claro. - Ela tirou a nota e pediu para que Mac assinasse o comprovante de pagamento. - Aposto que algum vai reconhec-la. Vi a sua foto na grama do meu vizinho
quando estava saindo da minha garagem.
- Na grama do seu vizinho? - perguntou Jane.
- Sim, na primeira pgina do Winchester Chroni. Cara, no posso imaginar uma coisa dessas. Deve ser estranho.
Jane sorriu sem muita convico.
-  muito estranho.
A vendedora guardou as roupas numa sacola preta brilhante, entregou-a a Jane e devolveu o carto a Mac.
Eles saram rapidamente pela porta.
- Acho que vai ser assim de agora em diante.
- Como se eu estivesse num aqurio e todo o mundo quisesse ver o peixe extico?
Mac apertou a sua mo mais uma vez antes de solt-la.
- Extico, no, Jane. Intrigante. Voc  um mistrio por aqui, s isso. Vamos veicular essas notcias na imprensa ainda por algum tempo e se ningum parecer com
informaes, mudaremos de estratgia. Voc no vai ser uma celebridade por muito tempo.
-Celebridade? Parece mais para um show de horror!
Mac balanou a cabea. No havia nada de horrvel em Jane. Apesar da situao difcil, ela estava se saindo muito bem, exceto pela crise da noite anterior. Ela era
uma mulher forte, que certamente sabia superar adversidades.
Ele ficou observando enquanto ela experimentava as roupas, optando sempre pelas cores que enfatizavam a tez de sua pele e pelos modelos que valorizavam o seu corpo
bem-feito.
Jane tinha classe e estilo. Aquele shopping recm-inaugurado no chegava aos ps daqueles dos grandes centros urbanos, mas ela conseguiu escolher as roupas certas
que mais se adequavam  sua personalidade.
Infelizmente para Mac, ela estava to sexy em suas roupas novas quanto estivera com as de Lizzie.
- Para onde agora? - perguntou ela. Mac olhou para as suas botas de couro preto.
- Temos que comprar uns sapatos decentes para voc. O vero j est quase chegando.
- Eu no quero parecer mal-agradecida, mas os sapatos de Lizzie machucam meus ps. So um pouco pequenos para mim.
Eles foram at a Shoe Salon, uma loja pequena e ntima que s vendia sandlias delicadas femininas, verdadeiras obras de arte. Mac havia deduzido que ela no era
o tipo de mulher que comprava em lojas de departamento e achou tambm que ela ficaria mais  vontade num lugar menos tumultuado.
- Essas botas no devem ser muito mais confortveis que os sapatos de Lizzie - disse Mac.
- Na verdade, essas botas so os calados mais confortveis que tenho. Elas vieram de uma cidadezinha da Itlia. O sapateiro s faz dois pares por ms. Ele faz um
molde do p do cliente e projeta o sapato de acordo com ele.
Mac se deteve abruptamente.
- O qu?
Jane continuou andando.
- Eu disse que o sapateiro s faz dois...
Ela parou e se virou para ele, com os olhos arregalados em total surpresa, enquanto se dava conta do que acontecera.
- Oh, meu Deus! - exclamou ela, deixando a sacola cair. - Mac, eu me lembrei de alguma coisa - sussurrou ela, para depois repetir mais alto, com um enorme sorriso
no rosto: - Eu me lembrei de alguma coisa!
Ela correu para os seus braos, surpreendendo-o mais uma vez.
- Oh,Mac!
A alegria dela era contagiante. Ele a segurou por um momento, cerrando os seus olhos e desfrutando do breve contato. Ela se afastou rapidamente e sorriu.
- Isto  bom.
Muito bom. Do que mais voc se lembra? A cidade da Itlia? O nome do sapateiro? Quando foi que voc adquiriu as botas? Foi um presente?
Jane sorriu novamente, balanando a cabea.
- No sei. No consigo me lembrar de mais nada, mas acho que foi um bom sinal, no foi? Quero contar ao Dr. Quarles. Talvez haja alguma coisa que eu possa fazer
para melhorar minha memria.
-  uma boa idia. Ligaremos mais tarde.
- Oh, Mac - disse ela, jogando-se mais uma vez em seus braos. Ela pousou a sua cabea em seu peito e ele a recebeu, abraando-a com fora. Pareciam dois adolescentes
apaixonados. - Obrigada.
Ela olhou para cima e o beijou na bochecha.
- O que foi isso? - perguntou Mac, ainda tentando se refazer do medo que se apoderara do seu corao havia pouco, quando achou que Jane havia recuperado a sua memria.
- Por estar sempre comigo. Por me ajudar e por me dar apoio.
-  o meu...
Uma centelha de decepo cruzou o rosto de Jane.
- Prazer. O prazer  meu, Jane.
O sorriso amplo de Jane fez com que Mac abandonasse todas as suas reservas e preocupaes. Ele finalmente havia admitido para si mesmo que faria tudo ao seu alcance
para ajudar Jane, fosse o seu dever ou no.
Aquela mulher havia conseguido abal-lo. Mais dia, menos dia, porm, ela recuperaria a memria, e ento partiria.
- Eu me sinto to segura quando voc me abraa. Parece que tudo vai ficar bem.
Mac sentia exatamente o contrrio. Toda vez que abraava Jane, tinha a ntida sensao de que nada mais seria como antes.
Ela se afastou e puxando-o pela mo, disse:
- Vamos l, voc me prometeu um par de sapatos.
Jane espalhou as roupas novas sobre a cama, combinando as peas entre si. Ficou feliz com o resultado. Ela havia feito uma compra inteligente sem limpar a carteira
de Mac.
Lizzie bateu na porta aberta e entrou saltando no quarto de Jane.
- Olha s!  tudo maravilhoso! Adorei o conjunto framboesa. Vai combinar muito bem com a cor dos seus olhos e dos seus cabelos.
Jane no pde deixar de sorrir.
- Mac foi um doce de me levar at l. Vocs dois tem sido muito gentis.
Lizzie verificou o preo de uma das peas e ento olhou para Jane com admirao.
- Que pechincha! Eles tinham esta blusa em outras cores?
- Umas cinco. Lizzie sorriu.
- Mac adorou, sabia? Jane franziu a testa, confusa.
- A blusa?
- No, sua boba, o passeio.
- Ele disse isso? - perguntou Jane num tom de voz um pouco mais elevado.
Lizzie balanou a cabea.
- Meu irmo jamais admitiria, mas - disse ela, olhando no fundo dos olhos de Jane - ele no reclamou. Nem uma nica vez. Acho que ele gosta de voc.
Jane enrubesceu.
- Ele  um homem muito gentil - murmurou ela, embora pudesse descrev-lo de vrias outras formas. Forte e equilibrado. Protetor, ainda que reservado. Confivel.
Um lder. E  claro, sexy como o qu. Ele havia passado a olhar para ela nos ltimos dias de um jeito que a deixava completamente arrepiada cada vez que ele a segurava
contra o seu corpo, fazendo um calor se espalhar por todo o seu corpo.
Lizzie empilhou as roupas e abriu espao para se sentar na cama dela.
- S isso? Gentil?
Jane ergueu um vestido branco de vero sem mangas e o enfiou num cabide. Aquela havia sido uma compra de ltima hora, um item que Mac a encorajara a comprar. Ela
pendurou o cabide no armrio e ento voltou-se novamente para Lizzie.
- Aonde voc est querendo chegar? Lizzie esboou um olhar cheio de malcia.
- Mac precisa de uma mulher em sua vida.
- Oh, Lizzie, e voc acha que essa mulher sou eu?
- Voc gosta dele, Jane. Posso ver no modo como olha para ele.
-  claro que gosto dele. Ele salvou a minha vida, me trouxe para casa. At me deu roupas para vestir. Sou muito grata a ele e a voc, mas no existe futuro para
ns. No sei quem eu sou. Mac est certo em se preservar.
- Ento no acha que ele  um grande sujeito?
- Mac com certeza  um grande sujeito e no precisa que voc lhe arranje uma namorada - disse ela suavemente. - E quanto a voc? Como anda a sua vida amorosa?
Lizzie suspirou profundamente.
- Que vida amorosa?
Jane sentou-se perto dela.
- Como vai o assistente Brody?
Lizzie deu de ombros, mas seus olhos se iluminaram com a simples meno do nome dele.
- Conte-me - disse Jane com doura. - Eu adoraria ajud-la.
-  que... acho que ele tem medo de Mac.
- Lizzie, voc  uma mulher adulta e tem todo o direito de fazer as suas prprias escolhas. Alm do mais, Lyle Brody  um homem decente, pelo que pude perceber.
Por que Mac se oporia?
Lizzie deu de ombros mais uma vez.
-  complicado. - Ela avaliou o rosto de Jane por um momento, como se decidindo se confiar nela ou no. - Mac est sozinho h muito tempo e no quero abandon-lo.
 claro que ele  meio arrogante algumas vezes, mas sei que ele seria capaz de dar a vida por mim. Ele  um timo irmo.
Jane compreendia a lealdade de Lizzie. Ser que ela tambm tinha um irmo em algum lugar  sua procura? Ser que havia algum, em algum lugar, disposto a sacrificar
a prpria vida por ela?
Suas esperanas haviam sido renovadas naquela tarde com a lembrana do sapateiro italiano. Devia ser apenas uma questo de tempo at ela recuperar completamente
a memria. Jane agarrou-se quela esperana com unhas e dentes. Tentou falar com o Dr. Quarles  tarde, mas como ele no estava no consultrio, havia marcado uma
consulta para o dia seguinte.
- Mac quer que voc seja feliz, Lizzie. Eu apostaria meu ltimo dlar nisso. - Ento ela sorriu. - Isso , se tivesse um,  claro.
Lizzie sorriu de volta.
-  mais complicado do que isso, Jane. Acho que Mac no gostaria que eu lhe contasse isso.
- Compreendo - disse ela, embora estivesse morta de curiosidade para saber o que Lizzie tinha para contar.
-  claro que se voc me obrigasse...
Jane sorriu novamente, percebendo por que Lizzie era a professora favorita entre os seus alunos. Ela tinha um jeito infantil cativante, mas tinha desejos e necessidades
de mulher que no podiam ser ignorados. Lizzie merecia ter uma vida prpria. Um homem para amar, uma casa, uma famlia. Jane achava difcil acreditar que Mac no
concordasse com isso.
- Pois estou oficialmente forando voc a falar. Assumo toda a culpa do que vier a acontecer - disse Jane piscando para a amiga.
- Ento... - disse Lizzie, remexendo nas sandlias de Jane. - Pergunte-me sobre Lyle.
- Por que Mac no quer que voc se envolva com Lyle?
- Bem, j que est me forando, vou contar. Mac foi casado com a irm dele, Brenda Lee.
Jane perdeu o flego. Sentiu um vazio repentino e no conseguia compreender por qu. Ela sabia que Mac j havia sido casado, mas falar sobre isso, dar um nome 
sua ex-mulher, fazia tudo mais real. Jane no tinha direito de sentir cimes exatamente, mas ora esse o sentimento que estava se insinuando pela sua espinha.
- Meu Deus! Lizzie respirou fundo.
- Entende agora? O rompimento dos dois foi muito difcil. A irm de Lyle quis proteg-lo tanto quanto Mac a mim. Eles se respeitam profissionalmente, mas so ex-cunhados,
percebe?
- E voc est apaixonada por Lyle, no ?
- Acho que sim, Jane, mas no tivemos muita chance de aprofundar o relacionamento.
Jane ficou morta de curiosidade, vida por saber mais sobre o casamento fracassado de Mac.
- E o que aconteceu com Brenda Lee?
- Oh, ela queria deixar Winchester para trs e achou que poderia convencer Mac a lev-la embora. Ela nunca compreendeu que Mac era o xerife de uma cidade pequena
e que o seria para sempre. Mac gosta da vida que tem, da sua casa, sua cidade, seu trabalho. Ele no podia deixar de ser ele mesmo, nem para salvar seu casamento.
- Voc se sentiria duplamente desleal com Mac caso se envolvesse com Lyle.
- Isso mesmo. Nem posso lhe dizer o alvio que senti ao ver como Mac estava reagindo a voc. Ele j no se interessa seriamente por uma mulher h muito tempo.
- Eu odeio ser portadora de ms notcias, Lizzie, mas Mac me v apenas como sua responsabilidade, nada mais.
- Sei...
Aturdida, Jane no sabia o que dizer.
- Meu irmo no traz mulheres para dentro de casa, estejam elas com amnsia ou no. Ele no leva uma mulher para fazer compras, nem lhe d presentes se no estiver
interessado nela. - Lizzie entregou uma caixa dourada a Jane. - Ele me pediu que lhe desse isso.
Jane ficou olhando para a caixa com absoluta surpresa.
- Vamos, abra. Estou louca para saber o que tem a dentro.
Ela abriu a caixa.
- Oh - disse ela suavemente, enquanto seus olhos se enchiam de lgrimas, ao ver o conjunto de brincos, colar e pulseira de prata trabalhada. - Vi este conjunto numa
vitrine hoje  tarde, mas no achei que Mac tivesse percebido que eu havia gostado. No esperava que ele me comprasse estas jias. Mas ele comprou - disse Jane baixinho,
abraando a caixa com fora contra peito, tentando discernir as emoes que a invadiram. - Por que ele no me deu presente pessoalmente?
- Provavelmente porque sabia que no agentaria esse olhar. Voc quase me fez chorar.
- No sei o que dizer.
- No faa muito estardalhao quando for agradecer. Basta us-lo.
- Nem sei se devo aceitar, Lizzie.
- Pode ter certeza de que ele no ficou mais pobre por causa disso, Jane. Voc vai mago-lo profundamente se recusar.
Jane ficou brincando com as argolas do colar e admirando os detalhes delicados. Aquele conjunto havia chamado mais a sua ateno do que todas as outras jias caras
que havia visto, e Mac tinha percebido com seu faro de detetive.
-Eu no devolveria por nada neste mundo. Voc me ajuda a colocar? - disse ela estendendo o colar para Lizzie.
- Claro, mas com uma condio. Quando eu voltar de viagem, voc vai me ajudar a refazer todo o meu guarda-roupa.
- Eu adoraria. Mas para onde voc vai?
- Carolina do Norte. Caitlin, a minha melhor amiga, vai dar  luz antes do esperado. O marido dela est numa misso do outro lado do oceano e a Fora Naval no permitiu
que ele antecipasse a volta. Vou acompanh-la no parto. Serei a madrinha.
- Isso  maravilhoso! Quanto tempo vai ficar fora?
- Vou viajar no domingo e passar quase uma semana fora. Tempo suficiente para voc e Mac se entenderem.
- Mac vai achar que voc est fazendo de propsito.
- No tenho culpa de Caitlin ter tido complicaes com a gravidez. Ela vai ter que fazer uma cesariana. No posso deixar minha amiga na mo. Mas tenho que admitir
- acrescentou ela sorrindo - que a hora no podia ser mais adequada.


CAPTULO SEIS

Jane no sabia se devia ir at a garagem  procura de Mac. Ela o havia ouvido sair da cozinha e se condenado veementemente por no ter levantado mais cedo para peg-lo
tomando caf. Ele tinha chegado muito tarde da noite anterior por conta de um chamado de urgncia na delegacia, e ela ainda no havia tido a oportunidade de agradecer
pelo generoso presente.
Ela estava usando as jias com a sua nova blusa lils, sem mangas, e as calas pretas. Elas completavam seu visual, fazendo-a se sentir mais composta. O vero do
Colorado j havia comeado e aquelas roupas mais frescas garantiam-lhe o conforto de que precisava. Jane havia prendido o cabelo num rabo de cavalo, arejando mais
o pescoo. Ela ia mesmo precisar se Mac estivesse se exercitando como ela suspeitava.
Por precauo, decidiu dar uma espiadinha antes de entrar, mas no havia sinal dele por l. Jane ficou entre aliviada e decepcionada. A voz de Mac ressoou em seu
ouvido, justamente quando ela se preparava para virar.
- Procurando por mim?
Ele estava apoiado na cerca, tomando gua da garrafa. Seu peito bronzeado brilhava sob o sol do Colorado.
Assim como da outra vez, ele estava apenas com um short cinza e uma toalha em torno do pescoo.
- Oh, Mac. Sim, eu estava... Eu no queria interromper os seus exerccios.
- J acabei - disse ele tomando um ltimo gole. Pousou a garrafa junto  cerca e se aproximou dela. O modo como a olhou fez o corao de Jane acelerar. Ela viu os
olhos dele descerem em direo ao seu pescoo, avaliando o colar, a pulseira e as argolas que ela usava. - Voc est muito bonita.
Ela enrubesceu e engoliu em seco. Levou a mo instintivamente at o colar. Era a primeira vez que Mac lhe fazia um elogio abertamente.
- Oh, hum, foi por isso que vim aqui. Queria agradecer. Adorei as jias, mas achei que voc precisava saber...
Ele assentiu e Jane se conteve, lembrando-se do que Lizzie havia dito.
- Foi uma bela surpresa.
- Jane - comeou Mac, olhando-a nos olhos. O seu pulso acelerou at ela achar que ia desmaiar. Ela esperou que ele prosseguisse, mas ao notar que ele permanecia
em silncio, Jane se deu conta de que aquela era a primeira vez que ela o via sem palavras.
- Voc queria pedir alguma coisa?
Ele ergueu o canto da boca, com uma expresso irnica no rosto.
- No  uma boa pergunta para se fazer a um homem que quer...
- O qu? O que  que voc quer, Mac?
Ele se retraiu ao perceber que quase havia revelado seus verdadeiros sentimentos. Jane agarrou as duas pontas da toalha e o puxou, recusando-se a deix-lo ir.
Ela estava bem em frente a ele, olhando para o seu belo rosto.
Os olhos dele escureceram de excitao e desceram at a boca de Jane.
Ardendo de desejo, ela abriu os lbios numa oferta velada.
Mac gemeu, fechando os olhos por um momento.
- O que voc quer? - perguntou ela novamente.
- Aqui no - disse ele enigmaticamente, deixando Jane ainda mais confusa.
Mac pegou-a pela mo e entrou com ela na garagem. Ele a prendeu contra a parede, apoiando uma mo de cada lado dela. Cobriu ento a boca de Jane com a sua, num beijo
longo e profundo.
Jane gemeu, suspirando de prazer. Ela acariciou a pele macia e sedosa de Mac, correndo as mos pelo seu peito musculoso e enroscando os seus dedos nos plos dele.
Suas carcias foram ficando cada vez mais intensas at que Mac tambm no pde mais se satisfazer apenas com o beijo. Ele pressionou o seu corpo com mais fora contra
o dela, roando a barriga de Jane com seu membro rgido.
-Oh, Mac - disse ela, arfante, ansiosa por se entregar quele homem de corpo e alma.
Mac abriu a sua blusa e deslizou sua mo por dentro do tecido, at alcanar os seios de Jane.Ele roou os mamilos com o polegar, at quase faz-la gritar de prazer.
Mac beijou-a repetidas vezes e ento enveredou pela sua garganta, traando uma trilha de pequenos beijos, lambendo sua pele quente at que ela no pde mais se conter
e arqueou o corpo, oferecendo-se por inteiro a ele. Mac curvou-se e tomou o bico do seio em sua boca quente e mida.
- Voc  perfeita - sussurrou ele, erguendo o rosto para beij-la novamente. - Quero voc toda, querida.
Jane procurou os olhos de Mac e pde ver o desejo e o desespero que tomavam conta dele. Ela sentia o mesmo e queria que ele soubesse. Queria que ele fizesse amor
com ela, que a penetrasse bem fundo e l permanecesse at que ambos se entregassem ao cansao, exaustos e saciados. Queria senti-lo dentro de si. Pertencer a ele.
Sem interromper a conexo entre eles, Mac a trouxe consigo, at deit-la sobre uma das pranchas de exerccio e logo depois cobriu o corpo dela com o seu.
Mac diminuiu o ritmo de seus movimentos, levando todo o tempo do mundo para beij-la, acarici-la e roar o seu corpo no dela. O corpo de Jane latejava de desejo.
Tudo o que ela queria era sentir aquele homem dentro dela.
Ele levou a mo at o zper da cala de Jane, quando foram interrompidos por uma espcie de alarme.
Mac se deteve e ficou atento ao som at compreender de onde vinha. Ergueu-se ento, deixando-a completamente perdida.
- O que  isso? - perguntou ela.
- Meu celular. Deve ter acontecido alguma coisa na delegacia ou com Lizzie.
Ela ficou embaraada, sentindo-se subitamente exposta, mas Mac manteve os seus olhos presos aos dela, assegurando-lhe, sem palavras, que no havia com o que se preocupar.
Ele lhe deu a mo e a ajudou a levantar.
- Foi bom que isso tenha acontecido.
Ela no concordava.
- Nem me lembrei de pegar uma camisinha.
Jane abotoou a blusa.
- Isto  loucura - disse ele, recriminando-se. - Eu estava fora de mim. Voc seria capaz de me perdoar?
- Cale a boca, Mac.
Ele ergueu a cabea bruscamente.
- O qu?
- No se atreva a me pedir desculpas. Eu sou uma mulher adulta, completamente capaz de tomar minhas prprias decises. - Virou-se ento de costas para que ele no
visse a angstia que tomava conta dela. - Voc no tem que conferir aquela chamada?
- Jane?
- V embora, Mac - disse ela.
- Voc est bem?
Jane sentiu vontade de gritar.  claro que no estava bem. Nada estava bem desde que havia perdido a memria, mas por um breve instante, naquela manh, havia ousado
acreditar que tudo se resolveria e que ela poderia ser feliz com Mac.
- Estou bem.
Mac pegou o celular e olhou o nmero no visor.
-  da delegacia.
- Ento ligue para l.
Ele olhou para ela, pensando em como a vida deles poderia ter mudado para sempre naquela manh.
- Eu sint...
- No complete a frase, Mac. Estou avisando.
Sem conseguir conter um sorriso, Mac ligou para a delegacia.
Jane saiu em disparada da garagem. Estava profundamente abalada e precisava de um pouco de ar.
Mac tomou uma ducha e se vestiu rapidamente. Ele precisava chegar o mais rpido possvel na delegacia e ainda tinha que falar com Jane, embora no estivesse muito
disposto a passar mais tempo com ela naquela manh. Onde estava com a cabea? Quase haviam feito amor na garagem como um casal de adolescentes apaixonados com os
hormnios  flor da pele.
No era do seu feitio perder o controle daquela maneira. Ele costumava se orgulhar do seu discernimento e da sua disciplina. J estava h muito tempo sozinho, repetia
para si mesmo.
Mac achou que conseguiria lidar melhor com ela sob o mesmo teto. Afinal, teriam Lizzie como companhia. O pensamento de que precisava de companhia por perto o deixou
desconcertado. Para onde tinha ido toda a sua fora de vontade?
Ele teve vontade de voar no pescoo da sua irmzinha, ao pensar nas suas tramias para aproximar os dois. Lizzie nunca havia passado tanto tempo fora de casa como
ento.
Lizzie no sabia que estava brincando com fogo. Mac j  havia se queimado uma vez e no era suficientemente estpido para se jogar no meio das chamas novamente.
A notcia de que a irm passaria quase uma semana com Caitlin o deixou preocupado.
- Os bebs chegam quando bem entendem, Mac - havia explicado sua irm. - No posso fazer nada se esse decidiu chegar mais cedo. Voc sabe que eu prometi a ela que
estaria l.
Ele sabia, mas no havia previsto passar tanto tempo completamente sozinho com Jane. No podia culpar Lizzie, mas tambm no precisava gostar da idia.
Havia prometido a si mesmo que manteria uma distncia segura de Jane, embora no fosse nada fcil, j que passava parte do seu dia com ela por conta de seus deveres
como xerife e as noites tambm, em sua casa. No havia sentido em comear um relacionamento com uma mulher que s estava ali temporariamente.
Ao v-la pela manh, porm, to linda e radiante com suas roupas novas e as jias que havia lhe dado, algo eclodira dentro dele. Uma urgncia e uma possessividade
incontrolveis. Ele s queria uma nica coisa. Jane.
O que teria acontecido se o seu celular no tivesse tocado quela hora? Sabia que a ltima coisa de que Jane precisava era de mais caos e incerteza. Mac nunca esqueceria
aquele olhar magoado dela quando ele conseguiu recuperar o bom senso. Droga, ele tambm estava muito decepcionado, mas jamais conseguiria convencer Jane. A situao
era delicada, mas tinha que encar-la e contar a ela as ltimas notcias que havia recebido da equipe da delegacia.
- Jane - chamou ele, percorrendo todos os cmodos da casa, sem resposta.
Mac deu um suspiro e continuou procurando. Cinco minutos depois, estava em seu carro de patrulha. Seu corao batia loucamente em seu peito enquanto tentava imaginar
onde ela poderia estar. Ser que algum tinha vindo procurar por ela? Ser que algum lhe havia feito algum mal?
No era do feitio dela sair assim to abruptamente sem avisar. Mac saiu percorrendo todas as ruas de Winchester na esperana de encontrar aquela loira deslumbrante
com um humor de co.
Quando finalmente a encontrou, teve de se conter e aplacar seu prprio temperamento, permitindo a si mesmo um breve momento de alvio. Ela estava na rua principal
da cidade, conversando, ou melhor, rindo, com Lyle Brody, que estava de folga. Eles estavam em frente ao mercado e Lyle estava com uma sacola nos braos.
Mac estacionou o carro a alguns metros de distncia e ficou esperando. Como nenhum dos dois olhou na sua direo, contou at dez para se acalmar e ento saiu do
carro.
Ficou de p, encostado no carro, com os braos cruzados e esperou.
Ele no sabia se Jane realmente no o tinha visto, ou se o estava apenas evitando. Depois de contar mais uma vez at dez, ele se aproximou, tentando parecer casual.
- Bom dia - disse ele a Lyle.
Ambos pareceram surpresos ao v-lo, o que s aumentou a sua irritao. O que havia de to interessante naquela conversa a ponto de faz-los esquecer do resto do
mundo?
- Ol, xerife - disse Lyle, aprumando-se e tirando o sorriso do rosto. - Veja s quem encontrei, Jane eu estvamos...
- Estou aqui para tratar de assuntos oficiais. Prenso falar com Jane - interrompeu Mac.
- Com certeza. Vou guardar as minhas compras.
Lyle sorriu para Jane. - Foi bom v-la novamente.
- O prazer foi meu, Lyle. Lembre-se do que lhe disse.
Lyle lanou um olhar para Mac, fazendo com que ele novamente se indagasse sobre o teor daquela conversa.
- Pode deixar. A gente se v.
Jane cruzou os braos e o olhou de forma beligerante.
- Isso foi muito rude.
- Rude  sair de casa sem dizer aonde vai.
- Eu sa para dar uma volta, Mac. S isso. Nenhum grande mistrio.
Mac sabia que ela estava mentindo. Ambos tinham ficado perturbados com o que havia acontecido entre eles pela manh, na garagem.
- Deixe um bilhete da prxima vez. Ainda sou responsvel por voc.
Jane balanou a cabea.
- Oua...
- Tenho novidades sobre seu caso - disse ele, evitando o que certamente seria uma nova discusso. - Venha comigo.
- Novidades? A meu respeito?
Jane ergueu as sobrancelhas e seus olhos azuis brilharam de esperana. Mac estava torcendo para que ela fosse capaz de se lembrar de alguma coisa quando chegasse
ao local do crime. Parte dele queria que Jane recuperasse a memria e deixasse Winchester, enquanto a outra sofria com a idia da sua partida.
- Vamos - disse Mac, indo em direo ao seu carro de patrulha. - Eles esto esperando. Vou levar voc para uma estrada fora da cidade.
-  aqui - disse Mac, estacionando o carro na margem do Lago Cascade. - Parece que chegamos bem na hora.
Jane olhou ao redor, com os nervos em frangalhos por conta de tudo o que havia acontecido naquela manh. Ela poderia estar prestes a obter uma pista da sua verdadeira
identidade e, embora Mac a tivesse advertido para no criar muitas expectativas, no estava conseguindo conter a ansiedade.
-  lindo - disse ela, olhando para o lago. A gua profunda e azul refletia o sol do Colorado. rvores altas e floridas se alinhavam ao longo da margem enquanto
os ltimos vestgios da neve do inverno escorriam pelo glorioso Pico Pike, ao fundo.
- Este  um lugar histrico - explicou Mac. - Foi um dos primeiros assentamentos do Oeste.
O rudo de maquinaria pesada acabou com o encanto, fazendo com que ambos se voltassem na sua direo.
- Parece um Mustang vermelho.
Havia uma equipe de policiais locais em torno do carro que estava sendo iado do lago. Mac e Jane saram do carro de patrulha.
-Tudo o que voc precisa fazer  dar uma olhada. Ver se isto a lembra de algo. A possibilidade  remota, mas  o que temos, por enquanto. Encontramos outros dois
carros por aqui sem nenhuma identificao, registro ou placa, mas j conseguimos encontrar um dos proprietrios.
- Os carros foram roubados?
- Sim. Temos uma idia de quem possa estar fazendo isso, mas ainda no temos provas.
- Quer dizer que voc acha que algum pode ter roubado o carro que eu estava dirigindo?
Mac deu de ombros.
-  uma possibilidade. Vamos nos aproximar para v-lo melhor.
Jane olhou longamente para o Mustang encharcado e sujo e depois balanou a cabea.
- No me lembro de nada, Mac. Acho que nunca vi esse carro antes.
Pressionando levemente as suas costas, Mac props:
- Olhe l dentro.
Jane o fez, mas no encontrou nenhum sinal que pudesse dar alguma pista. Ela balanou a cabea novamente.
- Ainda resta a mala. Havia alguns ingredientes e uma receita na mala de um dos carros que encontramos. Foi assim que conseguimos localizar o proprietrio. Eles
vo dragar o carro e checar a mala na delegacia.
- Quando esses carros foram encontrados? - perguntou ela.
- Este ms. O pessoal da investigao acha que se trata de uma gangue de adolescentes arruaceiros. Mas vamos peg-los.  s questo de tempo.
Jane olhou para o carro mais uma vez, sem ver nem sentir o que havia esperado.
- No acredito que esse carro seja meu, Mac.
-  provvel que no, mas s vamos ter certeza quando abrirmos a mala. Podemos descartar o outro carro que encontramos, j que apareceu por aqui bem antes de voc
chegar.
- E agora?
- Espere um instante. Tenho que falar com o sargento Meeker.
- Certo.
Jane olhou para o lago, respirando o ar puro e frio, desfrutando mais uma vez do belo cenrio, tentando fazer com que aquela serenidade aliviasse sua tenso. Aquele
lugar era especial. As flores selvagens nas cores azul, rosa, amarelo e roxo formavam um arranjo colorido em volta da gua. Ela caminhou um pouco ao longo da margem,
pensando que gostaria de voltar um dia, quando sua vida no estivesse to tumultuada. Jane?
Mac estava atrs dela, encarando-a com aqueles olhos escuros e expressivos.
- Quer caminhar um pouco?
Ela concordou.
Eles comearam a passear ao longo da margem, imersos em seus prprios pensamentos. Ao chegarem num grande agrupamento de pedras que os impediu de prosseguir, ele
disse:
- Vamos sentar um pouco - disse Mac.
Eles encontraram uma pedra longa e chata e se sentaram um ao lado do outro.
- Tenho boas lembranas deste lugar - disse ele baixinho. - Costumava vir aqui para atirar pedras na gua quando bem pequenininho. Foi aqui tambm que eu dei meu
primeiro beijo, aos doze anos.
Jane riu.
- Doze? Que menino precoce!
- Eu me enrolei todo e quase camos de cara no lago. Eu estava muito nervoso.
- Mas determinado.
- Sempre.
- Ela virou sua namorada depois disso?
- Imagina! Ela me deu o fora no dia seguinte - disse Mac rindo. - Acho que no posso recrimin-la.
Jane ficou imaginando Mac ainda rapazote, comprido e magricela, tentando impressionar a menina. Ele certamente havia aprimorado suas habilidades desde ento. Jane
o havia achado apaixonado, carinhoso e muito cuidadoso naquela manh. Duvidava que algum homem fosse capaz de despertar seu desejo novamente daquela maneira.
Mac olhou-a nos olhos.
- Sobre esta manh, Jane...
Ela ergueu uma mo.
- No.
- No quero pedir desculpas - disse ele rapidamente - mas quero assumir a responsabilidade pelo que aconteceu. Eu devia ter me controlado. Aquilo foi bem mais do
que um beijo inocente e ns dois sabemos onde acabaria.
Mac tinha razo. Se no fosse por aquele celular, eles teriam feito amor, bem ali, na prancha de exerci-nos e quem sabe onde mais, tamanha a intensidade do que estava
acontecendo entre eles.
- Mas no pode acontecer, Jane. Voc no conhece sua verdadeira situao e, at que descubra...
- A vida nunca d garantia de nada, Mac.
- Eu sei - disse ele com um longo e profundo suspiro. - J me envolvi uma vez com uma mulher que no sabia ao certo quem era. Ns estaramos nos enganando se achssemos
que a sua vida, a sua verdadeira vida, no iria prevalecer sobre qualquer outra coisa que possamos vir a ter.
- Sei que diz a verdade, Mac, mas s tenho como saber o que sinto agora.
Mac deu um largo sorriso e o seu corao saltou novamente dentro do peito.
- Tambm sei o que estou sentindo.
- E o que ? - perguntou Jane com o corao batendo com fora.
Ele hesitou por alguns segundos e ento disse com toda sinceridade.
- Eu quero voc.
Jane sentiu um calor subindo pelo seu corpo e pensou que, ao menos por enquanto, deveria se conformar com a declarao. Ela no iria pression-lo. Mas estava tentando
ser racional e responsvel.
- J sei sobre a sua ex-esposa, Mac. Lizzie me contou.
Ele fez uma careta.
- No fique zangado. Ela s quer sua felicidade.
- Ela  um porre.
Jane riu e o som ecoou contra a muralha de rvores ao redor do lago.
- Ela  um amor.
Mac lhe concedeu um meio sorriso.
- Tambm. - E ento, depois de soltar longamente o ar, acrescentou: - Lizzie vai viajar no domingo. Eu no tinha planejado isso quando a convidei para a nossa casa.
Se voc no quiser ficar sozinha comigo...
- Voc quer que eu v embora? - perguntou Jane, direta e objetiva. Ela no queria abusar da hospitalidade de Mac. Se ele achava que a sua partida poderia facilitar
as coisas, talvez realmente devesse ir embora.
- No - afirmou Mac imediatamente. - S estava perguntando por sua causa, no pela minha.
- Posso passar mais tempo fora de casa, se for deix-lo mais  vontade. Lizzie me ajudou a conseguir um trabalho no Touched with Love. Eu vou trabalhar como voluntria
na livraria todos os dias. - Jane tinha acabado de fechar o acordo. Ela mal podia esperar para comear. - Rory me assegurou que o trabalho no vai interferir na
investigao. Vou poder estar disponvel sempre que voc precisar.
- Lizzie conseguiu isso para voc?
Ela concordou com um gesto.
- Sim, ela  muito prxima de Rory Holcomb. Parece que os seus netos foram alunos dela. Alm disso, a livraria fica perto de casa. Posso ir e voltar a p.
Mac hesitou.
- No to perto assim, Jane. Acho melhor voc no trabalhar  noite.
- Quer dizer que voc me quer de noite em casa. Sozinha, com voc?
Mac apertou os lbios e ento balanou a cabea com resignao.
- Est bem, me convenceu. Mas irei apanh-la quando trabalhar  noite.
- Combinado. Mal posso esperar para comear - disse Jane com um suspiro de felicidade. -  a nica coisa positiva que tenho em vista.
- Foi para l que voc foi esta manh?
- Sim. Tinha ouvido dizer que a livraria era muito charmosa. Queria conhecer Rory pessoalmente.
- Mas esqueceu de me avisar. Voc me deixou louco de preocupao.
Jane virou o rosto para olh-lo nos olhos.
- Voc ficou preocupado?
Mac coou a cabea e se ergueu abruptamente, negando-se a responder.
- Tenho que voltar ao trabalho.
Jane caminhou com ele at o carro, debatendo com os seus prprios pensamentos. Ela havia achado que Mac ficara com raiva por ela ter sado sem a sua permisso. No
tinha pensado que ele poderia ter ficado preocupado. Ele parecia se importar mais com ela do que ela havia percebido.
Os acontecimentos da manh havia lhe dado a certeza de que Mac a queria, mas Jane tinha achado que se tratava de uma questo puramente sexual. Ela no tinha aventurado
a hiptese de ele realmente gostar dela da maneira ntima e pessoal com que um homem gosta de uma mulher.
Jane apressou o passo e chegou ao carro antes de Mac. Entrou, bateu a porta e ficou olhando para frente. Ela estava com muito medo de acreditar que Mac realmente
gostava dela, mas seu corao estava em chamas com idia.
A coisa mais prudente a fazer, no momento, era manter-se distante. O trabalho na livraria a manteria afastada de Mac durante boa parte do dia.
No era s ele que poderia sair machucado daquela brincadeira.
No estado vulnervel em que estava, Jane certamente se quebraria em mil pedaos se algo imprevisto acontecesse.


CAPTULO SETE

Na manh seguinte, Jane entrou na Touched with a loja de livros usados de Rory, e se sentiu imensamente  vontade. Aspirou o odor almiscarado das pginas amareladas
dos volumes, j tantas vezes viradas por mos amorosas e o cheiro do couro, dispostos em semicrculo num dos cantos da loja. A "caverna da leitura" como Rory carinhosamente
a chamava, era um lugar onde crianas e idosos se reuniam para ler. As tardes eram dedicadas s crianas que se amontoavam nos sofs para ouvir Rory ler seus contos
prediletos.  noite havia um grupo formado pelas mulheres de Winchester, um grupo de estudos de Histria e um grupo ecltico que pesquisava a paranormalidade.
Jane teve a ntida sensao de que combinava com aquele lugar. Nem mesmo as canes country que tocavam o dia inteiro na livraria poderiam abalar tranqilidade.
Ela acabou aprendendo a gostar de Toby & Marli na, Kenny & Shania, e Georges & Tim. No havia lido escolha morando com os Riggs. Aquele ritmo cadenciado e os cantores
de voz anasalada haviam invadido a sua alma. Ela se flagrava freqentemente marcando o ritmo das msicas com o p.
No incio, havia ficado um pouco atnita ao percorrer as estaes e ouvir a sua prpria descrio, mas acabou se acostumando. "A jovem loira de olhos azuis, vtima
de amnsia, encontrada na fronteira da nossa cidade. Se algum tiver alguma informao a respeito da Jane Doe de Winchester, favor entrar em contato com Mac Riggs,
o xerife do Municpio de Winchester."
- Bom dia - disse Rory. - Voc chegou cedo.
- Ol, Rory. Eu estava ansiosa para comear.
- S vamos abrir oficialmente daqui a uma hora. Eu ia tomar um caf e comer uma rosquinha que a Marieta acabou de assar. Voc me acompanha?
- Adoraria.
Duas xcaras de caf e uma rosquinha depois, Jane comeou a trabalhar. Ela organizou a pilha de livros de suspense, arrumando-os em ordem alfabtica, no sem antes
ler as informaes das capas e dar uma olhada nas primeiras pginas de cada um. Aquele universo todo lhe parecia muito familiar, mas ela no tinha nenhuma lembrana
ou pista do motivo.
O dia passou voando. Depois do almoo, Rory procedeu  hora da leitura das crianas e a apresentou como sua nova companheira. Ele havia agrupado as crianas em pares,
de modo que uma pudesse ajudar a outra com as palavras mais difceis. Algumas vezes, Jane lia uma histria para as crianas, noutras, eram elas que liam para ela.
- Voc no est com fome?
- Um pouco - respondeu Jane automaticamente, com os olhos grudados num livro de suspense que ainda no havia guardado na prateleira.
Jane ergueu a cabea e encontrou Mac ao seu lado, observando-a com interesse.
- Oh, ol - disse ela de maneira pouco convincente, desconcertada com sua presena. Aquele cheiro de loo ps-barba misturada com a prpria essncia de Mac permaneceram
com ela mesmo depois que ele se afastou. - O que est fazendo aqui?
- J so quase oito horas. Rory j foi h muito tempo. Jimmy est se preparando para fechar.
- Oh - disse Jane, lembrando-se de que j havia se despedido de Rory fazia algum tempo. - Perdi a noo da hora.
Mac pegou o livro de suas mos para olhar o ttulo.
- Bom?
- No consegui larg-lo.
- Estou morrendo de fome - disse ele. - Vamos comer alguma coisa.
Surpresa, Jane o seguiu at a caixa registradora.
- Voc ainda no comeu?
- No - disse ele, pagando pelo livro que ela estava lendo e entregando-o a ela com um sorriso.
- Por que no? - perguntou Jane.
Ele deu de ombros enquanto caminhava para a porta da frente.
- Cheguei em casa tarde. Como voc no estava, resolvi passar aqui para peg-la.
Jane finalmente olhou para o livro em suas mos. Aconselhou a si mesma a no supervalorizar as pequenas gentilezas de Mac, mas aqueles gestos vindos de um xerife
determinado e obstinado faziam sua cabea girar.
Ela concluiu que Mac havia se sentido obrigado a peg-la na livraria por causa do avanado da hora. Odiava ser uma complicao na vida dele, mas acreditava que havia
algo alm em jogo. Ela tinha gostado muito do seu dia na livraria, mas nada se comparava a estar com ele.
- Vou preparar o jantar quando voltarmos para... casa.
- No precisa. Vamos comer fora. No melhor lugar da cidade.
Jane olhou para suas roupas.
Ela sabia que passaria o dia na livraria, abaixando-se o tempo todo para pegar os livros do cho, sem ningum para ajudar, por isso havia vestido apenas uma cala
jeans e uma blusa simples.
- Acha que devo passar em casa para me trocar?
Mac sorriu e pousou uma mo em sua cintura, insistindo para que ela seguisse com ele para o carro.
- De jeito nenhum. Sua roupa est perfeita.
- Pois ainda digo que voc  muito fresca, Jane. Ela estava sentada na parte de trs do jipe de Mac,no estacionamento do Colorado Chuck, balanando os ps e comendo
um Aspenburguer com picles e tomate. Mac havia optado por um Pike's Peak, um hambrguer gigantesco com chilli, queijo, cebolas e sabia Deus mais o qu. Definitivamente
perigoso.
- No sou fresca, sou  esperta. Espero que voc tenha um bom anticido em casa.
- Tenho um estmago de ao - disse ele, dando uma enorme mordida no sanduche.
No s o estmago, pensou Jane, Ela j o tinha visto sem camisa e lembrava muito bem do seu peito musculoso e do seu abdmen tonificado.
- Voc vai precisar contar mesmo com isso. Se o hambrguer no o matar, as batatas fritas certamente o faro.
- Ah, mas seria uma morte gloriosa - retrucou ele, abocanhando uma delas com gosto.
Jane sorriu, beliscando sua comida enquanto Mac devorava a dele.
- Voc sabe mesmo como tratar uma dama - provocou ela.
- Voc ainda no viu nada - replicou ele, deixando claro que no havia ficado ofendido. -  uma parva. Voc no sabe o que est perdendo.
- Quem sabe na prxima, quero dizer, se voltarmos aqui, algum dia.
Mac se deteve com o sanduche a meio caminho de sua boca e olhou para ela diretamente. Eles mantiveram os olhares um no outro por um longo momento. Ele suspirou
profundamente. Jane engoliu em seco e deu uma mordida em seu sanduche.
- Voc sabe quantas cidadezinhas e aldeias existem na Itlia? - disse Mac, terminando de comer e amassando o seu guardanapo. - Centenas.
- Uau! - disse Jane, feliz por ele ter mudado de assunto. Ela no queria pensar em deixar Winchester, ou Mac, to cedo, mas estava ansiosa por recuperar a memria
e descobrir a seu respeito.
- Quer dizer ento que no tivemos sorte com o querido sapateiro da cidadezinha italiana?
- , mas no vamos desistir. Acha que conseguiria se lembrar do nome dele?
Jane terminou o seu hambrguer, deixando as batatas fritas intocadas e arrematou com um milk-shake de morango.
- No. Sinto muito. Pensei nisso o dia inteiro. Cheguei at a sonhar com saltos agulha e couro preto, mas nada me veio  cabea.
Mac quase engasgou com o seu milk-shake.
- Nossa, Jane. Acho que agora quem vai sonhar com saltos agulha e couro preto esta noite sou eu.
Jane ameaou bater em seu brao, mas o calor do seu olhar a deteve. Ele no estava brincando. O desejo que ardia naqueles olhos escuros aqueceu o corpo de Jane rapidamente.
Bastou um nico olhar apaixonado do xerife para acabar com toda a calma e moderao de Jane.
A lembrana da sensao dos lbios dele sobre os seus, das suas mos acariciando-a e do seu corpo sobre o dela naquela prancha de exerccios na vspera invadiu a
sua mente, causando uma pontada de dor cm seu corao. Ela pegou as caixas de papelo em que viera a comida e seguiu direto para o cesto de lixo a fim de jog-las
fora. Ao voltar, viu Mac conversando com uma mulher. Uma bela jovem com um corpo cheio de curvas e uma mo possessiva sobre o seu brao. Ela no havia perdido tempo
em se aproximar de Mac assim que Jane se afastara.
- Ol, sou Jane - disse ela estendendo a mo.
A mulher pegou a sua mo e a cumprimentou com um olhar curioso.
- Prazer, Lola. Sou uma... amiga de Mac. Jane sorriu.
- Ento somos duas.
Mac observou-as em silncio.
- Mac e eu nos conhecemos h muito tempo - disse Lola, sorrindo para ele. - No  verdade, xerife?
Ele deu de ombros, terminando o seu milk-shake.
- Acho que sim. Nascemos e nos criamos aqui em Winchester.
- Vocs foram namoradinhos de escola? - perguntou Jane, embora no estivesse gostando nada daquela conversa. Estava com cimes, mas no queria ser um peso para Mac
e impedir que ele tivesse uma vida social. A mulher riu.
- Mais ou menos, no , Mac? - disse ela inclinando a cabea para que seus longos e brilhantes cabelos cassem sobre seus ombros.
- Isso j faz muito tempo, Lola. - Mac deu um passo para trs e abriu a porta do seu carro.
- Bem, no queria interromper - disse a mulher, olhando para ele com olhos brilhantes e interessados.
Jane conhecia aquele olhar. As mulheres sempre sabem quando uma delas est flertando com um homem, mesmo que ele seja tonto demais para perceber.
- Foi bom v-lo novamente, Mac. No suma.
Mac fez um meneio de cabea e entrou no carro.
- Cuide-se, Lola.
Jane sentou-se sem falar mais nada e fechou os olhos, atnita com o prprio comportamento rude.
- Estou atrapalhando sua vida social.
Mac conduziu o carro para fora do estacionamento do Colorado Chuck. Ambos permaneceram em silncio at a entrada de casa. Jane fez meno de sair do carro, mas ele
a interrompeu.
- Jane.
Ela se virou para ele com os olhos cheios d' gua. Ela no sabia dizer ao certo o que estava sentindo, mas tinha certeza de que no queria que Lola, nem nenhuma
outra mulher se aproximasse de Mac daquela maneira. Jane no tinha nenhum direito sobre ele. Ele era livre e desimpedido para sair com quem bem entendesse, exceto
com ela. Isso j havia ficado bem claro, mas a apario dele na livraria havia acabado com todo e qualquer bom senso da parte de Jane.
- Mac, no tente me convencer de que minha estada aqui no mudou a sua vida.
- Droga, Jane. Voc no est me impedindo de nada.
- Voc s est sendo delicado - falou ela suavemente.
Mac saiu tempestuosamente do carro, batendo a porta.
- No sou delicado - disse ele, pronunciando as palavras de maneira mecnica.
Jane tambm saiu do carro e subiu com ele as escadas at a porta da frente.
- Est bem, voc no  delicado. Nunca achei realmente que fosse. Sente-se melhor agora? - perguntou ela, sorrindo.
Mac se deteve, apertando os lbios e piscando.
- Verdade?
Ela balanou a cabea com tanta fora que o seu cabelo chicoteou a sua bochecha.
Mac passou a mo lentamente pelo rosto. Ela temeu que ele estivesse profundamente contrariado, mas assim que pde ver novamente seu rosto, percebeu que os cantos
de sua boca haviam se erguido e que ele estava rindo.
- O que vou fazer com voc?
Ela riu junto com ele, feliz por ter melhorado o seu humor. Num impulso, depositou um beijo em sua bochecha.
- Converse comigo.
Mac ergueu a sobrancelha.
- Sobre qu?
- Sobre Lola e sobre eu no estar interferindo na sua vida.
Ela o ultrapassou e se plantou na sua frente, impedindo sua passagem.
Mac olhou-a nos olhos por um momento para ento baixar o seu olhar at os braos que ela havia cruzado sobre o peito. Ela continuou firme, no querendo se deixar
intimidar, apesar da intensidade e do calor do olhar de Mac. Ele foi at a janela e fitou a escurido da noite.
- Lola e eu somos apenas amigos, Jane. Samos algumas vezes, depois do meu divrcio, mas no passou disso.
- Ela no  casada?
Mac virou-se para ela.
- No, ela enlouqueceria qualquer um, mas se voc contar a algum que eu disse isso, eu negarei at a morte.
Jane riu com gosto, satisfeita por Mac no achar a morena irresistvel.
- Por qu?
- No importa. J falei demais.
- E as outras mulheres, Mac? Voc no est saindo com ningum. No tem namorada. Acho difcil de acreditar, j que  to...
- To difcil de lidar? - finalizou ele, antes que ela pudesse concluir a frase. -Turro, talvez? Excessivamente dedicado ao meu trabalho? Assinale a resposta certa.
- Eu ia dizer atraente.
Mac sentou-se no lado oposto do sof e olhou para ela com um brilho em seus olhos.
- Agora  voc quem est sendo delicada. A verdade  que saio ocasionalmente com algumas mulheres, mas no d em nada. No estou em busca de nada permanente. No
quero mais saber de casamento.
Que desperdcio, pensou Jane. Mac tinha qualidades demais para desistir de compartilhar a sua vida com algum.
-  uma pena - disse ela em voz alta.
- Estou satisfeito com minha vida, Jane. Por que todas as mulheres  minha volta sentem tanta necessidade de me convencer a fazer o que no quero? Voc acha que
est atrapalhando a minha vida social, mas a verdade  que eu no tenho uma, portanto chega.
- Quer dizer que voc realmente no queria ficar com Lola hoje  noite?
- Estou aqui com voc, no estou?
Jane se deu por vencida.
- Bem, acho que j tenho a resposta. Pode me dizer qual a escola de charme que o senhor freqentou, Mac Riggs?
- O qu?
Ela se levantou e sorriu para ele.
- Nada no, Mac. Acho que j est na hora de ir para cama.
Ela foi at ele para dar boa-noite, mais encantada do que devia. Mac havia sido honesto com ela. Havia compartilhado uma parte da sua vida com ela. Havia tentado
se explicar para ela, da melhor maneira possvel.
- No se preocupe com nada alm de recuperar a memria - disse ele, tocando a ponta de seu nariz.
Dessa vez foi ela quem o beijou em cheio nos lbios, surpreendendo a si mesma e a Mac. Ele murmurou alguma coisa, mas no se afastou. Em vez disso, passou seus braos
em torno dela, sem apert-la, deixando que ela se mantivesse no comando.
Jane soube que estava em apuros assim que seus lbios voltaram a encontrar os dele. Como tinha desejado sentir novamente aqueles lbios aquecendo os dela e o calor
do corpo dele contra o seu!
-  verdade, voc no  delicado.  bem mais. Ela abriu os lbios e suas lnguas se encontraram. Mac apertou-a com mais fora contra o seu corpo, de modo que ela
pudesse sentir o seu corao batendo em sincronia com o dela.
- s vezes voc me surpreende, Jane - sussurrou ele contra a sua boca.
- Eu surpreendo a mim mesma - sussurrou ela de volta.
Lizzie irrompeu no recinto bem na hora em que seus lbios voltaram a se tocar, detendo-se assim que os viu.
- Oh, sinto muito!
Jane afastou-se imediatamente dele. O rubor coloria suas faces. Lizzie estava radiante.
- Para falar a verdade, no sinto muito. J estava mais do que na hora!
- Lizzie! - exclamou Mac, repreendendo-a. - Precisamos ter uma conversinha.
- Agora no, querido irmo. Estou toda enrolada. Vou amanh bem cedinho para Raleigh.
- Muito bem, ento conversaremos a caminho do aeroporto. A que horas sai o vo?
Lizzie atirou um sorriso cmplice para Jane.
- J tenho carona para o aeroporto, Mac. Jane arranjou tudo.
Mac ficou curioso.
- Como assim?
Ela sorriu de volta para Lizzie, ignorando o olhar intenso de Mac.
- Jane? - insistiu Mac, indo at ela para olh-la de frente. - O que voc fez?
- Nada de mais - disse ela tentando diminuir a importncia do fato.
J impaciente com as evasivas, ele voltou-se novamente para a irm.
- Quem vai lev-la ao aeroporto?
Com um o queixo erguido, Lizzie pronunciou o nome que poderia deixar Mac furioso. Lyle Brody.
Alguns dias j haviam se passado. Jane estava guardando os ltimos livros infantis na prateleira. Jimmy estava s voltas com a caixa registradora.
- Acabei - disse ele.
Jane gostava muito dele. Ele fazia muito sucesso com as garotas, mas era sempre muito educado e trabalhava com afinco.
- Seu av o adorava.
- Eu tambm.
Ambos seguiram para a porta da frente.
- Tem certeza de que no quer uma carona?
- Tenho. Obrigada. O xerife Riggs vem me pegar - disse Jane olhando para a rua escura  procura do jipe de Mac ou de seu carro de patrulha. Ela estranhou que ele
no estivesse esperando por ela. Mac nunca se atrasava. - Pode ir tranqilo, Jimmy. Eu estou bem.
Jimmy franziu as sobrancelhas e balanou a cabea, mas Jane finalmente o convenceu a ir. Ela ainda esperou uns cinco minutos por Mac, mas ao ver que ele no chegava,
decidiu seguir a p para casa. O dia havia finalmente refrescado e ela tinha muito no que pensar enquanto andava.
Mac estava dando um gelo nela desde a noite anterior. Ele no tinha gostado nada da sua interferncia na vida de Lizzie. Ela nunca esqueceria o olhar que ele lhe
deu depois que Lizzie foi embora.
- Isto no  da sua conta, Jane - disse ele severamente. - Voc no sabe nada dessa histria - acrescentou ele. - Voc no tem o direito de se meter na minha vida.
Ela tentou se defender, mas Mac no quis ouvir mais nada.
Mac nunca a havia feito sentir como uma intrusa, mas depois dos ltimos acontecimentos, ela concluiu que ele estava querendo que ela fosse embora. Talvez devesse
considerar o convite do Dr. Quarles; afinal, no havia como prever quanto tempo ela ainda demoraria para recuperar a sua memria.
Jane no havia se lembrado de mais nada depois do episdio das botas. O investimento feito na mdia tambm no dera nenhum resultado. Houve um rapaz que apareceu
dizendo que era seu noivo, mas as investigaes constataram que ele no tinha nenhum envolvimento com ela e que tinha iniciado trs relacionamentos pela Internet,
sem muito sucesso, atravs de uma agncia especializada. Jane teve pena dele, mas ficou aliviada por descobrir que no era sua amiga. O nico homem com quem ela
queria realmente j estava atrasado. Ao dobrar a esquina da Elkwood, ela ouviu o ronco familiar de um motor.
Mac diminuiu a velocidade e se aproximou dela. Baixou o vidro e o sorriso preparado no rosto de Jane desapareceu imediatamente.
- Entre no carro, Jane - foi tudo o que ele disse, com a cara fechada.
Jane entrou rapidamente. Percebendo algo errado, ela voltou-se imediatamente para ele. Seu rosto estava sangrando e machucado e ele estava com uma mo sobre o peito.
Jane tremeu de medo.
- Mac, voc est ferido.
Ele seguiu conduzindo o carro, fazendo uma careta de dor.
- Alguns idiotas tentaram roubar o Sullly. Tive que entrar l e dar um jeito neles.
Jane ficou atordoada. Ela s conseguia pensar na extenso dos ferimentos de Mac. Ele no tirou a mo do peito em nenhum momento. O sangue escorria do corte em seu
rosto.
- Onde eles o atingiram?
- Acho que trinquei umas costelas e levei alguns cortes e arranhes, s isso.
- S? - Jane ficou aflita ao ver que ele estava sentindo dor. - Voc precisa ir para o hospital, Mac.
- De jeito nenhum. Estou bem.
- Voc no parece nada bem - disse ela elevando o tom de voz. - Parece que foi atropelado por um caminho.
- Puxa, muito obrigado.
- No estou brincando, Mac. Quantos eram? Que tipo de loja tem o Sully, afinal?
- Uns seis. Um bar e restaurante - respondeu ele rapidamente.
Jane teve medo de que ele tivesse quebrado as costelas e no apenas trincado.
- E vocs estavam em quantos?
- Apenas dois at conseguirmos reforo.
O corao de Jane disparou. Ela nunca havia parado para pensar no quanto a profisso de Mac era perigosa. Winchester era uma cidade pequena e pacata. V-lo sofrer
assim, porm, mal conseguindo dirigir, mostrou a ela a exata dimenso do trabalho de Mac. Como qualquer outro homem a servio da lei, ele punha a sua vida em risco
diariamente. Jane notou que a manga da sua camisa estava enrolada.
- Parece que voc fez um curativo no brao. O que aconteceu?
-  s um corte.
- Um corte? Algum atacou voc com uma faca? Ele concordou com um gesto.
- Assalto  mo armada. Os paramdicos j cuidaram disso.
Jane ficou ainda mais ansiosa. Mac poderia ter sido morto esta noite. Aquele pensamento quase acabou com ela. Seus sentimentos por Mac estavam se revelando bem mais
profundos do que havia imaginava.
- Por que no o levaram para o hospital?
Mac deu de ombros enquanto chegavam em casa. Ela ento que ela compreendeu. Os paramdicos o teriam levado ao hospital se ele tivesse permitido. Em vez disso, porm,
ele havia decidido passar com o carro de patrulha pela Elkwood Street e apanh-la. Ele desligou o motor e saiu do carro. Jane saiu rapidamente para ajud-lo.
- Apie-se em mim, - disse ela com firmeza, segurando seu peso.
Ele apertou os lbios, pensativo, e ento finalmente assentiu ao ver o olhar obstinado de Jane.
Eles seguiram lentamente at a porta da frente Mac lhe estendeu as chaves e se virou de lado para que conseguissem passar juntos pela abertura da porta. Jane levou-o
at o seu quarto e o ajudou a se sentar na cama. Ele se deteve por um momento, respirando profundamente.
- Sua cabea est rodando? - perguntou ela.
Ele riu ironicamente.
- E como. Eu tinha sonhado com diversas maneiras de traz-la para o meu quarto, mas esta, com certeza, no foi uma delas.
Jane sorriu, deleitada com a sua confisso.
- Deite-se, xerife Riggs.
Ele obedeceu, fechando os olhos ao baixar a cabea e esticar as longas pernas sobre a cama. Jane colocou um travesseiro para apoiar as suas costas e depois se ergueu,
olhando para ele.
- Esta tambm no  exatamente a maneira com sonhei em entrar aqui.
Ele abriu um dos olhos e olhou para ela. Jane no tentou nenhum subterfgio para amenizar o que haviam acabado de dizer. Ela no deixaria que o embarao tomasse
conta dela; afinal, a verdade precisava ser dita.
- Fique bem quietinho a. Sua testa est sangrando novamente. Volto j.
Ela saiu do quarto, ao som do gemido de Mac. Porm, no pela dor, mas sim por causa do seu comentrio. Ao menos finalmente Mac sabia como ela se sentia em relao
a ele. Nada mais de duplos sentidos ou enganos. Jane o desejava, era verdade, mas, ao v-lo, to vulnervel, havia percebido que o seu sentimento por ele era ainda
mais profundo. Perd-lo seria como perder a si mesma.
Jane Doe estava completamente apaixonada pelo xerife Mac Riggs.
Ela precisou de um minuto para botar seus sentimentos em ordem e aceitar o inevitvel.
Soltando um profundo suspiro, Jane pegou a caixa de primeiros-socorros no banheiro e voltou para o quarto de Mac. Ele estava deitado exatamente como ela o havia
deixado, encarando-a com os olhos arregalados.
Ela foi at ele e, muito cuidadosamente, limpou o corte acima do seu olho com um anti-sptico.
- Desculpe, isto deve arder.
Ele grunhiu uma negativa.
- Acho que voc pode ter quebrado as costelas.
- No. J quebrei uma costela na poca em que era o atacante do Wildcats. Conheo a diferena. Jane sabia que ele deveria estar desconfortvel.
- Voc consegue tirar suas roupas ou precisa de ajuda?
Mac deu um sorriso maroto.
- Voc tira.
Jane bufou.
- Isto no  nada engraado, Mac! Voc me deixou morta de medo! No foi nada excitante ver voc todo machucado e sangrando, cado sobre o volante. Quase tive um
ataque do corao.
- Desculpe, Jane. - Ele pegou a sua mo e acariciou a sua palma com o polegar, deixando-a completamente arrepiada. - Winchester  uma cidade pacata. No h muitos
acontecimentos deste tipo por aqui. - Ele ento se encolheu, apertando os olhos com fora e ela pde perceber o esforo que ele estava fazendo para suportar a dor.
- Junho, porm, foi um ms atpico. Primeiro uma linda vtima de amnsia surge do nada e depois um bando de arruaceiros resolveu criar problemas.
- No se esquea das gangues que jogam carros no fundo do lago.
-  verdade. Mas o meu trabalho  bastante corriqueiro na maioria das vezes. Voc no tinha dito alguma coisa sobre tirar a minha roupa?
- Tirando vantagem da situao, xerife? - disse ela sorrindo.
- S preciso de um pouco de cuidado e carinho, Jane. - Ele roou os seus lbios na palma da mo de Jane e com a voz um pouco mais baixa, acrescentou. - Do seu cuidado
e do seu carinho.
Aquele beijo tirou Jane do prumo.
Os lbios dele se infiltraram na sua pele. Relutantemente, ela puxou a mo para comear a abrir os botes da camisa do seu uniforme. Ela abriu um a um, cuidadosamente,
e ento, gentilmente, fez com que a camisa deslizasse pelos seus ombros. Jane teve de conter sua prpria reao ao ver de perto os ferimentos no seu peito e o curativo
em seu brao. Jane mergulhou uma toalhinha numa bacia d'gua e passou sobre a sua pele quente, acariciando delicadamente o peito. Num impulso, ela se curvou e depositou
um minsculo beijo num dos machucados mais extensos. Mac ergueu o brao sadio e acariciou a sua cabea, afundando os dedos em seu cabelo. Puxou ento a cabea dela
mais para cima e a curvou para frente, mostrando a Jane o que queria. Seus lbios se encontraram rapidamente. Um beijo suave, mas que fez o seu corao dar cambalhotas
dentro do peito.
Mac sorriu.
- Voc  muito boa nisso.
Jane se afastou e foi at a outra ponta da cama. Olhou desencorajada para as botas dele e ento, decidida, puxou e torceu o calado, at conseguir tir-la com meia
e tudo.
- Nem to boa assim - disse ela.
- No estou reclamando.
A outra bota saiu com mais facilidade. Jane voltou ento  cabeceira, e contemplou Mac por um tempo, ele, com o peito nu, vulnervel e sexy ao mesmo tempo.
- Acha que consegue tirar as calas sozinho? - perguntou ela, contendo a respirao.
Mac tentou se curvar para frente, mas se retraiu, soltando um uivo de dor. Ele pousou a cabea no travesseiro.
- Acho que no.
- Se  assim... - disse Jane, estendendo a mo para alcanar o seu cinto. Ela o desafivelou e ento levou suas mos at o zper. Era impossvel no perceber os sinais
evidentes da excitao de Mac. - Mac, eu pensei que voc estivesse ferido.
Ele respondeu com um sorriso diablico.
- No da cintura para baixo.
Jane se preparou para recomear. Ele completou:
- No me responsabilizo pelos meus atos se voc tocar a.
Jane engoliu em seco.
- Isso  um aviso ou um convite?
- Ambos - disse Mac. O brilho provocador em seus olhos havia desaparecido. Em seu lugar havia um calor que aqueceu todo o corpo dela. -  loucura continuar negando
aquilo que ns dois queremos.
Mac tambm parecia ter aberto mo de todos os seus subterfgios.
- Eu sei - sussurrou ela.
Jane sabia que nunca mais negaria coisa alguma a Mac.
E abriu o zper.


CAPTULO OITO

Mac tinha ficado furioso com ela por conta do arranjo que ela havia feito com Lizzie. Ele no queria que ningum, principalmente ela, interferisse no seu relacionamento
com a irm. Jane havia acabado de chegar a Winchester e no conhecia sua histria. No sabia como ele havia sofrido tentando salvar seu casamento. No sabia o quanto
Lyle Brody havia interferido em sua vida, tentando interceder pela irm, causando ainda mais conflitos entre eles.
Ao se ver ferido, porm, depois de atingido por um bandido no episdio no restaurante de Sully, depois que a lamina da faca quase ter acertado o seu peito, perfurando
finalmente seu brao e no na sua barriga como queria seu agressor, tudo no que ele conseguira pensar foi em Jane.
Queria chegar at ela. V-la. Desej-la.
Mac j havia perdido tempo demais. O perigo pelo qual havia passado o fez perdo-la sem restries. Ele esqueceu a raiva e s conseguiu pensar em ficar bem.
Jane abriu o seu zper lentamente, revelando aos poucos a evidncia indisfarvel dos sentimentos de Mac. Seu desejo e excitao eram intensos, e s Jane poderia
satisfaz-los.
Ele a observou tirar suas calas sem muita dificuldade. Jane segurou-as de maneira protetora contra o prprio peito, olhando provocantemente para ele.
- Como gostaria de poder tirar sua roupa - confessou ele com voz suave.
Jane sorriu. Seus lbios se afastaram num movimento sutil. Ela deixou as calas de Mac carem a seus ps e tirou a sua camiseta regata.
Mac respirou fundo.
- Uau - murmurou ele, olhando para o colar aninhado entre os seus seios que absorvia a luz da lua. Ela usava a jia que ele havia lhe dado todos os dias e isto provocava
nele um misto de orgulho e posse.
Ela se curvou sobre ele e disse:
- Voc pode abrir o colchete para mim.
Mac passou a mos por trs dela para abrir o suti. A pea de algodo branco caiu por entre os seus dedos. Os seios saltaram para fora, cheios e fartos, e ele gemeu.
- Voc est me matando, Jane.
- No era bem que eu tinha em mente, Mac. Ela ento se curvou novamente para beij-lo, mas dessa vez ele a enlaou pela cintura e a puxou para a cama, fazendo-a
montar em suas coxas, com uma perna de cada lado dele. Ele queria senti-la. Precisava do contato da sua pele com a dele, por isso puxou-a para baixo at que seios
pousassem sobre seu peito.
Os lbios dele encontraram os dela com urgncia, selando o destino deles num beijo longo, quente e molhado que se prolongou indefinidamente. Ele se insinuou por
dentro da boca de Jane em busca de intimidade. Suas lnguas se entrelaaram, provocando mutuamente numa brincadeira febril. Mac acariciou os seus cabelos loiros.
A sensao dos seios dela contra o seu peito, os sons suaves e sutis que ela fazia e a desinibida paixo com que ela se entregava era quase demais para Mac. Ele
j estava no estgio mximo de sua excitao.
Ela se afastou dele lentamente, com a respirao to ofegante quanto a dele.
- Estou pressionando o seu peito. Deve estar doendo.
Mac balanou a cabea.
- S di quando voc se afasta.
Jane mordeu o lbio, insegura.
- Estou falando srio, minha querida. Voc no est me machucando.
Jane voltou para perto dele e Mac percebeu que no havia nada melhor, nem mais certo em toda a sua vida, do que aquilo.
Ele a beijou profundamente e ento a ergueu com naturalidade pela cintura, trazendo-a mais para cima de modo que pudesse umedecer o bico do seu seio com a lngua.
- Oh, Mac - gemeu ela quando ele tomou o seu seio na mo e continuou a brincar com a sua lngua por cima e ao redor de seus mamilos rosados at eles se enrijecerem.
Os gemidos de Jane quase o fizeram perder o controle.
- Quero possuir voc. Agora - disse ele arfando, com a voz sfrega de desejo.
Um pouco atrapalhado, ele tentou abrir o zper da cala dela. Jane o ajudou e ele quase perdeu o controle novamente quando a viu livrar-se do jeans. Ela ento o
ajudou a tirar a cueca e, com uma leve toro de corpo, tirou a ltima pea que cobria seu prprio corpo.
- Procure no criado-mudo, querida. Precisamos de proteo.
Mac rezou para que ainda houvesse uma camisinha l, afinal, j fazia tanto tempo... Mac suspirou ao v-la com uma camisinha na mo, ajeitando-a rapidamente no devido
lugar.
Ele a segurou pela cintura e guiou o seu corpo, at posicion-la sobre a sua ereo latejante e faz-la descer, engolindo-o por completo num nico e fluido movimento.
Jane fechou os olhos ao senti-lo dentro de si, abriu seus lbios e jogou a cabea para trs, saboreando intensamente o momento. Mac nunca havia visto algo to bonito
em toda a sua vida. Ele foi invadido por sensaes profundas que at ento desconhecia ao ver aquela mulher sensual e misteriosa mover-se lentamente sobre ele, deixando
que seus instintos naturais a guiassem, para cima e para baixo, em resposta as suas investidas.
Jane comeou a arfar e Mac passou a se mover cada vez mais vigorosamente  medida que a excitao de ambos aumentava.
Ele acariciou os seios dela, roando o polegar nas aurolas at ela gritar o nome dele em puro deleite. O olhar intenso no rosto de Jane enquanto ela o cavalgava
provocou uma nova onda de intenso prazer em Mac. Para cima e para baixo, cada vez mais rpido. Ele tomou as mos de Jane nas suas e entrelaou os seus dedos aos
dela, na nsia de se conectar a ela de vrias as maneiras possveis.
Ela comeou a tremer, repetindo o nome dele em gemidos e splicas, levando-o  loucura.
- Oh. Mac.
Ele mergulhou nela mais uma vez, profunda e intensamente, e ento ambos se renderam a um prazer forte e violento. Mac permaneceu imvel, completamente sem ar.
Exaustos e saciados, eles permaneceram em silncio por algum tempo, apenas olhando nos olhos um do outro.
Mac ento a beijou profundamente.
- Valeu a pena esperar.
Jane deslizou para o lado e se enroscou nele, com os braos ao redor do seu pescoo.
- Acho que eu nunca...
Mac ergueu a cabea para olhar para ela.
- Nunca?
Ela sorriu timidamente.
- No, quis dizer que acho que nunca foi to bom assim antes.
Ele respirou fundo.
- Voc no pode ter certeza.
- Acho que posso sim, Mac.
Uma mulher devia saber dessas coisas, pensou ele. Havia tanta coisa que eles no sabiam sobre Jane. Tanta cosia que ele queria saber, mas tinha medo de descobrir.
Ele no cansava de repetir para si mesmo que a memria dela poderia voltar a qualquer momento, mas j era tarde demais para tentar proteger seu corao. Ele no
conseguia pensar racionalmente quando se tratava de Jane. No mais. No depois daquela noite.
Pela primeira vez na vida, Mac se arriscou a acreditar que o destino poderia estar a seu favor. Ele havia decidido correr o risco por ela.

O bacon e os ovos estavam fritando na frigideira. Jane olhou pela janela da cozinha ainda em estado de graa, com as lembranas da noite anterior ainda muito vivas
e presentes em seu corpo. Ele ainda estava dormindo profundamente quando ela o deixou para que ele pudesse ter o descanso de que precisava. Jane tinha ficado alarmada
ao v-lo ferido e mal pde conter o alvio ao perceber que ele no corria perigo de morte. Mal pde conter, na verdade, o amor que via crescer dentro do seu peito.
Ela estava experimentando emoes completamente novas. Seu corao estava transbordando alegria. Ela queria se entregar aquele sentimento sem reservas, mas parte
dela se conteve, ao pensar em como Mac reagiria ao acontecido.
Ele havia decidido no se envolver emocionalmente com ela. Tinha sido sempre responsvel e racional, enfrentando os fatos de frente. S porque ela no sabia nada
sobre o seu passado no queria dizer que ela no tinha um.
Jane estava rezando para que Mac no acordasse e dissesse que havia cometido um erro, quando ele surgiu por detrs dela, enlaando sua cintura e puxando-a para si.
Ela se reclinou sobre o seu corpo, pousando a rabeca sobre seu pescoo.
- Bom dia - disse ele, fungando no seu pescoo com os lbios quentes e convidativos.
- Oh, Mac - disse ela baixinho, deleitada por passar os braos dele em torno de si novamente. -  mesmo um lindo dia, no ?
- O melhor de todos - disse ele suavemente passeando, a mo pelas suas costelas com sensualidade.
O bacon estalou na frigideira e o cheiro a fez lembrar do caf da manh que estava preparando para Mac. Ela se virou, ainda em seus braos, para olh-lo de frente.
As manchas azuladas pareciam mais acentuadas sob a luz do dia e os ferimentos mais pronunciados, mas seus olhos, presos aos dela, eram calorosos e afetuosos. Ela
passou o dedo suavemente sobre um dos ferimentos, bem acima de sua tmpora.
- Como voc est?
- Maravilhosamente bem, querida.
- Verdade? Achei que voc ia acordar todo dolorido depois da noite passada. Como est o peito? Posso fazer alguma coisa pa...
Ele inclinou a cabea e a beijou, dando fim a todas as palavras. Ela se entregou quele beijo com total abandono, incapaz de pensar em qualquer outra coisa. Ela
gostava do modo como Mac a tomava para si, sua boca, seu corpo, provocando nela as fantasia mais ousadas.
Ele suspirou e passou a mo sobre o maxilar.
- Senti sua falta na cama esta manh.
- Queria preparar seu caf. Voc precisa comer direito, Mac, especialmente depois da noite passada.
Ele a olhou cheio de malcia.
- Pois acho que me sa muito bem. Foi voc quem no quis uma segunda...
- Mac! - Jane estava boquiaberta. No pde acreditar que ele estava falando to franca e abertamente sobre a sua noite de amor. - Eu estava falando dos seus ferimentos.
Mac riu e se virou para apagar o fogo.
- Fico muito feliz com sua ateno, mas vou ter que deixar o caf para outra vez. Estou atrasado. Ainda tenho que fazer os relatrios.
Jane tentou disfarar a decepo. Ela esperava que ele no fosse trabalhar hoje.
- Est bem...
- Voc est... bem? - perguntou ele. - Quero dizer, a respeito do que aconteceu ontem?
Jane no tinha por que fingir. Sabia que ele estava se referindo ao fato de terem passado a noite juntos.
- Foi maravilhoso, Mac.
- Foi mesmo - disse ele, suspirando mais uma vez. - Vai  livraria hoje?
- Era o que estava planejando.
- Acha que pode tirar a tarde de folga?
- Claro. Quer que eu o ajude na investigao?
Mac balanou a cabea.
- No. Vou fazer o relatrio e depois pego voc para termos uma tarde de folga. H uma coisa... um lugar que quero mostrar a voc. Voc vem?
- Que pergunta! Eu adoraria!
- timo. Pego voc mais tarde, na livraria. Ah, ponha roupas confortveis. Nada muito chique. E no use aquelas botas.

- Isso tudo  seu? - perguntou Jane, olhando para a extenso de terra em torno do belo rancho. Eles estavam a 30 quilmetros da cidade, numa extensa rea verde e
plana. O Pico Pike podia ser visto  distncia.
- Cerca de 20 acres. - Ela no pde deixar de notar o orgulho contido em sua voz. - Este lugar estava em runas quando comprei.
- H quanto tempo? - perguntou ela, lisonjeada por ele querer compartilhar sua privacidade com ela.
- Cerca de oito anos. Trabalhei na casa no meu tempo livre.
Jane concluiu que ele havia comeado a investir na propriedade depois do divrcio, na tentativa, provavelmente, de reconstruir alguma coisa depois do fracasso de
seu casamento. Aquilo devia ter funcionado como uma espcie de terapia.
Mac lhe mostrou o interior da casa. Aquele era definitivamente seu refgio.
- Ainda tenho muita coisa para fazer aqui, mas.,
- Nada de mas, Mac - disse Jane, admirando lareira de pedra, o teto de toras de madeira e as janelas amplas da sacada, que proporcionavam uma bela vista do prado.
- Isto  incrvel!
Ele sorriu.
- Fico feliz que tenha gostado.
- E como podia no gostar?
- Voc poderia achar um pouco... rstico demais.
- Adorei. Quando voc tem tempo de vir aqui?
- Nos fins de semana, quando no estou trabalhando, e nas frias. De vez em quando d para passar a noite aqui tambm. Duke e Daisy Mae no podem passar muito tempo
sozinhos.
Jane ergueu as sobrancelhas sem entender.
- So meus cavalos. Duke  meu. Eu comprei a Daisy Mae para a Lizzie. Ela vem de vez em quando quer cavalgar comigo. A filha do vizinho os alimenta e passeia com
eles quando no posso vir. Voc sabe como .
Jane pensou por um momento, sem muita certeza.
- Acho que no, mas estou disposta a aprender. Mac sorriu, emocionada, ela foi at ele.
- Estou muito feliz por voc ter me trazido aqui. Para fazer um passeio completo pela casa. - Ela passou os braos em torno do seu pescoo e o puxou para baixo.
Ele esperava que ela o beijasse, mas ela o surpreendeu sussurrando baixinho. - Um passeio que termine no seu quarto, Mac. Voc acha que os cavalos vo se importar
de esperar?
Mac puxou-a para mais perto de si. O corpo dela encaixando-se completamente ao dele, j rgido de desejo ele a beijou longamente, deixando-a quase sem ar.
- Podemos lhes dar cenouras extras.
Mac a despiu lentamente, levando todo o tempo do mundo para faz-lo. Tirou uma pea de cada vez,com movimentos calculados que a deixaram em brasa. Ele a tocou, acariciou
e beijou to deliberadamente e sem pressa que ela teve vontade de gritar.
- Seja paciente - disse ele de p, ao lado da grande cama de cedro. - Quero saber tudo sobre voc.
Jane estava de p na sua frente, vendo os raios do sol de fim de tarde incidirem sobre ele, envolvendo-o num misto de luz e sombras que evidenciava a linha forte
do seu maxilar e os seus olhos escuros e intensos. J totalmente despida, ela estendeu a mo para comear a desabotoar a camisa de Mac.
- Ainda no - disse ele, virando-a de costas. E a puxou para perto do seu corpo, pressionando as ndegas de Jane contra o seu sexo e colando as costas dela em seu
peito. Ele afastou o seu cabelo e fungou em seu pescoo, beijando-a levemente, enquanto segurava seu quadril com a outra mo, mantendo-a firmemente no lugar.
- Relaxe, Jane - sussurrou ele com uma voz sfrega.
Com o corao acelerado, ela sabia que seria impossvel. O contato de sua pele macia com o jeans as penas da cala de Mac e o roar constante do seu membro rgido
contra o seu corpo a estavam deixando completamente descontrolada.
Ela respirou fundo sentindo o seu perfume almiscarado.
- Mac - foi tudo o que ela conseguiu pronunciar.
Mac ergueu as mos para acariciar seus seios. Ela ansiava pelo toque. Ele os tomou suavemente em suas mos e sussurrou em seu ouvido: - Voc  perfeita, querida.
Jane se sentiu desfalecer. Apoiou-se nele, arqueando o corpo em total abandono. Mac gemeu e acariciou com mais fervor.
Suas mos passearam por todo o seu corpo, explodindo cada centmetro de sua pele com dedos geis. Ento, mantendo uma mo sobre a sua barriga ele deixou a outra
deslizar at embaixo. Jane sentiu um calor abrasador entre as suas coxas. Ela no pde mais se conter quando Mac finalmente deslizou sua mo sobre o seu sexo, gemendo
de alvio e de desejo, ansiando por mais. Mac beijou novamente seu pescoo enquanto continuava a acarici-la.
Ela comeou a mover instintivamente o seu corpo em resposta aos estmulos. Os dedos de Mac foram fazendo caminho at encontrar seu ponto mais sensvel, o ncleo
do seu desejo, provocando uma verdadeira descarga eltrica em seu corpo. Ela acelerou o ritmo dos seus movimentos, estimulada por suas carcias. A excitao crescia
cada vez mais e ela se deixou levar. Movia-se sem pensar, sem vergonha. Mac agia instigando-a com palavras doces e sensuais ao p do ouvido, que ela mais sentia
do que ouvia.
A excitao chegou ao seu ponto mximo. Jane foi tomada por uma onda de prazer to avassaladora que a fez fraquejar. A intensidade daquelas sensaes s perdia para
a intensidade de seu amor por Mac, cada vez mais arraigado em seu corao.
Ela se deixou cair em seus braos. Ele a segurou e esperou pacientemente at ela se recuperar.
Ela ouviu o farfalhar das folhas e o canto dos passarinhos, l fora, contrastando com o batimento do seu corao.
Mac permaneceu em silncio, dando-lhe o tempo que ela precisava. Ao sentir-se pronta, ela se voltou para ele.
- Quero que me possua agora - pediu ela, sussurrando as mesmas palavras que ele havia usado na noite anterior.
Mac sorriu enquanto fuava em seu bolso, tirando vrias camisinhas de l. Ele as jogou no criado-mudo. Jane olhou para elas e sorriu.
Ela se deitou na cama e esperou. Mac despiu-se na sua frente e depois se deitou ao seu lado.
- Quero saber tudo sobre voc - disse ela com ousadia, estendendo a mo para toc-lo.
Mac gemeu quando ela o tomou em sua mo.
- Sempre gostei de mulheres com sede de saber.
- Verdade? - Agora era a voz de Jane que estava sfrega. Ela comeou a acarici-lo lenta e intensamente. - Ento relaxe e aproveite a viagem, Mac, porque tenho muito
que aprender.


CAPTULO NOVE

Jane acariciou a crina de Daisy Mae.
- Ol, Daisy Mae. Voc  muito linda. A gua pareceu feliz por sair do estbulo e passear mi ar fresco da tarde.
- Cuidado - disse Mac. - Ela  mansa, mas ainda no a conhece.
Jane sorriu.
- Acho que vamos nos dar muito bem.
- Ela  um alazo quarto-de-milha. Eram usados para o trabalho no Velho Oeste, mas agora tm vida mansa.
Jane olhou para o cavalo negro ao lado de Mac que fuava para chamar a sua ateno.
- E Duke?
-  um quarto-de-milha tambm, castrado. - Mac acariciou o focinho do cavalo com ternura, do mesmo modo como havia feito com Jane, quando faziam amor. Havia um lado
muito gentil do xerife por baixo de sua aparncia rude. Ele era duro quando precisava ser, mas Jane tambm conhecia o seu lado meigo e as duas facetas a fascinavam
igualmente.
- Quer tentar? - perguntou Mac, apontando para as selas  sua direita.
- Claro. Contanto que a gente v bem devagar. Ele lhe deu um daqueles sorrisos de arrasar.
- Acho que sei como fazer.
Jane sentiu um calor subir pelo seu pescoo. Ela se lembrava muito bem de como ele sabia conduzir as coisas lentamente. Chegou a suspirar quando se lembrou do quanto
ele havia se controlado na noite anterior s para garantir o seu prazer.
- Ento est bem.
Mac selou os cavalos e lhe passou algumas instrues.
- Monte pelo lado esquerdo e mantenha as rdeas frouxas, mas com tenso suficiente para que ela saiba que  voc quem est no controle. Use esta parte do seu corpo
para se curvar e indicar a ela para que lado voc quer ir - disse ele passando a mo pela sua coxa e fazendo o corao dela acelerar. - Os cavalos compreendem muito
bem a linguagem corporal. Eles no se baseiam apenas nas rdeas.
Jane olhou no fundo de seus olhos escuros.
- Acho que entendi.
Mac a ajudou a montar e lhe estendeu as rdeas.
- No deixe que ela perceba que voc est preocupada. Monte com confiana. Vou estar logo atrs de voc. No vou deixar que nada de mal lhe acontea.
Jane respirou fundo. Aquela, provavelmente, era a primeira vez que montava num cavalo.
- Eu confio em voc, Mac.
Jane ficou impressionada ao ver como Mac parecia mais alto montado em Duke. Ele parecia um daqueles xerifes do Velho Oeste, pronto para capturar o vilo. Ela riu
para si mesma, mas ele percebeu.
- O que foi?
Ela balanou a cabea.
- Nada.  que voc realmente parece pertencer a este lugar, Mac - disse ela, beijando-o rapidamente.
Mac orientou o caminho e Daisy pareceu seguir Duke sem nenhuma ajuda de Jane. Ela relaxou e pouco tempo depois comeou a apreciar a vista, ouvindo os comentrios
de Mac a respeito da histria daquela lugar. Eles percorreram toda a propriedade at o sol comear a se pr.
Jane insistiu para que ele a deixasse ajud-lo a preparar os cavalos para dormir. Daisy Mae no pareceu se importar de se deixar escovar por Jane, apesar da insegurana
de principiante. Segundo Mac, aquilo servia para manter a sua pele limpa e os poros bem abertos. Ela seguiu todos os seus passos, limpando tambm os olhos e as narinas
de Daisy Mae.
- Estou impressionado - disse Mac ao entrar em casa.
- Mesmo? Jane fez um meneio de cabea.
- Lizzie odeia essa parte. Especialmente quando chega a hora de escovar o rabo de Daisy Mae.
Jane riu.
- Posso entender por qu.  meio perigoso l atrs.
Mac riu tambm, enlaando-a pela cintura. Ele cruzou as mos em suas costas, prendendo-a contra o seu corpo.
- Voc est imunda, Jane. Acho que precisa de uma boa ducha.
- Voc tambm, Mac.
- S tem um chuveiro aqui - disse ele com um brilho nos olhos.
-  tudo de que precisamos.
Eles j haviam tirado as roupas quando chegaram no banheiro. Mac entrou primeiro, ajustando a temperatura da gua.
- Pode entrar. Jane entrou no box e percebeu que o corpo grande e musculoso de Mac ocupava quase todo o espao. Ela engoliu em seco, olhando para ele, enquanto gua
escorria pelo seu corpo.
Mac pegou o sabonete e comeou a ensabo-la. Ele deslizou as mos cheias de espuma por todo o corpo dela. Jane foi tomada por um desejo animal, enquanto Mac a tocava
em todos os lugares, possessivamente.
De vez em quando ela continha a respirao para ento a soltar num suspiro de prazer. Mac massageou suas costas, deixando o sabonete perfumado deslizar pelo corpo.
Depois virou-a para si e deslizou a mo rapidamente pelos seus seios. Os toques rpidos e breves foram suficientes para faz-la gritar. Ele ento ensaboou a sua
barriga, e foi descendo cada vez mais para afastar as suas pernas e lavar a parte interna de suas coxas. De tanto em tanto ele a beijava, s vezes nos lbios e s
vezes nas prprias partes do seu corpo que estava lavando.
Quando terminou, Mac estendeu o sabonete, esperando que ela retribusse o favor.
Jane espalhou a espuma pelo peito imponente de Mac, at ele estar ricamente ensaboado. Deslizou as mos para cima e para baixo, enroscando seus dedos nos plos do
seu peito e roando seus mamilos at eles enrijecerem.
Mac estava visivelmente excitado, mas ela continuou ensaboando-o lentamente como ele havia feito. Ela ensaboou as coxas fortes e se curvou para alcanar as panturrilhas,
extraindo um gemido de Mac, logo se ergueu novamente para ensaboar a regio mais sensvel de todo o seu corpo.
Jane o virou de costas e massageou os seus ombros laivos. O cheiro ctrico impregnou o ambiente enquanto ela descia cada vez mais at alcanar as suas ndegas. Antes
que ela pudesse terminar, porm, Mae se virou abruptamente e disse:
- Eu no posso mais esperar, querida. Jane olhou rapidamente para baixo e teve de concordar. Mac tomou os seus lbios com urgncia, invadindo-a com sua lngua. O
beijo faminto conduziu a outras carcias e a uma urgncia cada vez maior. Ele ento a apoiou contra a parede do chuveiro. Fora do alcance do jato d'gua, ele a ergueu
e a penetrou, possuindo-a num nico e fluido movimento.
- Oh, Mac - gritou ela, agarrando os seus ombros e cruzando as pernas em torno dele.
- Isso, querida - disse ele enquanto continuava a ati-la com as mos em suas costas.
Com os olhos fechados e o corao acelerado, ela se entregou s sensaes excitantes provocadas pelo deslizar dos corpos, o calor e o vapor em torno deles. Jane
correspondeu a cada uma das investidas de Mac, esquecendo-se do resto do mundo, at que de repente se deteve e abriu os olhos.
- Mac, espere!
Ele a olhou com os olhos arregalados.
- O que foi?
- Esquecemos da camisinha - disse ela, quase sem flego. Mac hesitou por um momento, para eu to dar de ombros.
- No importa - disse ele. A implicao era clara. Ele no estava se referindo a nenhum problema de sade, mas  possibilidade de eles conceberem um filho. Ele no
parecia pensar nisso como um problema, o que fez com que Jane compreendesse que aquilo que estava acontecendo entre eles ia muito alm de um simples caso de vero.
- No mesmo? - reiterou ela, apenas para se certificar.
Mac balanou a cabea.
- No para mim - disse ele. - Eu quero que voc tenha conscincia disso, mas sei que voc no pretende correr o risco de se ver presa a algo maior do une ns dois.
Voc tem outra vida fora daqui, Jane, e tenho o dever de proteg-la.
Jane puxou-o para mais perto e aproximou a sua face da dele.
- Obrigada, Mac.
Mac a pegou no colo e a levou para o quarto. Eles uniram os seus corpos mais uma vez, terminando o que haviam comeado, porm mais lenta e docemente do que antes.
Mac acordou cedo na manh seguinte com Jane nos seus braos. O perfume de Jane penetrou em suas narinas enquanto o sol da manh penetrava no quarto, lanando raios
de luz sobre o seu cabelo cor de mel. Ele a apertou com fora contra si, aproximando mais ainda o seu corpo do dela. Ele nunca havia levado nenhuma mulher para o
rancho alm de Lizzie. Aquele era o seu refgio, a sua segunda casa.
Mac sorriu, pensando em Jane montada sobre o cavalo, dando o melhor de si, e mais tarde tentando escovar Daisy Mae. Ela realmente ficara feliz em aprender e vida
por participar. Mac no havia conhecido muitas mulheres como Jane Doe, a moa misteriosa de passado desconhecido.
Jane suspirou profundamente, virou-se em seus braos e abriu os seus belos olhos cor de alfazema.
- Oi.
- Bom dia - disse ele, beijando as covinhas no canto de sua boca. - Hoje  dia de trabalho, querida. Preciso ir andando.
- Hummm.
- Vou ver o que consigo para o caf. Deve ter um pouco de cereal e leite em p no depsito.
- No estou com fome, Mac.
- Nem eu. - Ele se jogou de costas sobre o colcho e ficou olhando para o teto, soltando um longo suspiro. Ele tinha algo para contar a Jane. Algo que j deveria
ter contado ontem.
- Qual o problema? - perguntou ela, acariciando suavemente seu brao machucado. Ele se virou para olh-la nos olhos e notou que ela estava preocupada. - Ns nos
excedemos ontem?  o seu peito? - perguntou ela, passando a mo pelo seu torso.
Ele cobriu a mo dela e entrelaou seus dedos nos dela.
- No, estou me sentindo bem melhor. S estou machucado.
- Ento o que ? - perguntou ela novamente, preocupada.
- Soube de algumas novidades sobre o seu caso ontem, quando passei na delegacia para fazer o relatrio. Parece que existem oito sapateiros que fazem botas sob encomenda
como as suas. Vou precisar de alguns dias para obter a lista dos fregueses. Aquelas botas custam por volta de 2 a 3 mil dlares o par.
Jane sentou-se na cama, apertando o lenol contra o corpo nu. Ela estava to bonita sentada ali com o olhar cheio de esperana que ele no conseguia tirar os olhos
dela. Ele a desejava como nunca havia desejado mulher alguma antes. Sabia que era seu dever como homem da lei descobrir quem ela era e lhe devolver sua vida antiga,
aquela que tinha antes que ele a encontrasse no Deerlick Cannyon. Mas Mac se incomodara com as novidades. Ele comeava a temer o dia em que Jane Doe descobriria
sua identidade.
- Quer dizer que um daqueles nomes pode ser o meu?
Mac concordou e ficou observando a sua reao.
Jane sorriu e pousou a cabea no travesseiro lentamente com os olhos brilhando de expectativa.
- Adoraria saber meu verdadeiro nome. Onde moro...
Ela apertou a mo dele.
- Imagine s, Mac. Em alguns dias, vou saber quem eu sou.
- Talvez. No quero que fique esperanosa demais. No at termos algo mais concreto. Foi por isso que eu no contei logo para voc... Mas agora... Temos que enfrentar
os fatos.
Jane soltou o lenol e se sentou sobre os joelhos, nua e linda.
- Que fatos?
Mac permaneceu em silncio, dividido entre o que era bom para Jane e a dor de pensar que ela poderia partir em breve.
- No vai mudar nada entre ns, Mac. No  possvel.
Ele jogou as cobertas para longe e saiu da cama.
- Tudo vai mudar, Jane. No podemos fazer de conta que no.
Ele pegou as suas roupas e comeou a se vestir.
- Eu no estava fazendo de conta... - disse ela antes de se levantar e pegar as prprias roupas.
Mac esperou at que ela terminasse de se vestir.
- Eu tambm no, Jane. Vamos esperar para ver o que acontece.
Ele passou o brao em torno dela para lhe transmitir segurana, embora ele mesmo ainda tivesse dvidas. Ele no devia ter se envolvido com ela. Ambos teriam de pagar
o preo pela sua imprudncia.
Jane pousou a cabea em seu peito. Ele a puxou para mais perto e seus corpos se tocaram intimamente com uma familiaridade que Mac s havia experimentado uma nica
vez na sua vida, com a sua antiga esposa. No havia nada que se comparasse  sensao de Jane em seus braos.
- Eu nunca achei que descobrir a minha verdadeira identidade pudesse ser doloroso.
- No ser, Jane. Eu prometo que no. Voc vai ficar muito feliz quando descobrir quem realmente .
Ela ergueu o queixo e pousou os olhos sobre ele.
- Tem certeza? Ele assentiu.
- Tenho.
- E voc?
- Eu? - perguntou ele, desviando o olhar. Ele no queria que ela visse o seu rosto quando ele estivesse contando a maior mentira de sua vida. - Tambm vou ficar
feliz, Jane.  por isso que temos trabalhado tanto, no ? Temos que ir agora. Pronta?
Jane olhou uma ltima vez para o rancho antes de responder.
- Estou. Vamos para casa.

- O que quer dizer com "estou me mudando"? - perguntou Mac a Lizzie.
- Exatamente o que disse. Eu encontrei um lugar e estou me mudando. J est mais do que na hora, querido irmo. No quer dizer que no o ame e que no reconheo
tudo o que fez por mim durante todos esses anos, mas j sou uma mulher adulta.
Jane ficou observando a cena se desenrolar da porta da sala. Ela no queria interferir. Na verdade, achava que nem deveria estar ouvindo, mas Lizzie havia pedido
que permanecesse para servir de anteparo quando ela contasse as novidades a Mac, e Jane no podia deixar de atender a um pedido de Lizzie.
- Sei muito bem que voc no  mais criana. O que isso tem a ver com o que estamos discutindo?
- Tem a ver com conquistar um pouco mais de independncia e de voc obter o espao de que precisa.
Ele abriu os braos, gesticulando exasperadamente.
- Essa casa  bastante grande. Tenho espao suficiente aqui!
- Ento talvez seja eu que no tenha o espao de que preciso - disse ela baixinho, olhando para Jane, que assentiu, encorajando-a.
- Encontrei um lugar a poucos quilmetros daqui. Estou planejando algumas reformas.
Mac olhou fixamente para ela e ento para Jane. Ele deu alguns passos com o rosto em fria e balanou a cabea diversas vezes, respirando com dificuldade.
Jane estava muito incomodada com aquele confronto. Os ltimos dias com Mac tinham sido gloriosos. Haviam entrado numa rotina domstica como qualquer outro casal
feliz. Mac saa para o trabalho e Jane passava o dia trabalhando como voluntria na livraria.  noite, ela voltava para casa e preparava o jantar. Depois de comer,
ambos passavam um bom tempo juntos, sentados no jardim, falando sobre amenidades at carem na cama e fazerem amor, algumas vezes calorosa e apaixonadamente, outras
vezes doce e languidamente. O nico seno de toda a histria era que nada ainda haviam descoberto sobre a identidade de Jane. Tinham conseguido localizar todas as
mulheres que haviam encomendado botas com os oito sapateiros italianos da lista original. Todas haviam sido checadas. Naquela noite, Mac trouxe-lhe uma dzia de
rosas, tentando contar as novidades da maneira mais suave possvel. Jane ficara profundamente decepcionada. Mac, porm, havia sido to doce e terno, abraando-a
e fazendo amor com ela durante a noite toda que ela acordou renovada no dia seguinte. Jane suspeitava que seu novo estado de nimo no se devia unicamente  esperana
de vir a descobrir sua verdadeira identidade.
- Droga! - esbravejou Mac, trazendo-a de volta para realidade. Ele jogou os braos no ar, completamente irritado. - Talvez Jane possa fazer voc recuperar o bom
senso.
Jane foi at ele e, com as mos sobre os seus braos, disse gentilmente:
- Tente ouvir o que ela tem a lhe dizer, Mac. Voc s fez gritar desde que ela comeou a tentar contar seus planos. - Jane virou-se ento para Lizzie e prosseguiu.
- Vocs dois tm que ouvir um ao outro.
Mac abriu a boca para fazer um comentrio, mas uma batida na porta o deteve. Ele foi ver quem era. Bom dia, xerife. Mac no foi muito receptivo.
- Brody! O que foi? Hoje  domingo. Problema na delegacia?
Ainda parado na porta, Lyle procurou pela casa at encontrar o olhar de Lizzie. Ele sorriu para ela. Mac voltou-se para a irm e viu que ela estava sorrindo de volta
para ele.
- Para falar a verdade, chefe, vim ver a Lizzie. Acho que esta no  uma boa...
Lizzie interveio, indo at a porta para se colocar bem ao lado do assistente de seu irmo.
- Oi, Lyle.
- Ol, Lizzie. Tem tempo para dar uma volta comigo?
Lizzie deu as costas para Mac e respondeu:
- Claro. Adoraria.
Mac voltou-se para Jane estupefato e bateu a porta depois que os dois saram.
- O que est acontecendo, afinal?
Jane pegou na mo dele e o conduziu at o sof.
- Sente-se aqui.
Ele olhou para ela com um ar desafiador, mas Jane o conhecia suficientemente bem para no o temer. Sabia que aquele mau humor era apenas fachada para encobrir seu
lado mais vulnervel. Ela se aproximou e lhe deu um beijinho, empurrando-o suavemente.
- Sente-se.
Ele cedeu e ela ento se sentou no seu colo, passando os braos em torno dele.
- As coisas esto mudando, Mac, e no h nada de errado.
- H, sim senhora.
- Lizzie no quer mago-lo. No torne as coisas mais difceis para ela. Ela o adora, Mac, mas j est na hora de seguir o prprio caminho.
- No me venha com aquela histria de "se voc a ama, deixe-a livre".
A gargalhada de Jane quebrou a tenso e ele teve que sorrir.
- Voc me conhece bem demais, Mac.
Ele no se moveu, mantendo a expresso mal humorada.
- O que ela foi fazer com ele, afinal?
- Ela gosta muito dele. E pelo jeito  recproco. Ela s quer sua bno. Nos dias de hoje e na idade dela, acho muito especial.
Mac suspirou profundamente e fechou os olhos.
- Ele no  a pessoa certa para Lizzie.
Jane sabia que tinha que ser cuidadosa. Mac era um homem orgulhoso que no gostava que ningum analisasse os seus procedimentos.
- Voc sempre esteve no controle da situao, Mac. Cuidou de Lizzie quando ela era pequena, acumulando as funes de pai e de irmo. Voc trabalhou muito e se tornou
um xerife altamente respeitado. Voc  bonito, forte e perfeito em praticamente todos os aspectos.
- No me vejo assim, Jane.
- Pois eu, sim.
Seus lbios se abriram num sorriso relutante.
- Verdade?
Ela fez um meneio de cabea.
- Verdade.
- Est tentando me levar para a cama, querida?
Jane soltou uma gargalhada inesperada.
- No fuja do assunto, Mac. Voc no quer que Lizzie se relacione com ele porque traz  sua mente um fracasso em sua vida. Lyle Brody com certeza o faz lembrar de
alguma coisa que voc no conseguiu consertar. Que no pde controlar. Voc no tem nada contra ele pessoalmente. Na verdade, acho que at gosta dele. O que realmente
o incomoda  o que ele representa.
Mac permaneceu sentado, ouvindo seu pequeno discurso, olhando para o vazio.
- Estou chegando perto? - perguntou ela.
Ele a tirou do seu colo, pousando-a suavemente sobre o sof, e se levantou para fit-la de frente. Com as mos sobre os quadris, ele olhou profundamente em seus
olhos, pensativo.
- No sei, Jane. Tenho que pensar um pouco sobre isso.
Jane tambm se levantou. Seu sorriso encorajador foi suficiente para Mac no momento. Ele no se lembrava de ter sido to feliz. Ela passou os braos em torno do
seu pescoo e o olhou de maneira franca e aberta.
- Estava falando srio quando disse tudo aquilo, Mac. Voc  um homem muito especial.
Mac tinha que encarar os fatos. Ele era louco por Jane. Ela era uma mulher especial. Tinha preenchido a sua vida e trazido uma nova alegria que ele nunca conhecera.
J estava na hora de assumir suas emoes e admitir os seus sentimentos.
- Jane, eu...
Uma forte batida na porta interrompeu sua confisso. Ele olhou na direo do som, suspirando profundamente.
- Lizzie deve ter esquecido a chave - disse ele. Sua irm sempre chegava na hora errada, mas ele no estava mais zangado com ela. Graas a Jane. - Talvez, ela se
mudar no seja mesmo de todo ruim - -disso ele caminhando at a porta. - Pelo menos aqui ficar mais tranqilo.
- Vou para a cozinha fazer um caf - disse Jane, sorrindo.
Mac percebeu que ela queria deix-los a ss para que pudessem conversar.
Mac abriu a porta, mas para sua surpresa, no era Lizzie, e sim um homem de cabelos negros, impecvel mente vestido, olhando-o diretamente nos olhos.
- Xerife Riggs?
Mac assentiu enquanto um temor inexplicvel invadia seu peito.
- Estou  procura de Bridget Elliot.


CAPTULO DEZ

Mac engoliu em seco. Seus instintos lhe diziam que havia chegado o momento. O ar confiante daquele homem, a maneira como olhava diretamente em seus olhos e a sua
boa aparncia no deixavam dvida. O mistrio em torno de Jane Doe havia chegado ao fim. O estranho entregou uma fotografia a Mac, onde aparecia abraado a Jane,
que sorria feliz para a cmera.
- O senhor reconhece a mulher da foto?  ela que est morando aqui? - perguntou ele.
- O senhor poderia me dizer quem  e como chegou at minha casa?
O estranho olhou para Mac com seriedade.
- Estou  procura de Bridget h 10 dias, xerife. Meus contatos me trouxeram aqui.
Mac no pde deixou de notar o tom suave que ele havia usado ao pronunciar o nome de Bridget. Bridget? Era esse o seu verdadeiro nome?
- Que tipo de contatos? Quem  voc? - perguntou Mac com firmeza.
- Meu nome  Bryan. Eu sou o ...
- O caf est pronto.
Mac avaliou a sua reao ao ouvir a voz de Jane. Seus olhos se arregalaram e ele tentou espiar dentro da casa.
- a voz dela - disse ele decidido. - Posso?
Ele deu um passo para dentro da casa.
Mac teve vontade de bloquear a sua passagem e mand-lo embora. Aquele homem tinha vindo levar Jane para casa.
Mac foi tomado por uma dor dilacerante. A conscincia de que a perderia para sempre estava acabando com ele. Uma rpida olhada para a mo esquerda dele o fez saber
que eles no eram casados. O que no era garantia de que no estavam profundamente envolvidos um com o outro. Talvez estivessem noivos. Todos os temores e apreenses
de Mac estavam se tornando realidade, acrescidos de uma nova emoo que ele odiava ter de admitir: cime. Um cime to profundo e selvagem que ele mal podia controlar.
Mac se forou a dar um passo para o lado e permitir que o homem entrasse, ficando lado a lado com ele.
- O caf est quente, Mac - disse Jane, saindo da cozinha com uma xcara de caf fervente na mo.
Ela olhou rapidamente para ele e ento voltou o seu olhar para o homem que havia dito chamar-se Bryan.
- Oi, Bryan. O que voc est fazen...
Jane se deteve com a xcara na mo e comeou a tremer. Ela pestanejou e Mac olhou para os seus olhos azuis-violeta e percebeu que todo o seu passado lhe estava sendo
revelado naquele momento. No havia dvidas de que sua memria tinha voltado. Ela pousou a xcara lentamente e ento sorriu para Bryan to calorosamente que Mac
ficou arrasado.
- Bryan!
Ela correu ao encontro de seus braos abertos. Bryan ergueu-a e rodopiou com ela pela sala.
- Oh, meu Deus - disse ela. - Meu Deus. Voc est aqui! Voc est mesmo aqui!
Bryan colocou-a no cho.
- Estou aqui, querida. Estive procurando voc este tempo todo. Voc nos pregou um susto enorme.
- Eu tive amnsia, Bryan. Mas tudo voltou  minha mente, assim que o vi. No posso acreditar. Eu me lembrei de tudo.
- timo, querida - disse Bryan, olhando-a atentamente como se quisesse se certificar de que ela estava realmente bem.
Aquele olhar possessivo abalou Mac.
- Estou to feliz por t-la encontrado - continuou Bryan. - O que aconteceu, afinal?
- Estou me lembrando de tudo agora - prosseguiu ela depois de uma breve pausa. - Eu peguei um vo para o Colorado h cerca de duas semanas, depois do casamento de
Cullen. Meu carro de aluguel quebrou, por isso comecei a caminhar pela estrada do cnion. Ca e bati coma cabea numa pedra. Deve ter sido a que perdi a memria.
Foi Mac quem me encontrou. Ele e a sua irm Lizzie me trouxeram para casa. - Ela olhou para Mac, radiante. - Oh, me desculpem. Desatei a falar e nem apresentei vocs.
Bryan, este  o xerife Mac Riggs; Mac, este  o meu primo, Bryan Elliot.
- Primo? - perguntou Mac sem pensar.
Atnito, ele apertou a mo que Bryan lhe oferecera, ainda confuso com os recentes acontecimentos, Mac sentiu um profundo alvio e, pela primeira vez, desde que aquele
homem aparecera em sua porta, ele respirou tranqilamente.
- Sim. Eu e Bryan somos primos. Temos uma famlia enorme em Nova York, Mac. Uma famlia enorme e louca. Mal posso esperar para lhe falar sobre eles.
Mac passou a mo pelo maxilar, com os lbios contrados, enquanto ouvia Jane, Bridget Elliot, lhe contar a respeito de sua vida. Ela sorria cada vez que as lembranas
surgiam em sua mente, contando-as para ele como se estivesse revivendo os momentos nobres os quais falava.
Mac maldisse sua m sorte. Bridget Elliot no passava de uma socialite rica de Nova York, cuja famlia tinha, nada mais, nada menos, que uma propriedade em Hamptons
e uma das editoras de revistas mais prestigiadas do mundo. Bridget era a editora fotgrafa da revista Charisma, uma revista de moda cujo pblico-alvo eram pessoas
de alto poder aquisitivo. Mac havia se envolvido com uma mulher para quem, sob outras circunstncias, jamais teria olhado duas vezes. Bridget Elliot era de um mundo
completamente diferente do seu.
Ele j havia tido um relacionamento fracassado com uma mulher com aspiraes mais altas do que a de viver com um xerife de uma cidade pequena. Bridget, ele nunca
ia se acostumar com esse nome, parecia pertencer  mesma categoria. Ela podia at se parecer com Jane Doe, falar como ela, mas no havia como confundir uma com a
outra. Bridget Elliot tinha dinheiro para fazer o que bem entendesse. Sua famlia provavelmente poderia comprar todo o municpio de Winchester num piscar de olhos.
- Bryan  dono de um restaurante muito badalado chamado Une Nuit. Eu mal posso esperar para lev-lo at l, Mac.
Mac teve de se conter.
- Bridget - disse ele, usando o seu verdadeiro nome pela primeira vez. - Seu primo Bryan pode ter um restaurante, mas ele  bem mais do que aparenta ser.
- O que est querendo dizer?
- Sua famlia  rica e poderosa, mas ningum conseguiu encontrar voc, s ele. Quis saber como ele havia chegado at aqui, mas ele no quis falar sobre os seus mtodos.
Oua o que lhe diz um homem da lei experiente: seu primo no  exatamente o que parece ser.
- Ah, no seja bobo, Mac. Ele s gosta de fazer certo mistrio de vez em quando.
- Essa  uma maneira de descrev-lo - disse Mac.
Bridget, porm, estava vida para continuar falando.
- Eu j sei por que foi que voc no conseguiu me ligar ao sapateiro que fez as minhas botas. O pobre Carmello di Vincenza, um gnio na arte de fazer sapatos, morreu
h dois anos. Minhas botas foram o ltimo par que ele fez. No  de admirar que eu tenha tanto apego por elas. Ele nasceu, viveu, trabalhou e morreu naquela pequena
aldeia ao sul de Florena chamada Micello. Eu fui at l para produzir algumas fotos para a Charisma. Ele insistiu em criar uma bota especialmente para mim.
- Quer dizer ento que voc j virou meio mundo exercendo essa funo que eu no sei exatamente qual  para essa revista? - Mac reclinou-se no sof, feliz por estar
novamente sozinho com ela. Lizzie ainda estava fora com Lyle e Bryan havia ido embora alguns minutos atrs para lhe dar um tempo para pr os seus pensamentos em
ordem. Ele,  claro, no disse onde iria ficar. Disse apenas que voltaria em breve.
- Nem sempre. Trabalho num dos escritrios da editora Elliot, mas de vez em quando vou at uma locao para fazer algumas fotos. Adoro a Europa. A Itlia  o meu
pas predileto.
- Ento  voc quem tem o dinheiro do Donald Trump! - disse Mac, sem conseguir esconder o tom spero de sua voz. Bridget no podia fazer nada quanto a quem era,
mas ele no era obrigado a gostar.
Ela olhou diretamente para ele.
- Mac, sei o que est pensando, mas no sou uma menininha rica mimada. Na verdade, desprezo todas as coisas que minha famlia representa. Foi por isso que eu vim
a Winchester. Minha famlia est cheia de segredos.
- E qual a famlia que no os tem?
- Mas os segredos da minha famlia so vrios e muito graves. Eu tenho um plano de expor todos eles e desmascarar meu av. Estou escrevendo um livro que no vai
deixar pedra sobre pedra.
Mac balanou a cabea. Aquela no era mais a sua Jane Doe e sim uma mulher cnica que s queria saber de vingana e retaliao.
- Parece que voc vai magoar muita gente com essa histria.
- Preciso abrir o jogo, Mac. A mdia come na mo do meu av. Ele conseguiu apagar os rastros durante todos estes anos. Algum tem que det-lo. Ele precisa ter o
que merece.
- E voc acha que um livro vai resolver todos esses problemas? - Mac se levantou e olhou-a diretamente nos olhos. - Voc vai magoar pessoas inocentes.
- Mas ele j magoou muitas pessoas inocentes, Mac. Vim para c porque recebi uma pista annima de que a filha da minha tia Fiona poderia estar vivendo aqui em Winchester.
Meu av obrigou minha tia a entreg-la para a adoo quando ela foi me aos 15 unos de idade. Isso praticamente a destruiu. A revista Charisma  tudo o que ela tem
na vida, Mac.
- Foi por isso que voc veio para c?
Ela se ergueu para encar-lo.
- Esta foi a nica razo. Eu vim aqui para unir a minha tia Fin  sua filha.
- Mas isso no  da sua conta, Bridget. - Mac no conseguia se acostumar com aquele nome. Soava falso em sua boca. Era como se ele no estivesse conversando com
a mesma mulher que havia passado a ser tudo em sua vida. - Voc no tem que se intrometer nisso.
-  da minha conta sim. Lutar contra o meu av e revelar a verdade sobre ele foi o que eu me determinei a fazer h seis meses, e o livro foi o meio que encontrei
para faz-lo. Se encontrar a menina, no s farei minha tia feliz como tambm mostrarei ao meu av que ele no pode mais manipular as nossas vidas, tia Fin sofreu
tempo demais. Sua filha deve estar com 23 anos agora.
Mac teve um estalo. Ser que Bridget estava falando da filha do seu amigo Trevis? Jessie tinha exatamente essa idade e havia sido adotada ainda beb, filha de uma
me adolescente. Trevis no falava mais muito sobre o assunto. Havia se apaixonado pela filha assim que pusera os olhos sobre ela. Ningum imaginaria que eles no
estavam ligados por laos sangneos.
Mac e Trevis eram amigos de longa data. Ele at havia ajudado Mac a restaurar o rancho. Seu amigo no merecia ter a vida virada de cabea para baixo por causa de
um capricho de Bridget. J havia sofrido muito ao perder a esposa, poucos anos atrs.
- Voc est brincando com a vida dos outros, Bridget. - Ele se manteve firme e inflexvel. - No faa isso.
- Tenho que fazer.
- No, no tem.
Ele deu as costas para ela e lanou os braos no ar com desgosto.
- Como eu fui me apaixonar por uma riquinha idiota decidida a destruir tantas vidas? - Virou-se ento para ela e, espumando de raiva, acrescentou: - Voc no  a
mulher que encontrei no Deerlick Cannyon. Ela no faria uma coisa dessas. Aquela mulher no  vingativa. Ela no  to cnica a ponto de se achar no direito de prejudicar
a vida de outras pessoas. Deixe para l, Bridget.
- Eu no posso, Mac! Voc no entende? O livro est quase pronto. A descoberta da filha da tia Fin vai ser o tema do ltimo captulo.
Mac se deu conta de que o destino tinha lhe pregado uma pea. Ele finalmente havia aberto o corao para deixar o amor entrar, somente para ver tudo ruir ao seu
redor no momento seguinte. Bridget Elliot no era mulher para ele. Ela havia nascido em bero de ouro e poderia fazer algo de positivo com a sua vida, mas em vez
disso, preferia causar tristeza e amargura para aqueles que a cercavam.
Mac no podia permitir uma coisa dessas. No na sua cidade, nem na sua casa. Ele no iria fazer isso com Trevis, nem consigo mesmo. S havia uma soluo.
- Acho melhor voc ir embora com o seu primo quando ele voltar.
- Mac - disse ela quase sem voz, deixando o corao dele em pedaos com a sua splica.
Ele se manteve firme, mas teve de se forar a dizer as palavras seguintes.
- Temo que no haja mais lugar para voc aqui se insistir em seguir adiante com seu plano.
Ela assentiu e Mac se contorceu por dentro. Ela iria desistir.
- Eu tenho de terminar o que comecei.
- Ento vamos ter de dizer adeus. Volte para Nova York, Bridget. L  o seu lugar.
Lizzie adentrou a sala radiante.
- Lyle me chamou para sair e se ofereceu para me ajudar com a mudana! Jane, ns temos que ir s compras. Preciso da sua ajuda para achar a roupa ideal.
Mac olhou uma ltima vez para Jane e ento dirigiu o seu olhar para a irm.
- Ela no  Jane. Seu verdadeiro nome  Bridget Elliot e ela vai embarcar no prximo vo para Nova York.

- No sei como lhe agradecer, Bridget. Jamais teria conseguido combinar as peas to bem sem voc. No acredito que voc teve cabea para ir s compras comigo depois
do que aconteceu - disse Lizzie, jogando as sacolas sobre a cama de Bridget.
Bridget sentou-se na cama e Lizzie a seguiu pouco depois.
- Eu tinha prometido. Precisava retribuir tudo o que voc fez por mim. Foi divertido. Acabei me distraindo e no pensei... nas coisas.
- Como o seu vo que parte daqui a trs horas? Eu no queria que voc fosse embora - disse Lizzie com grande tristeza. - Meu irmo precisa de voc.
Bridget se recostou para apoiar a cabea no travesseiro. Fechou os olhos e viu a imagem de Mac  sua frente. Seu sorriso raro, o jeito como ele a abraava, a maneira
terna como fazia amor.
- Mac no compreende o que estou tentando fazer.
- No, e provavelmente no vai mudar de idia. Ele sempre soube discernir entre o certo e o errado.
Bridget abriu os olhos.
- Quer dizer que voc tambm no aprova o que estou fazendo?
Lizzie pegou na sua mo.
- No  da minha conta.  assunto seu e do meu irmo. - Ela apertou a mo de Bridget com firmeza.
- O que sei  que Mac est sofrendo. Ele no fala muito, mas a dor est estampada em seu rosto. Prometa-me uma coisa, Bridget.
- Qualquer coisa.
- No devolva nada que ele lhe tenha dado e, pelo amor de Deus, no se atreva a tentar pagar por essas coisas. Conheo o meu irmo. Ele ia querer mat-la.
Bridget assentiu.
- Obrigada por avisar, mas gostaria de fazer alguma coisa para retribuir sua gentileza.
- Basta que seja minha amiga, Bridget. E tudo que preciso. Talvez voc possa me dar algumas dicas de moda de vez em quando.
Bridget riu.
- Claro.
- Vou sentir a sua falta.
As lgrimas brotaram nos olhos de Bridget. Ela tinha aprendido a amar aqueles dois irmos dentro daquela casa. Sabia que sua vida nunca mais seria a mesma. Bridget
abraou a amiga com fora.
- Eu tambm. Oua, Lizzie. No volte atrs nos seus planos por causa de Mac.
Lizzie pensou por um momento.
- Mas o meu irmo...
- Lizzie! - disse Bridget com firmeza. - No se atreva! Voc devotou a sua vida a Mac. Ele s quer que voc seja feliz. Espero ter conseguido abrir a cabea dele,
pelo menos em relao a isso.
Bridget se levantou e comeou a encher a mochila que Lizzie havia lhe dado. Em pouco tempo j havia guardado tudo e estava pronta para partir.
Mac colocou a cabea na porta.
- Seu primo chegou.
- Oh. - Tudo parecia estar acontecendo to rpido. Bridget olhou uma ltima vez nos belos olhos castanhos de Lizzie. - Tenho que ir.
Lizzie se levantou.
- Eu sei.
- Adeus, minha amiga.
Bridget conteve as lgrimas. Chorar no iria adiantar. O que estava feito, estava feito, e Bridget sabia que o seu tempo em Winchester havia chegado ao fim.
- Adeus - sussurrou Lizzie, dando-lhe um ltimo abrao. - Vou entreter Bryan enquanto vocs dois se despedem.
Lizzie saiu e Bridget olhou nos olhos escuros de Mac. Agarrou as alas da mochila repleta de coisas que iam ser uma lembrana constante de Winchester e de Mac Riggs.
- Acho que  hora de dizer adeus.
Forte, alto e sempre controlado, Mac fez apenas fez um meneio de cabea e permaneceu em silncio. Bridget foi at ele.
- No posso ir embora sem lhe agradecer por tudo, Mac - disse ela suavemente. - Voc  um excelente policial e um homem maravilhoso.
Ela ento lhe deu um beijo na bochecha, um beijo suave e sutil que traa seus verdadeiros sentimentos. Mas Mac no queria que ela o beijasse. Ele no a queria mais
em sua vida, nem na sua casa. Ele havia admitido que a amava mas logo em seguida a havia chamado de riquinha idiota, e isso a havia magoado profundamente. Ele no
queria am-la e era isso o que mais doa, porque ela o amava com todos os seus defeitos e qualidades.
- Vou sentir falta de Winchester - disse ela com sinceridade - e principalmente de voc.
Ela passou por ele, torcendo para que ele a chamasse de volta, que dissesse alguma coisa, mas ele no o fez.
- Est pronta, prima? - perguntou Bryan, pegando a sua bolsa e abrindo a porta da frente.
Ela se virou para olhar novamente nos olhos escuros e frios de Mac.
- Estou. Vamos para casa.


CAPTULO ONZE

- Voc est bem? - perguntou Bryan enquanto dirigia at a propriedade de Patrick Elliot em Hamptons.
Bridget olhou pela janela e viu os jardins bem cuidados e a grande entrada circular da manso. O cheiro da maresia trouxe de volta a lembrana de dias mais felizes,
quando ela brincava na areia da praia com seus irmos e primos.
Toda aquela familiaridade, porm, no lhe trazia conforto. Sua mente e seu corao ainda estavam numa casa aconchegante do Colorado e num xerife de uma cidadezinha
pequena que havia se infiltrado em sua alma.
- Vou ficar bem quando vir a mame. J faz duas semanas que no a vejo.
- Ela ficou preocupada com voc, Bridget.
Bridget detestava ter preocupado a sua me, mas no tinha culpa de ter perdido a memria e muito menos de se apaixonar. Mac tinha sido a coisa mais preciosa da sua
vida e nem todo o dinheiro do seu av poderia proporcionar algo igual.
- Mame tem que cuidar da sua sade agora.
Karen Eliot havia se submetido a uma dupla mastectomia havia cerca de quatro meses. Desde ento passava muito tempo na casa de Hamptons.
- Ela  dura na queda. Nunca deixa transparecer o que sente, mas sei que ela vai ficar emocionada quando a vir.
Bryan estacionou na frente da casa.
- No posso entrar. Tenho negcios urgentes para resolver. Mande um beijo meu para a tia Karen, est bem?
- Com certeza. Estes negcios urgentes tm a ver com o restaurante?
- E com o que mais?
- Certo - disse Bridget.
Ela ficou se perguntando se Mac poderia estar certo respeito de Bryan. Ser que o seu primo era mesmo mais do que aparentava?
Bridget saiu do carro e lhe deu um forte abrao quando ele deu a volta para passar sua mochila.
- Obrigada mais uma vez por tudo. No sei como, nem quando teria recuperado a minha memria se no fosse voc.
Bryan beijou sua bochecha. Pouco antes de entrar no carro ele disse:
- Houve um momento em que eu no fiquei bem certo de que voc queria recuperar a sua memria.
- Isso  conversa para outro dia, Bryan.
Ela acenou, esperando que ele partisse antes de subir as escadas da casa de seu av. A imponncia do lugar se fez presente assim que ela abriu a porta, desde o mrmore
italiano do cho sob seus ps at as antigidades ao longo de todo o corredor. Sua av Maeve havia decorado a propriedade da mesma maneira como cuidava de si mesma.
Minutos depois, Bridget encontrou sua me tranqilamente sentada no terrao, olhando para o oceano que refletia o brilho suave do sol que comeava a se pr. Bridget
ficou observando-a por um bom tempo antes de se anunciar. Seu rosto estava plido, denotando a fraqueza decorrente da quimioterapia. O leno colorido em sua cabea
era apenas mais um lembrete das conseqncias de seu tratamento.
- Oi, me.
Sua me voltou-se abruptamente ao ouvir o som da sua voz.
- Bridget, querida.
Ela se levantou com o rosto iluminado por um sorriso radiante. Bridget correu para os braos quentes e acolhedores de sua me.
- Estou to feliz de ver que voc est bem. Teve algum problema mais srio por conta da queda ou da amnsia?
Ela balanou a cabea, inalando o perfume floral de sua me, to familiar.
- Nada, estou bem. Fiquei preocupada com voc.
- Estou me recuperando.  um processo lento, mas vou ficar bem.
O abrao ainda durou um bom tempo. Quando finalmente se separaram para se sentarem de frente para as incrveis ondas do oceano Atlntico, Bridget abriu o seu corao
para a me e contou tudo sobre Mac e o livro.
Karen Elliot deu-lhe um bom conselho:
- S voc pode saber o que  certo para voc, querida.
- Eu me propus a fazer uma coisa e vou levar at o fim. Nunca fui de abandonar o barco, mame.
Sua me sorriu calorosamente, com uma expresso sincera em seus olhos verdes e brilhantes.
- s vezes conseguimos exatamente o que desejamos apenas para descobrir que no  nada daquilo que realmente queremos. D um tempo a si mesma, querida. Tente descobrir
o que realmente importa para voc.
- No tenho feito outra coisa desde que sa de Colorado.
- Ento deixe-me dar-lhe mais uma coisa em que pensar. Seu pai e eu vamos ser avs. Gannon e Erika acabaram de anunciar que esto esperando um beb.
- Que notcia maravilhosa!
- Sim, e pretendo ficar boa logo para poder cuidar do meu neto.
- Voc vai ficar, me - disse Bridget, suspirando. - Quem diria? Meu irmo, o antigo garanho, vai ser papai!
Karen riu.
-  difcil de acreditar, mas  verdade. Acho que ele finalmente encontrou a sua cara-metade.
- Fico feliz por eles.
Sua me tomou as mos de Bridget nas suas e disse:
- Isso  tudo o que eu desejo para meus filhos, querida. Felicidade. s vezes ela nem  to difcil de achar. Basta olhar na direo certa.
O quarto de Bridget era espaoso e tinha estilo, mas com certeza no tinha a elegncia da manso de seus avs. Ela sorriu ao andar pelo apartamento, rodeado de mveis
e objetos de arte que representavam muito bem a sua personalidade. A decorao era informal e contempornea, com tudo o que uma jovem de 28 anos poderia querer.
Ela havia passado a noite no Tides e voltado de carro para a sua casa pela manh. Ao passar pela Broadway, achou as avenidas extremamente confusas e movimentadas,
repletas de lojas, restaurantes e prdios que pareciam estar l desde o incio dos tempos.
Tudo era muito familiar, mas nada parecia adequado.
Ela teria que se readaptar. Achou que era natural sentir-se um pouco "fora de rbita" depois de tudo o que havia passado.
Bridget ligou o rdio e ajustou o dial  procura da estao que queria. Ficou marcando o ritmo da msica com os ps, matando o tempo at a chegada de sua visita.
Ao ouvir a batida na porta, Bridget suspirou aliviada e acorreu para receber sua amiga.
- Trouxe as fotos do casamento - anunciou a sua nova prima Misty, com um lbum branco nas mos.
Bridget olhou para a barriga de cinco meses de Misty. Ela parecia muito feliz.
- Que bom que veio me visitar. Entre. As fotografais j ficaram prontas?
- S os contatos. - Misty ento olhou-a de cima a baixo e depois de satisfeita, disse: - Voc nos deixou terrivelmente preocupados. Minha madrinha desaparece logo
depois da cerimnia de casamento e ningum sabe dela! Voc no disse a ningum aonde ia. Ainda bem que Bryan soube como encontr-la.
- Foi um erro. Da prxima vez, avisarei algum onde estou.
Misty arregalou os olhos.
- Da prxima vez?
Bridget no pde deixar de rir.
As duas se sentaram no sof de couro creme de Bridget numa rea do loft conhecida como a grande sala. Ela havia transformado trs quartos num nico cmodo onde relaxava,
lia, assistia TV, ou simplesmente ficava olhando para a rua atravs das janelas gigantes que iam do cho at o teto.
- Ainda bem que est em casa, Bridget.
- Pois , em casa - disse ela, mordendo o lbio inferior.
- Opa! Conheo esse olhar. O que foi?
Bridget deu de ombros.
- Nada demais, exceto que me apaixonei pelo homem que provavelmente salvou a minha vida. O xerife Mac Riggs. Ele acha que eu sou uma socialite rica e mimada que
no tem mais nada a fazer do que causar problemas s outras pessoas. Ele no aprova o que estou tentando fazer.
- Entendo. - Os olhos verdes de Misty brilharam. - Um xerife, ? Alto, bonito? Ele deve ficar incrvel de uniforme.
A lembrana de Mac em seu uniforme, e principalmente sem ele, nunca havia sado de sua mente.
- Voc no est facilitando as coisas para mim.
- Ora, se ele  horrvel, no h por que se lamentar, no  mesmo?
- Voc tem razo. Ele  horrvel. Horrivelmente turro. Horrivelmente severo. Horrivelmente sexy e to horrivelmente bonito que o meu corao parava de bater toda
vez que ele entrava em casa.
- Uau! - disse Misty, balanando a cabea. - O que est esperando, ento?  bvio que voc  louca por ele. Volte para o Colorado e faa-o mudar de idia.
Bridget levantou-se, foi at a janela e ficou olhando para a rua l embaixo. Depois voltou-se novamente para Misty.
- No acredito que possa faz-lo mudar de idia.
- Houve um tempo em que Cullen achou que no ia conseguir me fazer mudar de idia tambm, mas aqui estou. Estamos muito felizes - disse ela, passando a mo em sua
barriga - ainda mais com este beb a caminho. Bridget, se existe alguma chance, ainda que remota, de reconquistar esse homem, voc tem que voltar l e lutar com
unhas e dentes.
Bridget respirou fundo. Ela estava confusa. Havia prometido a si mesma que escreveria o livro e desmascararia Patrick Elliot. E o que dizer de sua tia Fin? Ela tambm
merecia ser feliz.
- Ainda no estou certa do que fazer, Misty, mas vou pensar no que me disse.
- No pense demais, amiga. Voc no deve ter sido a nica a notar suas qualidades. - Ela ficou em silncio e ento prestou ateno na msica que estava locando no
rdio. - Esse cara fez voc ouvir msica country! Isto tem que significar alguma coisa, minha querida. Bem, no vim aqui s para saber de voc. Vim para obter ajuda
da editora fotogrfica da famlia. O que acha de dar uma olhada nos contatos? Preciso de ajuda para escolher as fotos que quero ampliar. So quase cem fotografias.
- Meu Deus, Misty, s isso? - disse ela provocando a amiga, feliz por ter algo produtivo para fazer.
Amanh ela retornaria ao seu trabalho na Charisma.
Bridget caminhou pelos corredores da revista como j havia feito milhares de vezes, calorosamente cumprimentada por todos os empregados e companheiros de trabalho.
Ela parou para falar com alguns deles e explicar rapidamente o que havia acontecido. Tia Fin era uma das poucas pessoas com quem estava disposta a entrar em detalhes.
Bridget vinha trabalhando com ela por anos e havia se ligado fortemente a ela. Sua tia cuidava da revista como se fosse a prpria filha. Todos sabiam disso. Tambm
compreendiam a necessidade por trs das horas e da devoo dedicadas  revista. Havia um vazio na sua tia que Bridget esperava preencher reencontrando a filha que
lhe fora tirada logo aps o nascimento.
- Bom dia - disse ela, enfiando o rosto na porta do escritrio da tia.
Tia Fin estava mergulhada nos papis, como sempre. Ergueu lentamente o seu rosto e, ao v-la, gritou radiante:
- Bridget!
Ela se levantou e deu a volta na mesa, encontrando Bridget no meio da sala. Abraou a sobrinha com fora e deu um passo para trs para olh-la nos olhos.
- Graas a Deus! Voc est linda.
- Verdade?
Bridget no tinha conseguido dormir direito na noite anterior. Estava plida e exausta, e no tinha caprichado na maquiagem esta manh. Tia Fin, porm, sempre tinha
alguma coisa agradvel para dizer.
- Para mim, voc est sempre linda. Eu estava to preocupada. - Ela a conduziu at o confortvel sof que lhe servia freqentemente de cama quando virava a noite
trabalhando. - Sente-se aqui e conte-me tudo.
- E o prazo para a entrega das matrias?
- Isso pode esperar. Alm do mais, estamos um pouco adiantados. Quero saber de tudo.
Bridget no escondeu nada da tia. Contou-lhe ludo, desde a pista annima sobre a sua filha at o seu envolvimento com Mac. Sua tia ouviu atentamente. Quando Bridget
terminou, ela pegou as suas mos e lhe disse:
- Voc  minha sobrinha querida, Bridget. Eu a amo profundamente e no posso deixar que arrune a sua vida por minha causa.  claro que quero conhecer a minha filha.
Sonho freqentemente com isso, mas no quero que interfira na sua vida. Pode ser que ela no queira me conhecer, Bridget, mas por via das dvidas, decidi me inscrever
numa lista de dados com gente do mundo inteiro. Todas as minhas informaes referentes  adoo esto l, num site especfico da Internet. Ela poder me encontrar
facilmente se desejar. S espero e rezo para que ela tenha sido bem cuidada. Vamos nos conhecer quando chegar a hora. Escreva seu livro, se quiser, mas eu a aconselharia
a no o fazer. No vai mudar o que aconteceu e voc s vai se envolver num mar de raiva e de ressentimento, alm de perder algo muito mais importante: o amor. Nada
 mais precioso, Bridget. Nem um best-seller - disse ela com um sorriso triste.
- Mas...
- Nada de mas, querida. Meu pai fez uma coisa horrvel que arruinou minha vida, mas voc no pode permitir que ele arrune a sua tambm. Criar um escndalo em torno
de Patrick Elliot no vai trazer um minuto sequer de satisfao. Ele vai sair vitorioso da situao, enquanto que voc... Voc vai perder o homem que ama. Acha que
realmente vale a pena?
Bridget apertou os lbios, pensativa.
- No tinha pensado dessa maneira.
- Quanto vale o amor de Mac para voc, Bridget? Se voc for capaz de deixar o passado para trs, poder ter um lindo futuro pela frente.
-  uma empreitada e tanto.
- E digo mais, minha querida. Se eu fosse voc, pegaria o prximo avio para o Colorado.

Bridget acatou o conselho de sua tia e partiu o mais rpido possvel. Ela estava do lado de fora da delegacia de Winchester, com um frio na barriga e o corao batendo
loucamente. J era quase meia-noite. Lizzie havia lhe dito que Mac estava fazendo hora extra. A irm de Mac pareceu surpresa ao v-la quela hora, mas no se retraiu.
Simplesmente disse-lhe onde encontr-lo e lhe deu um forte abrao.
Bridget estava mesmo precisando daquele encorajamento. Ela sempre encarava seus desafios de cabea erguida, mas aquele era diferente. Era o seu prprio futuro que
estava em jogo. Ela estava apostando todas as fichas naquela relao.
Entrou na delegacia e foi cumprimentada por um assistente que a reconheceu.
- Ele est no escritrio. Talvez voc possa fazer alguma coisa para colocar um sorriso em seu rosto. Ele est mais ranheta do que nunca.
Bridget quase perdeu a coragem, mas se convenceu a no fugir. Ela tinha que ir at o fim; caso contrrio, jamais saberia se ainda tinha alguma chance com o homem
que amava. Deu os passos que faltavam at chegar ao seu escritrio e bateu levemente na porta.
- Que ? - gritou ele.
O seu protesto a fez sorrir. Ele no a assustava. O som grave de sua voz s fez lembr-la do quanto ela o amava. Ela abriu a porta e deu um passo para dentro.
- Trabalhando at tarde?
Mac ergueu a cabea abruptamente, com a surpresa estampada em seu rosto e uma expresso indecifrvel nos olhos, exceto por um pequeno lampejo de esperana. Ele ento
se recomps e olhou para os papis nos quais estava trabalhando.
- Se voc veio aqui por causa da filha de sua tia, acho que sei onde pode encontr-la.
- No estou aqui por causa disso, Mac. Minha tia no precisa, nem quer a minha ajuda. Desisti dessa busca. Ela disponibilizou seus dados numa lista na Internet.
Se a sua filha um dia quiser conhec-la, ter como encontr-la.
Mac apertou os lbios e manteve os olhos baixos.
- Encontramos seu carro de aluguel no lago, a cerca de um quilmetro e meio de onde encontramos os outros. Pegamos o ladro tambm.
- Que bom. Sabia que voc o encontraria.
- Sua bagagem no estava mais l. Ele deu cabo dela.
- No importa.
Mac finalmente ergueu os olhos para olhar para ela, mas seu olhar se fixou em sua garganta. Bridget brincou com o colar que ele havia lhe dado, o colar que ela no
mais havia tirado do pescoo.
- Por que est aqui, ento?
Bridget sorriu e caminhou at a mesa de Mac. Ele se reclinou na cadeira, tentando manter a distncia entre eles. No podia baixar a guarda. No at saber por que
ela tinha vindo a Winchester. Ela estava linda e elegante, mesmo de jeans. No era da Levi's, mas provavelmente de alguma outra marca famosa que custava cinco vezes
mais do que deveria. A camiseta era uma das que Mac havia dado. Ela havia enrolado as mangas e dado um n na altura da cintura. As iniciais identificando o Departamento
de Polcia do Municpio de Winchester cobriam os seus seios, provocando as mais picantes associaes na mente de Mac.
- Cus!
Bridget remexeu no fundo da sua grande bolsa de mo preta e tirou de l uma sacola do Colorado Chuk's.
- Um para mim e um para voc - disse ela, pondo os dois hambrgueres Pike's Peak na sua frente.
O odor dos hambrgueres ensopados de chilli e alho infestou o lugar, mas Mac no se importou nem um pouco. Um sorriso ergueu os cantos de seus lbios.
- Vim  procura de uma boa refeio e para registrar o desaparecimento de uma pessoa. Bridget Elliot.
Ela se sentou sobre a mesa de Mac. Ele aspirou seu perfume e admirou os seus cabelos loiros e sedosos e aqueles enormes olhos azuis, cor de alfazema.
- Ela desapareceu?
- Sim, a parte cnica e impiedosa dela. E tenho certeza de que ela jamais ser encontrada novamente. Foi-se para sempre.
- E o que mais devo colocar neste registro?
- Bem, parece que ela ainda tem o desejo de escrever um livro.
Mac arqueou as sobrancelhas e mal disse a esperana que sentiu ao v-la entrar. Ela no tinha mudado. Ainda queria escrever aquele maldito livro.
- Um livro infantil. Parece que Bridget adorou a experincia de ler para as crianas na livraria de Rory. Ela acredita ter descoberto sua verdadeira vocao: literatura
infantil. E  tudo o que ela planeja escrever no momento, Mac. - Bridget sorriu para ele com os olhos brilhantes. - Jane e Bridget so a mesma pessoa. No posso
negar quem sou.  verdade, sou rica e tive privilgios com os quais a maioria das pessoas nem ousa sonhar, mas mudei Mac. Viver aqui com voc abriu meus olhos e
o corao para coisas mais importantes. E tudo o que quero agora  seu amor, se ainda quiser d-lo para mim.
A esperana de Mac renasceu. Ela tinha desistido da idia de escrever aquele livro escandaloso sobre sua famlia. Talvez fosse mais parecida com Jane Doe do que
ele tinha imaginado.
Mac levantou-se de sua cadeira e ficou de frente para ela. Apoiou as duas mos sobre a mesa e a prendeu numa armadilha.
- Quer dizer que est disposta a abrir mo das viagens para a Europa, das roupas de grife e de um estilo de vida com o qual a maioria das mulheres sonha?
Bridget passou os braos em torno do seu pescoo.
- Pela chance nica de comer hambrgueres Pike's Peak, cavalgar em seu rancho montada sobre Daisy Mae e acordar com voc todas as manhs, xerife Riggs? Pode apostar
que sim.
Mac mal podia acreditar que tinha ouvido direito. Com o corao acelerado e a cabea rodando, ele teve de perguntar novamente.
- Tem certeza?
O sorriso de Bridget sumiu e, por um momento, ele achou que tinha imaginado tudo.
- Mac, toda a minha famlia mora em Nova York. Eu os amo.  claro que terei de ir para l de vez em quando.
- Acho que podemos dar um jeito nisso.
-  mesmo? - disse ela, com uma nota de esperana em sua voz.
- D s uma olhada nisto aqui.
Ele abriu a sua gaveta e lhe estendeu um bilhete escondido no fundo.
- Uma passagem para Nova York - disse ela, um pouco confusa. Seus belos olhos azuis brilharam intensamente. - Voc ia me ver amanh?
- Estava pretendendo bancar o idiota. Queria botar algum juzo na sua cabea e convenc-la a voltar para casa.
A alegria se espalhou pelo rosto de Bridget e duas covinhas surgiram nos cantos de sua boca. Mac nunca havia sentido algo to forte antes. Nunca imaginara que poderia
amar algum to diferente de si mesmo. Ele e Bridget vinham de mundos completamente diferentes, mas l estava ele, to profundamente apaixonado por ela, a ponto
de colocar todas as suas reservas e dvidas de lado para assumir o maior risco de toda a sua vida.
- Eu sou louco por voc, querida.
Bridget jogou a cabea para trs com os olhos brilhando.
- Eu tambm sou louca por voc, Mac.
Mac vasculhou mais uma vez em sua gaveta e tirou de l uma caixa de veludo. Bridget perdeu o flego ao se dar conta do que se tratava.
- Bem, posso muito bem fazer papel de idiota hoje mesmo. Bridget Elliot, eu a amo do fundo do meu corao. Voc...
Bridget agarrou a caixa preta e a abriu.
- Sim, sim! Oh, Mac,  lindo. Sim!
Ele soltou uma gargalhada e colocou o anel com diamante no seu dedo.
-... aceita se casar comigo? - concluiu ele, apesar de j ter obtido a resposta. - Ser a minha mulher?
- Oh, Mac, eu o amo tanto - disse ela num sussurro, to enlevada quanto ele.
Ele se curvou e beijou a sua futura esposa profundamente, com amor e devoo. O beijo foi ficando cada vez mais longo e intenso, suas bocas e seus corpos vidos
uns pelos outros. Bridget deitou-se sobre a mesa de Mac, fazendo os papis voarem pela sala.
- Mac - sussurrou ela com a voz rouca. - Voc acha que  crime fazer amor no escritrio do xerife?
Mac se ergueu e foi at a porta.
- Provavelmente - disse ele, trancando-a direitinho antes de voltar para a mesa e cobriu o corpo dela com o seu. Seus lbios ento cobriram os dela num beijo longo
e sensual. - Mas seria um crime maior ainda no o fazer, minha querida. Seria praticamente um pecado.


FIM
